Era janeiro de 2015 e Dudu tinha feito uma boa época no Grêmio, no Brasileirão do ano anterior. O jovem jogador, que tinha partido cedo para o futebol do leste europeu, voltava a ter uma hipótese de recuperar o lugar debaixo dos holofotes após fracassar na adaptação à gélida Kiev.

O Palmeiras tinha superado a concorrência dos rivais paulistas na disputa pelo avançado. Foi uma “jogada de mestre”, segundo os dirigentes responsáveis pela sua compra. Roubaram um reforço aos adversários diretos e contrataram o jogador mais cobiçado daquela janela de transferências.

Dudu surgiu na mesma geração de Neymar, Lucas e companhia, tendo disputado o Mundial sub-20 de 2011, mas nunca foi considerado no mesmo patamar desta dupla, fazendo parte de um segundo escalão muito promissor. No esvaziado futebol brasileiro, que vende os seus maiores talentos para fora, em 2015, aos 23 anos, Dudu era uma excelente contratação.

Veio com a missão de assumir o protagonismo num Palmeiras que renascia após muitas dificuldades financeiras e visitas à Série B. Chegou ao mesmo tempo que Zé Roberto e outros oito jogadores contratados após a chegada do endinheirado Paulo Nobre ao poder. Dudu, ao escolher o Palmeiras em relação aos rivais do estado, foi um grito de orgulho do combalido torcedor palmeirense.

O seu estilo marrento, provocador, dentro e fora de campo, casou perfeitamente com a reconstrução da confiança do clube. Dudu nunca fugiu à responsabilidade e sempre enfrentou, de frente, os defensores e os desafios de cada época. Em cinco anos de clube foi sempre protagonista.

Na hora em que se precisava de alguém para resolver, era para Dudu que a bola ia. E ele resolveu. Foram 305 jogos, 70 golos, 76 assistências e três títulos nacionais (uma Copa do Brasil e dois Brasileirões). O torcedor sentia-se honrado com a entrega em campo de um jogador que corria e lutava o jogo todo.

Nunca foi unânime. As atitudes polémicas atraíram sempre confusões por onde passava. Fundamental para decidir jogos e campeonatos, Dudu passou também por momentos de desinteresse em jogos menores ou quando se sentia insatisfeito fora de campo. A admiração do palmeirense nunca chegou a ser partilhada pelos rivais.

Talvez até por isso Dudu nunca chegou a ter hipóteses reais na seleção. Tite e os seus antecessores nunca o consideraram uma alternativa real para o ataque canarinho e nem mesmo os media fizeram uma grande campanha pela sua convocatória.

O Palmeiras resistiu ao assédio de clubes chineses e árabes para ter o seu protótipo ídolo em campo durante mais tempo. Conseguiu, até não querer mais. A sua saída para fora, agora, é acelerada por problemas pessoais com a ex-mulher que o acusa de a ter agredido. O jogador viu uma oportunidade de sair do turbilhão e enriquecer, enquanto o clube considerou que não valia mais o esforço de mantê-lo.

Entre torcedores, dividem-se as opiniões sobre quem o manteria, mas não há dúvida quanto ao seu papel na história do clube. O decorrer do tempo fará dele o principal jogador da reconstrução do Palmeiras. A sua saída melancólica, pela porta dos fundos, apressada e confusa a meio da pandemia, deixará a sensação de que faltou algo. Chegou como um sopro de confiança e sairá à francesa. Mas o torcedor sentirá a sua falta.

Dudu vai assinar pelo Al Duhail.

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