O facto de Zuckerberg assumir que até os seus dados foram usados por esta consultora, mostra a dimensão da incapacidade da rede social em travar o uso indevido de dados por terceiros.

Apesar de reconhecer que falhou no que diz respeito ao escândalo Cambridge Analytica, Zuckerberg voltou a defender perante o Congresso que "sempre que alguém decide partilhar algo no Facebook... há controlo. Não enterrado algures numa página de definições, mas ali mesmo." O CEO do Facebook referia-se ao facto de o utilizador poder escolher limitar a partilha de um conteúdo com todos os seus amigos na rede social, com apenas alguns amigos ou, pelo contrário, de forma pública.

O Facebook está no centro de uma polémica internacional associada com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores daquela rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, nomeadamente nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, que ditaram a nomeação de Donald Trump para a Casa Branca, e no referendo sobre o ‘Brexit’ (processo de saída do Reino Unido da União Europeia).

Esta é a segunda audição se Zuckerberg no Congresso norte-americano, na comissão de Comércio e de Energia da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso). A primeira teve lugar ontem, perante a comissão de Justiça do Senado (câmara alta do Congresso).

Mark Zuckerberg no Congresso: "Não vendemos dados"
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Inicialmente foi avançado que o número de utilizadores afetado rondava os 50 milhões. Dias mais tarde, o Facebook admitiu que o número ascendia aos 87 milhões de utilizadores.

Na véspera do início das audições no Congresso norte-americano, que se iniciaram na terça-feira, as agências internacionais citaram um texto no qual Mark Zuckerberg assume que foi um “erro pessoal” não ter feito o suficiente para combater os abusos que afetaram a rede social, lançada em 2004. “Não fizemos o suficiente para impedir que estas ferramentas fossem mal utilizadas (...). Não tomámos uma medida suficientemente grande perante as nossas responsabilidades e foi um grande erro. Foi um erro meu e peço desculpa”.

Zuckerberg transmitiu depois ao Congresso, em ambas as audições, uma versão resumida deste comunicado.

Na sequência deste escândalo, outros órgãos nacionais e internacionais solicitaram a presença de Mark Zuckerberg para prestar esclarecimentos. Foi o caso do Parlamento Europeu e do Parlamento do Reino Unido. Nos dois casos, o convite foi, até à data, recusado.

Na sexta-feira, a Comissão Europeia afirmou ter tido indicações do Facebook que dados de “até 2,7 milhões” de utilizadores daquela rede social a residir na União Europeia poderiam ter sido transmitidos de “maneira inapropriada” à empresa britânica Cambridge Analytica.

Em Portugal, o número de utilizadores afetados poderá rondar os 63.080.

Hoje, a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias aprovou, por unanimidade, o requerimento do PS para uma audição da presidente Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) sobre a polémica dos dados pessoais no Facebook.

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