Em gravíssima crise financeira, há anos, o Vasco da Gama tem enfrentado dificuldades para se manter na primeira divisão nacional. No ano passado, Luxemburgo conseguiu um meio de tabela e foi aplaudido por isso. Este ano, Sá Pinto chega para ser o terceiro comandante da nau alvinegra. Antes dele, Abel Braga e Ramon passaram pelo cargo de treinador e viveram situações bem diferentes.

O ano começou com Abel Braga, treinador experiente e carismático, mas em baixa no mercado. Foi contratado sabendo que dificilmente receberia os salários em dia. Uma entrevista tornou-se viral pois falava exatamente isso. Durou pouco. 

Após a pandemia, o clube voltou com Ramon Menezes, ex-jogador do clube e novato na função. Ficou no comando da equipa durante 14 jornadas e chegou a ocupar as primeiras posições da tabela antes de uma sequência negativa colocar o Vasco para baixo e lhe custar o emprego. O Vasco ganhava jogos por ser extremamente eficiente, mas tinha uma performance difícil de se manter com o calendário apertado e plantel reduzido. O Vasco era uma equipa que precisava de menos finalizações para marcar, com eficiência maior do que o Flamengo campeão em 2019. E era a equipa com menor rácio de golos esperados por partida, estatística que mede a qualidade da criação de jogadas. Portanto, estava com uma performance acima do esperado e era improvável mantê-la durante o ano todo.

Ramon criou uma expectativa de performance impossível de ser mantida e muito superior ao real objetivo do clube neste ano, que deve ser a manutenção com uma possível luta para ficar no meio da tabela e beliscar uma vaga na Taça Sul Americana, a competição equivalente à Liga Europa. Por fazer parecer que era possível sonhar com mais, não resistiu ao choque de realidade e caiu. Mas não é possível sonhar com mais. A realidade do Vasco será lutar no meio da tabela alternando entre vitórias e derrotas.

Um grande problema é a situação financeira do clube. Por exemplo, o grupo de jogadores recebeu em agosto o valor referente aos salários de junho. Portanto há quase 4 meses de salários atrasados. Não há dinheiro para contratar como Jesus teve no Flamengo. Vai ter de se virar com um plantel curto e repleto de jovens. No entanto, há algum talento para trabalhar.

Talles Magno
créditos: AIZAR RALDES / AFP

Se Sá Pinto gosta de jogar com intensidade e procurar velocidade nas laterais, terá bons jovens à sua disposição e o mais famoso deles é Talles Magno, jogador da seleção sub-20. Talles foi um dos destaques do último Campeonato mas caiu em termos de produção em 2020. A sua recuperação é fundamental para o futuro do Vasco na competição. Além dele, Castán na defesa, Benítez no meio campo e Cano no ataque foram peças fundamentais do bom desempenho das primeiras jornadas.

Com eles, é possível montar uma equipa para jogar de forma mais direta, em velocidade, aproveitando, muitas vezes, os erros dos adversários (que neste campeonato acontecem muito) para matar as partidas. O estilo pode casar com o estilo de Sá Pinto, mas não há espaço para milagres. Aliás, Sá Pinto tem um historial como treinador de clubes médios e é isso que o Vasco pode almejar nesta época, um lugar tranquilo no meio da tabela.

Alternando bons e maus trabalhos, o português já mostrou repertório e conhecimento como treinador. No atual deserto de ideias do Brasileirão pode destacar-se. Se souber bem o que vai encontrar e se estiver preparado para essas dificuldades (financeiramente, calendário, plantel, etc.) que não encontrava, por exemplo, em Braga, pode ter um futuro interessante pela frente.

O adepto pode até sonhar com voos maiores ao ver mais um treinador português chegar ao Rio. Mas o Vasco não é o Flamengo e Sá Pinto não é JJ. Se ambos souberem ter paciência e ajustar as suas expectativas, pode ser bom para os dois.

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