Bem, chegámos àquela altura do ano. Janeiro é sinónimo de mercado de transferências, mas não só. Com a entrada de um novo ano, há sempre jogadores que entram na fase final dos seus contratos, o que significa que, segundo a Lei Bosman, podem assinar por outro clube.

O número de casos neste ano chega para fazer uma equipa competitiva. Ok, quase. Sejamos honestos: este onze, apesar de ser repleto de qualidade, não teria cabimento na realidade, mais não seja porque a posição de guarda-redes continua a ser essencial para o futebol e nesta janela de transferências não há nenhum guardião digno de registo cujo contrato esteja a acabar (não, nem Joe Hart).

Note-se que estes jogadores não estão limitados até ao final do dia de hoje para assinar por outros clubes, podendo fazê-lo quando quiserem de agora em diante. Mas interessa manter olho sobre eles já que, caso não renovem, os seus clubes aí sim só terão até à meia-noite para transferi-los e minimizar as perdas.

A título de exemplo, veja-se uma das grandes novelas deste defeso de inverno, Christian Eriksen, sendo que o médio dinamarquês também estava em final de contrato e recusou-se a renovar, não deixando ao Tottenham outra opção senão vendê-lo a preço de saldo (20 milhões de euros) ao Inter de Milão.

Thomas Meunier, Layvin Kurzawa (Paris Saint-Germain)

Abram alas para o PSG, ou melhor, abram-se as alas do PSG. Tanto no lado direito como no lado esquerdo da defesa dos parisienses encontram-se dois jogadores cujo contrato acaba no verão.

Parte das equipas que têm dominado o campeonato francês nos últimos anos, Laywin Kurzawa (no lado esquerdo) e Thomas Meunier (à direita) parecem mesmo estar de saída de Paris, sendo apenas uma questão de tempo se abandonam já a capital francesa ou se fazem as malas daqui a seis meses.

Kurzawa, entendido como uma das maiores promessas do futebol francês desde os seus tempos no Mónaco, nunca atingiu o que o seu potencial prometia, apesar do rol de títulos no seu currículo ao serviço dos parisienses. Já Meunier nunca foi dono da sua posição desde que foi contratado ao Club Brugge em 2016, sendo que as prestações do internacional belga têm decaído e vários erros defensivos começaram a apagar a boa fé dos adeptos parisienses.

Com as escolhas de Thomas Tuchel pautando-se pela fluidez, nenhum dos dois têm sido titulares imprescindíveis esta época, sendo o francês uma segunda escolha atrás de Juan Bernat e tendo o belga a concorrência dos jovens Thilo Kehrer e Colin Dagba.

Estando o clube a adiar a sua renovação de contrato, Meunier — que até esteve para sair para o Everton no verão passado — tem sido ligado principalmente ao Manchester United, que deixou Ashley Young sair para o Inter de Milão e precisa de um jogador para rodar com Aaron Wan-Bissaka (o Bayern de Munique esteve também na corrida pelo belga, mas optou por Álvaro Odriozola).

Já Kurzawa, esteve mesmo com um pé fora do PSG, tendo sido dada como certa a sua troca por Mattia De Sciglio, da Juventus. No entanto, face à razia de lesões que tem afetado a Velha Senhora e à polivalência do italiano (joga em ambas as alas e desenrasca-se no eixo central), o negócio acabou por cair por terra. Ainda assim, Kurzawa pode ser do interesse do Tottenham e do Arsenal, que tem vários dos seus laterais lesionados.

Jan Vertonghen

Christian Eriksen, Toby Alderweireld e Jan Vertonghen. O que é que estes três jogadores têm em comum? Não só o facto dos três terem sido formados e campeões pelo Ajax, como também por se terem tornado figuras de proa no Tottenham.

No entanto, há algo mais que une estes jogadores: as suas situações de contrato nos Spurs desembocaram em novelas, se bem que com desfechos bem distintos. Se Alderweireld esteve para sair mas assinou um contrato no verão, Eriksen manteve firme a sua vontade de jogar noutro clube e, estando a entrar nos últimos seis meses de ligação ao Tottenham, forçou a saída.

Jan Vertonghen, a entrar em fim de contrato, pode escolher um destes dois percursos: ou imita o seu compatriota e colega no centro da defesa ao estender a sua ligação aos Spurs, ou segue o caminho do médio dinamarquês, o que pode implicar sair já por um valor “simpático” ou assinar com outro clube e sair só no verão.

Pressionado recentemente pelos jornalistas quanto a esta questão, Vertonghen nada disse, sendo que Mourinho já fez saber que conta com o belga e instou-o a renovar contrato — todavia, o treinador fez o mesmo apelo a Eriksen e sabe-se qual foi o fim dessa empreitada. No entanto, defesa central disse anteriormente que a sua vontade era a de continuar.

Certo é que, aos 32 anos, Vertonghen continua a ser uma presença habitual no 11 e é, a par de Hugo Lloris, um dos atuais símbolos do clube. As opiniões quanto à sua permanência dividem-se: o belga está em declínio físico, especialmente tendo em conta o árduo calendário da Premier League, mas é também um líder de balneário e Mourinho é apreciador de jogadores experientes.

Enquanto não se avança com decisões, o Nápoles e o Ajax vão acenando.

Thiago Silva

Pode um clube deixar sair o seu capitão, sem mais nem menos? Sim, a história é pródiga nesses exemplos — basta pensar que Aaron Ramsey envergou a braçadeira no Arsenal mas saiu no ano passado a custo zero para a Juventus.

Mas isso é quando é o jogador a querer sair. Bem mais raro, porém, é desejar ficar mas o clube não ter esse mesmo interesse. A mais recente vítima desse impiedoso desencontro é Thiago Silva, defesa central do Paris Saint-Germain (sim, os franceses novamente, começa a criar-se aqui um padrão).

Ao que tudo indica, o defesa-central brasileiro tem tudo o interesse em permanecer no clube parisiense, mas a direção tem mantido um silêncio desconfortável.

“O PSG ainda não entrou em contacto com o Thiago. Ele quer ficar, mas há limites”, disse o seu agente, Paulo Tonietto, à imprensa, avisando que os dois não podem “ficar à espera para sempre” e, inclusive, que o defesa já obteve contactos de vários clubes brasileiros e europeus.

O tratamento a que Thiago Silva tem sido sujeito é tanto mais bizarro se tivermos em consideração que o defesa central é, lá está, o capitão de equipa e que tem sido um dos símbolos do clube desde que este entrou na sua fase milionária.

Aliás, o PSG bem que negociou com o AC Milan, onde Thiago Silva jogava, para trazer o brasileiro para Paris, protagonizando uma das novelas do verão de 2011. O defesa acabou mesmo por vir, ladeado por jogadores como David Beckham e Zlatan Ibrahimovic. Contudo, ao contrário destes dois, Silva ainda joga pelos parisienses e continua a ser titular, figurando em 19 de 21 partidas desta edição da Ligue One.

É verdade que, fazendo 36 anos, Thiago Silva está longe do seu apogeu, e não é que o PSG esteja órfão de talento na sua posição, já que o clube tem à sua disposição Marquinhos, Kimpembe e Diallo. Ainda assim, a confirmar-se a sua saída, será um triste fim dessa história.

Nemanja Matić

Passando para terrenos mais avançados no campo, figura neste onze um velho conhecido dos adeptos portugueses. Resgatado pelo Benfica do buraco negro que é a política de empréstimos que o Chelsea famosamente tem para os seus jogadores, Nemanja Matić deu-se finalmente a conhecer ao futebol europeu pelos encarnados, afirmando-se como um médio defensivo portentoso mas inteligente.

Foram precisos três anos na Luz para os londrinos contratarem o sérvio de novo, sendo que, pelo Chelsea, Matic venceu dois títulos da Premier League, um deles sob a égide de José Mourinho. Fã das suas capacidades, o português trouxe-o para Manchester, mas o período no norte de Inglaterra não tem sido tão pródigo em conquistas.

Apesar da sua regularidade nos Red Devils nas últimas duas épocas, Matic tem sido apenas mais dos jogadores de talento que, juntos, não fazem uma equipa vencedora para o Manchester United.

Já sob o comando de Solskjaer, o sérvio começou esta época como uma opção de segunda linha, atrás de Scott McTominay, Paul Pogba ou Fred, tendo sido titular em apenas 15 partidas (em todas as competições). No entanto, o futebol é pródigo em variáveis, e as lesões dos primeiros dois nomes anunciados trouxeram Matic de volta ao onze, e o sérvio até tem cumprido.

No entanto, a chegada de Bruno Fernandes significa que a concorrência para o meio-campo volta a apertar, e os jogadores lesionados recuperarão mais tarde ou mais cedo. Quererá o sérvio correr o risco de voltar a ser apenas uma opção de recurso? Sim, conforme tem noticiado a imprensa britânica. Isso não quer, contudo, dizer que o Manchester United nutra do mesmo interesse.

Por isso mesmo, Matic também já disse que, se não ficar, paciência. Os “zunzuns” inicialmente deram conta do interesse do Chicago Fire, emblema da Major Soccer League, no sérvio, mas esse desvaneceu-se. No entanto, também surgiu a hipótese do médio poder enfileirar o Atlético de Madrid. 

Blaise Matuidi

Existe um chavão no mundo do futebol que é a menção das “boas dores de cabeça”. Esta expressão é usada para indicar quando um treinador tem tantas opções à disposição que tem de fazer escolhas difíceis.

O que essa frase esconde é que a dor de cabeça só é invariavelmente “boa” para o treinador: para um jogador, pode ser óptima, ou terrível. A Juventus de 2020 é assim. Maurizio Sarri tem à disposição uma variedade luxuosa de centro-campistas, mas apenas três podem figurar na sua tática preferida.

O congestionamento no meio-campo da Velha Senhora agravou-se particularmente depois de Aaron Ramsey e Adrien Rabiot ambos terem chegado a custo zero no verão. Com essas vindas, Blaise Matuidi foi um dos candidatos à saída.

Sendo um dos elementos mais velhos do meio-campo e temendo-se que não seria uma escolha óbvia para o estilo de jogo pelo qual Sarri se popularizou, Matuidi chegou a ser equacionado junto do Mónaco.

Ainda assim, o campeão do Mundo pela França preferiu ficar a e a aposta até parece ter sido certeira: apesar dos temores, o francês é mesmo o médio com mais tempo de jogo pelos bianconeri esta época.

No entanto, o seu contrato está a acabar e permanece a indefinição. As notícias das sua suposta renovação já se arrastam desde setembro e não parece terem havido avanços significativos.

Se por um lado, o assédio dos clubes europeus até tem incidido no seu colega Emre Can e não em si, por outro, Matuidi sabe que no próximo ano chega mais um (!) médio ao clube, desta feita Dejan Kulusevski, que foi comprado neste mercado de inverno mas imediatamente emprestado ao Parma.

Mario Götze

E passando de um campeão do Mundo para outro, terá havido maior queda que a de Mario Götze? (Na verdade, sim, a de Kevin Großkreutz, que passou de jogar pelo Borussia Dortmund para agora estar num clube da terceira divisão alemã. Mas adiante).

Ao marcador do golo que fez da Alemanha campeã do mundo em 2014 era prometido o mundo, tal qual aquele que figura no troféu que arrancou das mãos da Argentina. No entanto, seis anos volvidos, a Götze apenas foram dadas sucessivas frustrações.

Protagonizando uma transferência chocante do Borussia Dortmund para o Bayern Munique em 2013, o médio ofensivo viveu anos de sucesso na Bavária, mas onde nunca se impôs como um talento, antes sendo mais uma peça funcional de uma máquina bem oleada. Ao fim de três anos, Götze declarou o arrependimento por ter deixado o seu emblema de formação e voltou a vestir de amarelo.

No entanto, diz-se se que nunca se deve voltar aonde se foi feliz, e o ditado serve como uma luva a Götze. Mesmo de volta ao Dortmund, o médio não voltou aos píncaros que caracterizaram a sua primeira passagem (nem o clube, diga-se), e, para agravar as coisas, foi lhe diagnosticada uma condição metabólica chamada miopatia em 2017.

Toda esta jornada parece dar a entender que Götze é um jogador que entrou na veterania e ao qual só resta arrepender-se das suas escolhas. Mas o alemão na verdade tem ainda 27 anos e pode entrar numa renascença de carreira.

Uma coisa é certa: esta ocorrerá longe de Dortmund, já que foi oferecida a renovação a Götze, mas o médio exprimiu a intenção de deixar o contrato chegar até ao fim para procurar outras alternativas.

Willian e Pedro (Chelsea)

Se o PSG corre o risco de perder dois jogadores nas suas alas defensivas, o Chelsea habilita-se a situação semelhante no seu setor mais ofensivo.

Willian, de 31 anos, e Pedro, de 32, são dois jogadores que se distinguem do manancial de juventude que é o Chelsea de Frank Lampard. No entanto, apesar de ambos estarem em situação semelhante de final de contrato, as suas histórias são distintas e a sua época 2019/20 também.

Enquanto que Willian fez o seu percurso rumo ao Chelsea por terras de leste — primeiro no Shakhtar Donetsk, depois no Anzhi —, Pedro entrou pela porta grande ao vir de uma equipa imortal do Barcelona. 

Como tal, se o brasileiro apenas construiu o grosso do seu palmarés ao serviço dos Blues, o espanhol veio já para Londres como um homem que tinha ganho praticamente tudo o que havia para ganhar (ser titular no Barcelona de Guardiola e figurar na seleção espanhola de Del Bosque tem dessas vantagens).

Na equipa de Frank Lampard, ambos têm a experiência e o talento para liderar um conjunto de jovens jogadores. Porém, se Willian tem mantido uma presença contínua no onze do Chelsea esta época, Pedro tem sido relegado para o banco e para a bancada, ficando atrás de Callum Hudson-Odoi, Mason Mount e Christian Pulisic.

Como tal, o mais provável é ser o espanhol a sair — os rumores mais recentes ligam-no à Roma de Paulo Fonseca e aos japoneses do Vissel Kobe —, mas Willian também não se livra de voltar a ser cogitado junto do Barcelona, que mantém este assédio há algum tempo. Neste segundo caso, todavia, Lampard já disse uma e outra vez que conta com o brasileiro.

Dries Mertens

A história do Nápoles no século XXI é a história de uma fénix reerguida. Apesar do campeonato italiano continuar a escapar ao clube do sul, é inegável que, sob a batuta do presidente Aurelio De Laurentiis, os napolitanos voltaram ao topo do futebol europeu, sendo uma presença recorrente na Liga dos Campeões.

A alicerçar esse projeto estiveram vários jogadores que hoje são encarados como símbolos modernos do clube: Hamsik, Jorginho, Cavani, Insigne e Dries Mertens. Destes todos, apenas os dois últimos permanecem em Itália. Mas essa pode ser uma situação a mudar.

Presença contínua no onze do Nápoles desde que foi contratado ao PSV em 2013, Dries Mertens afirmou-se como um avançado/extremo de craveira, tendo as suas épocas de bom nível no clube o motivo para se tornar internacional pela Bélgica.

No entanto, todos os projetos chegam ao fim, e a atual época do clube tem sido desastrosa. Parte do problema está na relação entre De Laurentiis e os jogadores, desembocando o conflito num processo disciplinar em novembro do ano passado, motivado pela recusa da equipa de permanecer sob castigo num campo de treinos depois de vários maus resultados.

A comandar a atitude rebelde da equipa terão estado os jogadores de “velha guarda” da equipa, incluindo Mertens. A situação já terá sido razoavelmente sanada entretanto — visto que De Laurentiis até ofereceu extensões de contrato a alguns dos jogadores — mas o belga parece estar mesmo de saída.

À imprensa, Mertens optou por deixar as coisas vagas, dizendo não saber onde vai “jogar na próxima temporada” e dizendo-se numa “posição de não negar nada”. Ora tais declarações foram o suficiente para deixar vários clubes alerta, com o Chelsea à cabeça.

Tendo apenas Tammy Abraham como opção viável — Giroud é carta fora do baralho — os Blues têm apertado o cerco ao Nápoles, sendo esta uma das novelas do mercado. Menos provável é a ida de Mertens para um emblema da Serie A, já que De Laurentiis disse que o belga tem uma cláusula no contrato que o impede de ir para outro clube italiano

Edinson Cavani (Paris Saint-Germain)

Há jogadores que merecem tanta compaixão quanto é possível partilhar com um atleta a jogar num dos maiores clubes do mundo. Nesse exclusivo grupo entra Edinson Cavani. Depois de afirmar-se goleador nato nas equipas do Nápoles acima mencionadas, o uruguaio foi contratado pelo PSG em 2013 para dar o élan necessário aos franceses

Mas Cavani nunca recebeu o destaque merecido: quando chegou a Paris, teve de dividir os préstimos na frente e ataque com esse farol de carisma (e golos) chamado Zlatan Ibrahimovic, e quando o sueco foi para Manchester, pouco depois chegou um certo Neymar, com quem é sabido não ter a melhor das relações. Sem surpresas, foi quando foi o atacante solitário de referência, em 2016/17, que teve a sua melhor época de sempre: 49 golos em 50 jogo.

Numa era de Messis, Ronaldos e Lewandowskis, é fácil esquecermo-nos de que há uma década que Cavani não marca menos de 20 golos por época, quer no Nápoles, quer no PSG. 

Mas a luz do uruguaio parece brilhar cada vez menos na capital luminosa.Com apenas 14 jogos esta temporada, os augúrios não são os melhores para Cavani, flagelado por lesões e minorizado perante o brilhantismo de Neymar e a explosão de Mbappe.

É cada vez mais aparente que Cavani não irá renovar com PSG, mas é o passo em frente que tem gerado cada vez mais especulação. Inicialmente, grande parte dos rumores davam conta de que o Atlético de Madrid iria impor-se, ao pagar 15 milhões pelo uruguaio. A oferta, contudo, parece ter sido rejeitada.

Resta o rodopio de suposições e relatos de que Cavani irá para os clubes ingleses a precisar de um ponta de lança de raiz — Manchester United, Chelsea e Tottenham — sendo, que alguns meios avançam para uma compra relâmpago ainda hoje, enquanto outros indicam que os arranjos estão a ser guardados para o verão.

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