"Temos um problema e está aí. E o problema é que hoje no mercado de trabalho existem sentimentos de incerteza, sentimentos de abandono, de as pessoas terem sido deixadas para trás, de não terem oportunidades suficientes", disse o responsável brasileiro da OMC, na abertura da Web Summit em Lisboa.

Roberto Azevêdo disse que "muita desta culpabilização do comércio é uma forma de encontrar um alvo fácil, o inimigo fácil, o forasteiro".

"Apontar o que é diferente e que vem de fora. E isso é injusto. Mas se formos honestos e virmos o que está a acontecer com o mercado de trabalho, não tem nada a ver com o comércio", disse o responsável da OMC.

O dirigente da entidade que regula o comércio mundial admitiu que "dois em cada dez empregos que se perdem nas economias avançadas têm a ver com o comércio".

"Mas oito em dez ou mais tem a ver com novas tecnologias, tem a ver com maior produtividade, com inovação. E não podemos estar contra essas coisas, não podemos lutar contra essas coisas. Temos de as abraçar e perceber que são o futuro", disse Roberto Azevêdo.

O diretor-geral da OMC deu como exemplo o serviço de entrega "em grande escala" de encomendas e pacotes por drones ou por camiões automáticos, sem condutor.

"Só nos Estados Unidos há 3,5 milhões de condutores de camiões. Esses tipos vão perder os seus empregos. E não só eles? todos os da assistência à beira das auto-estradas, cafés, restaurantes, estações de serviço. O que vai acontecer com todas estas pessoas?", questionou o dirigente perante muitos milhares de jovens que assistiam à abertura da Web Summit.

Roberto Azevêdo também considerou que não vale a pena dizer "daqui a uns anos que não se sabia que isso ia acontecer".

"Isto vai acontecer. A questão é ?Como lidas com isso?' Se não perceberes qual é o problema vais receitar o remédio errado, e o remédio errado é o proteccionismo", disse o responsável da OMC, para quem essa receita significa "esmagar as oportunidades de milhares de pessoas como as que estão aqui hoje".

"Jovens que querem ser empreendedores, que querem conectar-se e fazer negócios. O Comércio não é o monstro, mas também não é a panaceia", concluiu.

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