À vigésima jornada, ainda com outras catorze por disputar, estava em jogo o futuro do campeonato. Do topo da liga, para sermos mais precisos. É que, antes do apito inicial, o SL Benfica tinha sete pontos de distância do FC Porto, segundo classificado, e caso os encarnados vencessem, o título estava ali ao virar da esquina.

De um lado, a equipa de Bruno Lage: um primeiro classificado, com uma distância larga dos adversários diretos, que na época passada venceu aqui no Estádio do Dragão (1-2) e que este ano só perdeu um jogo na liga. Do outro lado, a única equipa que os conseguiu parar.

Este jogo era o jogo da vida de Sérgio Conceição, deste FC Porto que conseguiu interromper o domínio encarnado, concretizado em quatro campeonato consecutivos,  no último ano se foi abaixo e que esta temporada tem falhado em afirmar-se. Os dragões precisavam de ganhar para manter viva a luta pelo título, para afastar a derrota na final da Taça da Liga, o empate com o Académico de Viseu, a desunião proclamada pelo treinador que há uns dias colocou o lugar à disposição.

Este Clássico era um teste de vida ao Porto - ao mesmo tempo que foi um take 2 para o pesadelo de Bruno Lage.

Os azuis e brancos entraram no jogo com tudo, como se a vida do clube dependesse disso. Entraram e pressionaram. O Benfica tentava jogar, Lage gritava, gesticulava, mas os encarnados não conseguiam sair da sua zona defensiva. A entrada forte do Porto traduziu-se em golo em poucos minutos, depois de um cabeceamento de Pepe ao lado ter anunciado o que aí vinha. Minuto 10, Otávio dribla Grimaldo sobre a linha de fundo, cruza, Luis Díaz falha a bicicleta, mas Sérgio Oliveira num remate em jeito, rasteiro, atira junto ao poste da baliza de Vlachodimos e inaugura o marcador.

Os fracos sinais vitais do Benfica só se manifestariam na primeira parte quando Rafa conseguia ter bola perto da área dos dragões, o que era raro. Mas numa das vezes, aos 18 minutos, cruzou, Chiquinho respondeu com um cabeceamento em balão, daqueles com carimbo de traiçoeiro, Marchesín defendeu, mas a bola ficou caída ali a pouca distância da linha de golo e Carlos Vinícius não se fez rogado, empurrou o esférico para a baliza e o colocou seu nome para o topo da lista de melhores marcadores do campeonato.

O empate era enganador e não fazia justiça ao que se assistia no relvado. O Porto, um pouco à semelhança daquilo que fez no Estádio da Luz na primeira volta do campeonato, mostrava que sabia anular os encarnados com Alex Telles a desempenhar um dos papéis principais ao travar as iniciativas de Pizzi e Rafa, que iam alternando de lado.

Quando duas equipas têm duas filosofias de jogo idênticas - assentes na posse e em transições ofensivas rápidas - se encontram, das duas uma: ou encaixam ou desencaixam. Conceição pegou nas notas da vitória que realizou no Estádio da Luz e desencaixou, enquanto Lage tentava encaixar a sua equipa na sua própria filosofia.

O segundo tento na longa metragem de 90 minutos, cuja sinopse é qualquer coisa como "este Benfica não é invencível", aconteceu de grande penalidade, assinalada depois de uma bola, num canto, ter desviado no braço de Ferro. Telles, que já estava a ser um dos protagonistas do jogo, agarrou no papel principal  e numa bela execução fez o golo da marca dos onze metros.

Aos 44 minutos, um cruzamento de Marega foi interceptado por Rúben Dias que fazia um autogolo e dava justiça ao resultado. 3-1, antes do intervalo com um Porto a mostrar que, afinal de contas, ao virar da esquina não estava (já) o título.

A segunda parte trouxe um jogo mais animado, com o Benfica a não querer dar três pontos na luta pelo título assim de bandeja. O bis de Carlos Vinicius foi isso mesmo, mas foi muito insuficiente. Os segundos 45 minutos trouxeram apenas uma sequência de novas oportunidades de golo para os pupilos de Conceição, com destaque para os remates de Sérgio Oliveira e Luis Díaz a estarem mais próximos do golo. Do lado dos encarnados, Chiquinho esteve perto do empate.

Enquanto o SL Benfica nunca conseguiu produzir momentos que merecessem a nomeação para um festival de cinema conceituado, Sérgio Conceição conseguiu uma adaptação quase perfeita da vitória diante dos encarnados na primeira volta da liga. Só não foi perfeita porque viu a sua equipa sofrer dois golos, mas afinal de contas, sabemos que o segundo filme da sequela fica quase sempre aquém do primeiro.

Com isto, os dragões recuperam três pontos às águias e ficam a quatro do topo do campeonato, sendo que levam um joker importante no bolso: a vantagem em confronto direto. Chegámos ao Estádio do Dragão da eminência de ver o campeonato ser entregue e acabámos a prolongá-lo: longa vida à Liga NOS!

créditos: EPA/MANUEL FERNANDO ARAUJO

Bitaites e postas de pescada (versão Óscares)

Melhor ator principal - Sério Oliveira

Não foi a primeira vez que marcou ao SL Benfica, já o tinha feito ao serviço do Paços de Ferreira, mas aquele golo aos 10 minutos foi importante para traduzir no marcador a boa entrada do FC Porto no jogo e dar força à equipa para levar avante o plano do seu treinador. Foi dos mais irrequietos no que tocou ao momento ofensivo dos dragões e por isso, e por no início da época ter parecido ser uma carta fora do baralho, leva o Óscar para casa.

Melhor argumento adaptado - Sérgio Conceição

Onde é que já vimos este filme? A adaptação do jogo que aconteceu no estádio da Luz na quarta jornada do campeonato não foi perfeita, desta vez o FC Porto sofreu golos, mas o filme continuou a resultar numa conquista inequívoca de três pontos.

Melhor curta metragem - Carlos Vinicius

Pode mesmo ser a curta metragem mais curta que alguma vez concorreu aos Óscares, documenta o ‘bis’ de Carlos Vinicius frente ao FC Porto e a meia dúzia  de minutos de esperança dos adeptos encarnados num resultado positivo no Dragão.

Melhor filme de animação

(Provavelmente) o GIF que viverá na internet daquela cueca de Corona a Rafa.

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