É um ditado conhecido: não voltes onde já foste feliz. Uns vivem sob esta regra e conseguem resistir à felicidade que nos quer devolver aquela pessoa ou aquele lugar onde fomos felizes, são pessoas com uma capacidade fabulosa de definir o tempo. Depois existem outras que não resistem, que veem ali uma forma de alavancar a sua felicidade ou a ajudar a sair do poço aquele que outrora as fez feliz, são pessoas para quem os períodos de tempo podem ser facilmente corrompidos pelos laços afetivos que ficam do passado.

Zinedine Zidane não é nenhuma das pessoas acima mencionadas. É uma pessoa que negoceia a felicidade, o afeto e, por isso, o tempo. Soube fazê-lo nos dois anos e meio em que liderou o Real Madrid e conquistou três Ligas dos Campeões, assim como no momento da saída. Agora, com uma auréola de São Sebastião, não foi diferente.

O retorno dos "filhos pródigos": As histórias de oito treinadores que voltaram aos antigos clubes
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A imprensa desportiva espanhola acordou em polvorosa, contaminada pelo regresso de Zinedine Zidane ao banco do Real Madrid numa altura em que, a três meses do final da temporada, não há nada que o clube madrileno possa vencer.

O timing pode parecer estranho, mas é mais um movimento de estratégia do que outra coisa. Sem a hipótese de levantar troféus esta época, o que a direção do Real Madrid pretende é que até maio, Zizou consiga dar paz e estabilidade ao balneário para que, no verão, a pré-época possa ser preparada com dossiers como o de Isco, Marcelo e Gareth Bale - casos de jogadores mais influentes em divergência com Solari - resolvidos.

Segundo o desportivo AS, o “sim” de Zidane não foi fácil e envolveu duas grandes promessas. A primeira são reforços capazes de voltar a elevar o plantel ao topo competitivo e depois poder absoluto na área desportiva.

O mesmo jornal diz que ao treinador tricampeão europeu pelos blancos foram prometidas três ‘super contratações’, como aconteceu no passado, num momento da história em que chegaram ao clube nomes como Cristiano Ronaldo, Kaká e Benzema. Para já, é noticiado no Brasil, que Zidane exige que Marcelo fique numa altura em que se diz que o lateral pode estar a caminho da Juventus. Em relação ao poder absoluto, terá sido garantido a Zizou que nenhuma decisão sobre a equipa principal será tomada sem o aval do francês, pelo que qualquer decisão de Zidane contará com o apoio do presidente.

A imprensa desportiva diz ainda que o timoneiro exigiu um salário ao nível de Pep Guardiola e Simeone, relembrando que nos dois anos e meio em que liderou o Real Madrid o francês não integrava sequer o top 10 dos técnicos mais bem pagos do mundo.

O desportivo Marca sublinha ainda que Javi Coll deve regressar à primeira equipa para trabalhar ao lado de Zidane. No entanto, diz o jornal, isto não quer dizer que a receita para o sucesso venha a ser a mesma, pelo contrário. Zidane quer mudanças, reinventar a forma de jogar, isto depois de o próprio ter aproveitado estes nove meses, o período desde que se demitiu do cargo de treinador dos blancos, para descansar, libertar-se de pressões e criar novas estratégias para enfrentar o mesmo desafio, mas agora com responsabilidades acrescidas.

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