Em, comunicado divulgado este domingo, 3 de junho, o Conselho Directivo do Sporting CP e a Comissão Executiva da Sporting SAD clarificam que o clube está "em normal actividade", respondendo desta forma a eventuais "providências cautelares para suspender, de imediato, a actual Direcção das suas funções".

"Não consideramos credível que um tribunal considere não ser dos superiores interesses do Clube a continuação de uma Direcção que tem no currículo os melhores resultados desportivos e financeiros de sempre", pode ler-se na nota, onde o clube volta a apelar "aos jogadores que apresentaram as rescisões para refletirem bem no conteúdo das mesmas, nas implicações desportivas e financeiras, e nas denúncias caluniosas que estas encerram, e para que voltem atrás nos dias que a Lei lhes permite".

No caso específico de Rui Patrício, o Sporting deixa uma pergunta à Gestifute: "A Gestifute exigiu ou não, para que a transferência de Rui Patrício se fizesse, mais de 7 milhões de euros para liquidar acertos de contas que eles acham devidos por cláusulas que existiam nos contratos de renovação de Rui Patrício e de Adrien Silva no tempo de Godinho Lopes?"

Num outro ponto, o clube liderado por Bruno de Carvalho volta a reiterar que "condena quaisquer actos de violência e todas as formas de coação", e incentiva os seus atletas a fazerem queixa caso sejam alvo deste tipo de comportamentos. A par, a direção do clube diz-se ainda solidária com o "presidente do Vitória de Guimarães e seus atletas, treinadores e staff que, conforme já foi publicamente confirmado pelo Presidente e pelo treinador Pedro Martins, também sofreram um acto hediondo, criminoso e terrorista na Academia em Guimarães, com cerca de 50 indivíduos encapuçados, com tochas e que bateram violentamente em todos".

Neste comunicado, a atual direção também defende a decisão de constituir uma Mesa da Assembleia Geral (MAG) Transitória, algo que, garante, "está suportado na Lei". A par, confirma também a realização de eleições para estes dois órgãos a 21 de julho.

Já em referência à Assembleia Geral (AG) de destituição convocada pela Mesa demissionária liderada por Jaime Marta Soares para 23 de junho, a direção do clube acrescenta que "uma AG para destituição tem preceitos legais e regulamentares que podem ser cumpridos pelos associados a qualquer momento. A de dia 23 [de junho] estava ferida na sua legalidade, mas podem os Associados cumprir esses preceitos e entregar à MAG transitória ou à nova MAG que será eleita dia 21 de julho para o efeito. Não se retirou qualquer possibilidade de dar a voz aos Associados, nem lhes foi retirado qualquer direito".

Os esclarecimentos relativos a Jorge Jesus, técnico dos leões, ficaram para o final, com a atual direção a afirmar que "é totalmente falso que, alguma vez, Jorge Jesus tenha sido despedido, que lhe tenha sido oferecida a renovação de contrato ou que o treinador tenha feito qualquer tipo de chantagem com uma possível rescisão por justa causa. São mais mentiras para ir alimentando esta campanha de calúnias, difamações e chantagens, a que nenhuma instituição pode ceder", conclui.

Leia aqui na íntegra:

A crise no Sporting continua sem fim à vista. Além das rescisões de Rui Patrício e Daniel Podence, o Conselho Diretivo (CD) do Sporting decidiu substituir a Mesa da Assembleia Geral (MAG) e respetivo presidente através da criação de uma comissão transitória da MAG. Segundo o mesmo comunicado, aquela comissão transitória deliberou ainda substituir o Conselho Fiscal e Disciplinar demissionário por uma comissão de fiscalização. Com estas medidas, "não se realizará qualquer Assembleia Geral no dia 23 de junho", que visava a destituição de Bruno de Carvalho. Marta Soares, presidente da Mesa, reagiu considerando que a substituição dos membros por parte do Conselho Diretivo do clube “não tem cobertura estatutária” e por isso “é ilegal”. “É uma demonstração inequívoca de que há um assalto ao poder, do tipo golpe de estado”, afirma. Foram entretanto convocadas eleições para 21 de julho para a Mesa Assembleia Geral e Conselho Fiscal.

Por outro lado, a Holdimo, segundo maior acionista da SAD do Sporting, deu entrada na última semana nos tribunais com uma ação especial para destituir a administração liderada por Bruno de Carvalho, anunciou Álvaro Sobrinho, líder da empresa angolana. A ação visa destituir Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Rui Caeiro e Guilherme Pinheiro da administração da SAD do Sporting – todos exceto Nuno Correia da Silva, representante da empresa que é o segundo maior acionista da SAD.

O início da crise

A 15 de maio, antes do primeiro treino para a final da Taça de Portugal, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 50 pessoas, que agrediram técnicos e jogadores. A GNR deteve 23 dos atacantes.

Paralelamente, a Polícia Judiciária deteve quatro pessoas na sequência de denúncias de alegada corrupção em jogos de andebol, incluindo o diretor desportivo do futebol, André Geraldes, que foi libertado sob caução e impedido de exercer funções desportivas.

O cenário agravou-se com as demissões da Mesa da Assembleia Geral (MAG), em bloco, da maioria dos membros do Conselho Fiscal e Disciplinar, instando o presidente do Sporting a seguir o seu exemplo, mas Bruno de Carvalho anunciou que se irá manter no cargo, apesar das seis demissões no Conselho Diretivo.

Desde então, Mesa (demissionária) e Conselho Diretivo têm protagonizado um braço de ferro, com o Presidente da MAG  a marcar uma assembleia-geral de destituição e o Bruno de Carvalho a  avançar com a criação de uma comissão transitória da MAG.

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