“Beba café. Ajude Refugiados”. A frase não passa despercebida e desperta a curiosidade daqueles que passam pelo stand da HireChance num dos pavilhões da FIL na Web Summit. Lá, Craig, Elham e Jenny explicam como (e porquê) querem tornar uma ação da nossa rotina numa forma de ajudar a melhorar vidas.

Primeiro, vamos ao como, ponto de partida necessário antes de tentarmos salvar o mundo com uma bica. Como é que uma startup pode ajudar refugiados com café? A resposta é simples: vendendo-o e utilizando 25% desse valor para financiar programas de educação online. A ideia começou a ser desenhada em 2018 e há falta de um parceiro certo na indústria do café, a HireChance decidiu criar a sua própria marca, indo diretamente ter com os produtores colombianos. Deram-lhe o nome de “Esperanza” (Esperança, em português).

créditos: Pedro Marques | Madremedia

Entre o como e o porquê é necessário explicar ainda que Craig, Elham e Jenny procuram ajudar refugiados na Coreia do Sul e, portanto, é uma realidade muito diferente daquela que a Europa vive e que nos chega através da imprensa todos os dias. É mais invisível, mas isso não lhe reduz a importância.

Contam que, em 2018, um número de pessoas superior ao normal deu entrada na Coreia do Sul em busca de asilo. A muitos foi concedida proteção temporária e o direito a trabalhar, mas apesar das suas competências e qualificações, vários refugiados não conseguem entrar no mercado de trabalho sul-coreano e construir carreiras profissionais, em parte devido a dificuldades na aprendizagem da língua.

“Não estamos a tentar mudar a política coreana, estamos apenas a tentar colocar um plano em prática que mostre que há formas de ajudar que não vão limitar nenhuma liberdade, nem roubar empregos”, diz Craig.

O problema estava à vista e as partes somaram-se com naturalidade. Craig Latouche foi fundador da Jobfindr, uma plataforma que ajuda estrangeiros a arranjar emprego na Coreia do Sul, onde vive. Um dia, conta, recebeu um pedido de um refugiado e as possibilidades - facilidades em línguas e vontade de integração - esbarraram nas dificuldades, mas nasceu uma ideia, foi como se de uma bola de neve se tratasse.

Na ‘bola’ está também Elham Mohsen, natural do Iémen, um dos epicentros da crise de refugiados, país envolvido num conflito desde 2014 e cenário de uma das maiores crises humanitárias no mundo, segundo a ONU. Mohsen confessa ao SAPO24 que apesar da decisão de sair do seu país não ter sido forçada, foi pessoal, queria prosseguir a sua educação superior na Coreia do Sul, sente-se uma refugiada por não poder voltar a casa.

Por fim, temos a Jenny Lafaurie, apaixonada pela área da educação e que tem desenvolvido o seu trabalho ao longo dos últimos anos pelos mais diversos países, desde a Colômbia, a sua terra natal, aos Estados Unidos.

créditos: Pedro Marques | Madremedia

Et voilà! 

Esta é a HireChance. Mas… porquê café? Nada mais, nada menos do que estratégia de mercado. A indústria do café vale mil milhões de dólares, é a segunda bebida mais consumida no mundo a seguir ao chá, e indo diretamente ao produtor, sem intermediários, querem lutar por um espaço neste mercado com os preços dos sacos a variarem entre os 25 e os 30 dólares.

Por agora, beber um café para ajudar a financiar estes programas só vai ser possível em Lisboa até ao fim da Web Summit, depois passa a ser apenas possível na Coreia do Sul e assim deve permanecer até ao final do ano, como forma de testar o mercado e fechar acordos com organizações de ensino. Mas o objetivo é que no final do mês de janeiro de 2020, tanto na Europa como nos EUA, seja possível comprar Esperanza para ajudar as pessoas que foram forçadas a fugir das respetivas casas em todo o mundo, devido a conflitos civis, violência, alterações climáticas ou questões relacionadas com a sexualidade e a identidade de género.

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