"Os dois mortos são resultantes da repressão de militares durante distúrbios ocorridos em Santa Elena de Uairén. Ambos morreram por impactos de bala, um deles na cabeça", declarou à AFP Olnar Ortiz, ativista na região da ONG Fórum Penal, crítica ao governo de Nicolás Maduro.

Os distúrbios foram registados em dois pontos de Uairén, onde militares venezuelanos bloqueavam a entrada de ajuda humanitária. Já os moradores favoráveis à entrada da carga ergueram barricadas nas ruas para evitar o avanço dos militares rumo à fronteira.

Duas ambulâncias a transportar cinco venezuelanos feridos a bala em confrontos com as forças de segurança entraram na cidade brasileira de Pacaraima, informaram autoridades brasileiras.

Dois feridos foram levados para o Hospital Geral de Roraima, na capital Boa Vista, a 215 km de Pacaraima, e outros três estão a caminho de outro centro hospitalar, informou a secretaria do governo da Roraima. O estado de saúde dos cinco é grave, segundo a fonte.

A médica venezuelana Carla Servitá, que viajou numa das ambulâncias, disse à imprensa que mais feridos são esperados devido aos violentos confrontos em Santa Elena de Uairén.

Os relatos falam de violentos confrontos entre habitantes e membros da Guarda Nacional Bolivariana em Santa Elena de Uairén.

"A coisa está feia no centro da cidade. Há tanques, eles atacam-nos e nós atacam-los a eles", contou um habitante que não se quis identificar, falando por telefone com a AFP.

Outra pessoa da área disse que, segundo uma enfermeira do Hospital Rosário Vera Zurita, em Gran Sabana, território venezuelano, há 19 feridos e "uma atmosfera tensa, os tanques ainda estão lá e a maioria dos habitantes agora está nas proximidades do hospital", afirmou.

As ambulâncias brasileiras conseguiram entrar no território venezuelano apesar de a fronteira venezuelana permanecer oficialmente fechada desde quinta-feira por ordem do presidente Nicolás Maduro.

Na véspera, várias ambulâncias cruzaram a fronteira para o Brasil levando 13 feridos.

Camiões regressam ao Brasil

Juan Guaidó, presidente interino da Venezuela, havia anunciado à tarde a entrada de uma carga de ajuda humanitária proveniente do Brasil, tal não chegou a ocorrer.

O primeiro camião chegou no fim da manhã ao ponto onde estão as bandeiras dos dois países e parou ao lado do pavilhão da Venezuela. O segundo chegou no início da tarde e estacionou ao lado.

O local fica a 300 metros da Alfândega brasileira e a 300 metros do primeiro cordão militar venezuelano, posicionado a 500 metros da Alfândega deste país.

A iniciativa inseriu-se numa operação impulsionada a partir do Brasil, da Colômbia e de Curaçao por Guaidó, reconhecido como líder legítimo da Venezuela por meia centena de países.

"Na Colômbia perdemos um camião [acabariam por ser dois] (...). Guaidó ordenou que se salvaguarde os produtos, o que queremos é passar para lá de forma pacífica", disse, usando um megafone, um dos coordenadores da operação, pouco antes do recuo.

"O mais valioso que temos é a nossa vida, não quero que nos massacrem", instruiu o porta-voz, do alto de um dos pequenos caminhões dispostos para a operação. Centenas de pessoas cercaram os camiões durante o dia.

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