Dois anos depois, Sérgio Conceição voltou a comandar os ‘dragões’ à conquista da principal prova do calendário nacional, ao vencer um campeonato que parecia perdido, face aos sete pontos de atraso para o Benfica, após 19 jornadas.

O técnico de 45 anos é o único treinador dos ‘azuis e brancos’ com títulos a 18 equipas desde que, em 2014/15, voltaram as 34 rondas, pois os restantes foram conquistados pelos ‘encarnados’.

O Benfica venceu em 2014/15 com Jorge Jesus ao ‘leme’ e, nas duas épocas seguintes, ganhou a prova sob o comando de Rui Vitória, que ainda teve participação no título de 2018/19, embora o grande obreiro tenha sido Bruno Lage.

Na primeira ‘era’ do campeonato a 18 (1989/90 e 1991/92 a 2005/06), os ‘dragões’ exerceram um domínio avassalador, com 11 títulos, em 16 possíveis, perdendo apenas dois para o Sporting, outros tantos para o Benfica e um para o Boavista.

Os ‘dragões’ ganharam em 1989/90 sob o comando de Artur Jorge, e ‘bisaram’ com o brasileiro Carlos Alberto Silva, em 1991/92 e 1992/93, com o inglês Bobby Robson, em 1994/95 e 1995/96, e com António Oliveira, em 1996/97 e 1997/98.

Em 1998/99, Fernando Santos tornou-se o ‘engenheiro do penta’, escrevendo o quinto título consecutivo do FC Porto, feito que há dois anos a equipa liderada por Sérgio Conceição negou ao Benfica, de Rui Vitória.

Depois de três anos sem títulos, José Mourinho também ‘bisou’ (2002/03 e 2003/04), em épocas ‘coroadas’ com vitórias na Taça UEFA e Liga dos Campeões, respetivamente, antes do título conduzido pelo holandês Co Adriaanse, em 2005/2006.

Por seu lado, o Benfica ganhou em 1993/94, com Toni, e em 2004/05, sob o comando do italiano Giovanni Trapattoni e apesar dos 37 pontos perdidos.

Quanto ao Sporting, triunfou em 1999/2000, época finalizada por Augusto Inácio, que sucedeu ao italiano Giuseppe Materazzi, colocando, então, um ponto final numa série de 17 campeonatos sem vencer por parte dos ‘leões’.

Conduzido pelos golos do brasileiro Mario Jardel e sob o comando do romeno Laszlo Bölöni, o clube de Alvalade também ganhou em 2001/2002, iniciando aí uma ‘seca’ que esta época atingiu o recorde de 18 campeonatos sem título.

Entre os dois cetros ‘leoninos’, o Boavista, de Jaime Pacheco, arrebatou o campeonato de 2000/2001, no que é a única edição conquistada pelo clube do Bessa e apenas a segunda de um clube ‘pequeno’, depois do feito do Belenenses, em 1945/46.

FC Porto ganhou tudo entre 'grandes', Sporting a 'zero'

O FC Porto conseguiu em 2019/20 o terceiro pleno de triunfos entre os ‘grandes’ na história da I Liga portuguesa de futebol, enquanto, no plano oposto, o Sporting selou o sexto ‘zero’.

Nas anteriores 85 edições da prova, só os ‘dragões’, em 2012/13, sob o comando de José Mourinho, e os ‘encarnados’, em 1971/72, tinham conseguido vencer os quatro jogos.

Por seu lado, os ‘leões’ já não tinham somado qualquer ponto em 1988/89 e 1993/94, estando agora isolados neste ‘ranking’, já que, antes, o FC Porto só ficou duas vezes em ‘branco’ (1945/46 e 1969/70) e o Benfica apenas uma, na longínqua época de 1939/40.

Os ‘dragões’ foram os únicos a ‘roubar’ pontos aos ‘encarnados’ nas primeiras 20 rondas, com um 2-0 na Luz e um 3-2 no Dragão, e, face ao Sporting, ganharam por 2-1 em Alvalade e por 2-0 em casa, no encontro em que selaram o 29.º título.

Já o Sporting, e além dos dois desaires com os novos campeões, também saiu derrotado dos dois confrontos com o Benfica, por 2-0, em casa, a fechar a primeira volta, e por 2-1, na Luz, na 34.ª e última ronda do campeonato, isto numa época em que, logo a abrir, foi goleada por 5-0 pelos ‘encarnados’ na Supertaça.

Na primeira volta, o FC Porto selou o triunfo na Luz com tentos de Zé Luís (22 minutos) e Marega (86) e em Alvalade com novo tento do maliano (06) e outro de Soares (73), contra um de Acuña (44).

Apear destes dois triunfos, os ‘dragões’ acabaram a primeira volta no segundo posto, a sete pontos do Benfica, que, precisamente à 17.ª ronda, ganhou no reduto dos ‘leões’ com um ‘bis’ do suplente Rafa (80 e 90+9 minutos).

Três rondas depois, os comandados de Sérgio Conceição voltaram a vencer o Benfica, com tentos Sérgio Oliveira (10), Alex Telles (38, de penálti) e Vlachodimos (44, na própria baliza), para os locais, e de Vínícius (18 e 50), para os forasteiros.

Este encontro foi determinante nas contas do título para o ‘onze’ de Sérgio Conceição, pois, perdendo, o FC Porto ficaria, então, a 10 pontos do líder Benfica e, praticamente, sem hipóteses de chegar ao segundo cetro em três anos.

O pleno de triunfos dos ‘azuis e brancos’ valeu o título e foi selado no Dragão, a duas jornadas do fim, com tentos do ‘capitão’ Danilo, aos 64 minutos, e mais um de Marega, aos 90+1, que só não marcou na receção aos ‘encarnados’.

Na última ronda, o Benfica selou o ‘zero’ do Sporting, ao vencer em casa o conjunto comandado pelo seu ex-jogador Rúben Amorim, com tentos de Seferovic, aos 28 minutos, e Vinícius, que, aos 88, atirou os ‘leões’ - pelos quais marcou Sporar, aos 69 - para o quarto lugar e sagrou-se melhor marcador da prova, com 19 tentos.

Em matéria de pleno de triunfos, o FC Porto, de José Mourinho, logrou-o em 2002/03 com um 2-1 ao Benfica, nas Antas, e um 1-0 em Alvalade, na primeira volta, e um 1-0 na Luz e um 2-0 na receção ao Sporting, na segunda.

Muito antes, em 1971/72, o Benfica começou a ‘escrevê-lo’ nas Antas (3-1) e prosseguiu em Alvalade (3-0), para, em casa, ganhar ao FC Porto por 1-0 e ao Sporting por 2-1, tudo ‘apimentado’ com cinco golos de Eusébio.

O pleno de triunfos do Benfica estendeu-se à Taça de Portugal, já que o ‘onze’ de Jimmy Hagan goleou em casa o FC Porto nas ‘meias’, por um implacável 6-0, para, na final, no Jamor, bater o Sporting por 3-2, graças a um ‘hat-trick’ do ‘rei’.

Quanto ao FC Porto, ainda jogará o pleno de triunfos na época, face ao Benfica, na final da Taça de Portugal, em 01 de agosto, num ‘deserto’ Estádio Cidade de Coimbra em Coimbra.

No que respeita aos campeonatos em ‘branco’, não acontecia desde 1993/94, época em que o Sporting, comandado de início por Bobby Robson e depois por Carlos Queiroz, lutou pelo título até perder em casa com o Benfica por 6-3, na noite de João Pinto.

Antes, os ‘leões’ já tinham perdido em casa com o FC Porto por 1-0, ainda liderados pelo malogrado treinador inglês, e, já com Queiroz, perderam na Luz por 2-1, depois de estarem a vencer, e por 2-0 nas Antas, num jogo que acabaram com oito.

O anterior campeonato sem pontos dos ‘grandes’ também era do Sporting, em 1988/89, enquanto o FC Porto ficou em branco’ há mais tempo, em 1945/46 e 1969/70, e o Benfica apenas uma vez, no sexto campeonato, na ‘longínqua’ época 1939/40.

Benfica vence 'duelo' da década com títulos de 'vice'

O Benfica e o FC Porto dividiram entre si os 10 títulos disputados da I Liga de futebol na segunda década do século XXI (2010/11 a 2019/20), com os ‘encarnados’ a vencerem aos ‘pontos’, face aos segundos lugares.

Em 10 anos, os ‘encarnados’ ou foram campeões (2013/14 a 2016/17 e 2018/19) ou ‘vice’, enquanto os ‘azuis e brancos’ juntaram aos cinco cetros (2010/11 a 2012/13, 2017/18 e 2019/20) três segundos e dois terceiros.

Os ‘dragões’ também foram batidos em 2013/14 e 2015/16 pelo Sporting, o que, numa tabela pelas classificações (18 ou 16 pontos, consoante o número de equipas, para o primeiro até um para o último), coloca as ‘águias’ na frente (167 contra 165).

No total de pontos conquistados, o FC Porto prevalece, por um (784 contra 783), apesar de o Benfica ter mais duas vitórias (246 contra 244) e mais 51 golos marcados (762 contra 711), o que padroniza o seu futebol, mais de olhos no ataque, no espetáculo.

Incapaz de chegar a um título que lhe foge desde 201/02, o Sporting foi um distante terceiro, ao somar dois segundos lugares – com Leonardo Jardim, em 2013/14, e Jorge Jesus, em 2015/16 - cinco terceiros, dois quartos e um ‘medonho’ sétimo, em 2012/13.

Os ‘leões’ ficaram mais distantes dos dois da frente do que o quarto, o Sporting de Braga, o quarto, um incontestável ‘rei dos pequenos’ sem capacidade para entrar na luta pelo título, como no fecho da década anterior (segundo em 2009/10).

O Vitória de Guimarães surge em quinto, pela regularidade, pois nunca conseguiu chegar ao pódio, feito único, ‘descontando’ os ‘grandes’ e o Sporting de Braga, do Paços de Ferreira, que foi terceiro em 2012/13, sob o comando de Paulo Fonseca.

Destaque ainda muito especial para o quarto lugar do Estoril Praia, em 2013/14, pela mão de Marco Silva, e o quinto do Arouca, em 2015/16, com Lito Vidigal ao ‘leme’, dois feitos episódicos de dois clubes, entretanto, relegados para divisões inferiores.

Ao ‘top 5’ num dos 10 campeonatos da década chegaram ainda o Marítimo, de Pedro Martins, em 2011/12, e o Rio Ave, de Miguel Cardoso, em 2017/18, e de Carlos Carvalhal, em 2019/20.

Em matéria de presenças, foram oito os clubes que estiveram nas 10 edições: Benfica, FC Porto, Sporting, Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, Rio Ave, Marítimo e ainda o Vitória de Setúbal, que só fechou uma vez no ‘top 10’ – sétimo em 2013/14, com José Mota a começar e José Couceiro a fechar.

No total, foram 30 as equipas que atuaram na divisão principal na segunda década do século XXI, sendo que algumas ‘perderam-se’ por completo, ou quase, casos de Olhanense, Beira-Mar, União de Leiria ou Naval 1.º de Maio.

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