Antes de falarmos sobre se esta foi, ou não, a melhor decisão de Thomas Tuchel para continuar a sua carreira como treinador, olhemos às suas próprias palavras em 2017.

"Todos os clubes têm uma filosofia. Há certos clubes, como Ajax, Arsenal, Barcelona, AC Milan, que gostam de um futebol estético: não envolve apenas ganhar, envolve como jogar e como ganhar. Outros, como Chelsea, ou Atlético de Madrid, têm uma filosofia de ganhar a qualquer custo. Cada clube tem o seu carisma, a sua alma (…). A minha filosofia é estética: estética significa mais controlo da bola, do ritmo, atacar em todos os minutos e tentar marcar o maior número de golos possíveis."

Mas como estamos em 2021 e as opiniões mudam, Tuchel veio para o Chelsea — e a sua relação com Roman Abramovich terá mais contornos que apenas a forma de jogar. Em defesa de Abramovich, a estética é importante para si, e as tentativas de contratar treinadores que coloquem uma equipa no relvado que não só ganhe, como entretenha os adeptos, têm sido evidentes. Contudo, para o russo, os resultados ganham por margem larga a qualquer estética futebolista. Seja o treinador quem for, este tem normalmente um prazo de 18 a 24 meses para trazer troféus. Caso não consiga, virá outro para o seu lugar.

Os desaguisados de Tuchel

Como referido, o alemão tem uma personalidade, no mínimo, vincada. Vejamos alguns do desaguisados do treinador pelos clubes em que passou e que, de uma forma ou de outra, ajudaram à saída do treinador dos mesmos.

  • FSV Mainz 05

Relatos de que o treinador exigia tanto dos jogadores que diversos elementos do plantel foram citados a dizer que não aguentavam mais. Queixas de que o treinador não só não perdoava algumas das atitudes dos jogadores como guardava rancor pessoal contra alguns deles. Heinz Muller, um dos guarda-redes do clube na altura a jogar pela equipa de reservas, disse então que o treinador era um "ditador". Em defesa de Tuchel, este passou cinco anos no comando técnico da equipa, o que poderá trazer um desgaste natural para todos os envolvidos.

Além da fricção com alguns jogadores, a discórdia com elementos da direção em relação a exigências para fundos de transferências de jogadores acabou por levar o treinador a pedir a demissão em 2014.

  • Borussia Dortmund

No Dortmund os conflitos continuaram. Não tanto com os jogadores, mas novamente com elementos da direção. A gota de água seria Tuchel ter dito que teria sido forçado a jogar a partida para a Liga dos Campeões em casa frente ao Monaco, em 2017, apenas 24h após o ataque terrorista ao autocarro do Dortmund. O clube terá dito que Tuchel teria acordado jogar e a rutura seria inevitável a partir desse momento.

Mesmo vencendo a final da taça alemã, conquistando o único troféu do Dortmund em cinco anos, o treinador seria despedido três dias depois de a vencer. Pelo meio, muita fricção, incluindo uma mensagem sobre um dos diretores, quem Tuchel acabara por enviar, por engano, para esse mesmo diretor.

  • PSG

Mais um clube, mais problemas. Desta feita com o diretor desportivo do PSG. Com uma relação pouco amigável e com rumores de que o antigo internacional brasileiro teria tentado influenciar os métodos de Tuchel, incluindo os onzes a utilizar. Tudo afirmações então desmentidas por Leonardo. Despedido Tuchel na véspera de natal, os dirigentes do PSG decidiram que, passada apenas uma temporada e meia e mais algumas polémicas com os jogadores, já não havia mais espaço para o treinador alemão à frente do comando técnico dos campeões franceses. Thiago Silva, treinado por Tuchel no PSG — e agora uma das principais figuras do Chelsea — disse, na altura, que o despedimento de Tuchel era inevitável e que algumas coisas tinham que mudar no PSG. O que deixa antever novamente uma rutura entre Tuchel e alguns jogadores.

Para o bem, desenhando um futebol de sonho e jogos taticamente perfeitos, ou para o mal, entrando em conflitos internos e não atingido os resultados exigidos por Abramovich, Thomas Tuchel irá com toda a certeza animar uma Premier League que dificilmente poderá ser mais animada.

Para terminar, recorremos mais uma vez às palavras do próprio Tuchel, quando este diz, ainda em 2017, sobre a possibilidade de treinar um clube com uma filosofia de ganhar a todo o custo.

"Tenho que ser honesto comigo mesmo e perguntar-me se sou a pessoa indicada, com o caracter certo e a abordagem correta para esse clube de forma a fazer as pessoas felizes. Ou se o clube vai tanto contra a minha filosofia, que é melhor dizer: Meus senhores, acho que não nos vamos dar bem. Contudo, o clube deve sempre saber o que representa."

Premier League | 21.ª Jornada

Sábado, 30 de janeiro

12:30 | Everton v Newcastle

15:00 | Crystal Palace v Wolves

15:00 | Man City v Sheffield Utd

15:00 | WBA v Fulham

17:30 | Arsenal v Man Utd

20:00 | Southampton v Aston Villa

Domingo, 31 de janeiro

12:00 | Chelsea v Burnley

14:00 | Leicester v Leeds

16:30 | West Ham v Liverpool

19:15 | Brighton v Spurs

Será que Roman Abramovich, após tantos anos de experiência saberá qual a sua filosofia e o que representa o Chelsea? 

Esta semana na Premier League

Nove! Nove é o número de equipas que já lideraram a Premier League esta temporada, aquando da liderança do Manchester City a meio da semana. Se dúvidas houvesse de que esta era a mais louca edição da liga inglesa, estarão agora desfeitas.

Com o revigorado Manchester City a tomar as rédeas da Premier League, o destaque do fim-de-semana irá para o Arsenal que vem de cinco vitórias em seis partidas frente ao Manchester United — que já não perdia desde dia 1 de novembro de 2020 e que sucumbiu aos pés do último classificado Sheffield United durante a semana que passou.

Para a jornada que decorrerá durante a semana, jogos como Wolves v Arsenal, United v Southampton, Leeds v Everton e Aston Villa v West Ham serão os grandes destaques, contudo, o Tottenham v Chelsea de quinta-feira promete mais do que todos os outros. Uma semana, dois jogos de Tuchel e uma reacção do Tottenham de José Mourinho (que tem a habilidade, mas falta-lhe ainda a consistência) serão motivos mais do que suficientes para ficarmos colados ao ecrã.

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