O grego Stefanos Tsitsipas, número 10 do ranking mundial e cabeça-de-série, e o uruguaio Pablo Cuevas (67.º), ‘lucky loser’ que depois de eliminado no qualifying (fase de qualificação) foi repescado para o quadro principal após a desistência de Filip Krajinovic, sobem hoje (15h30) ao court principal do Clube de Ténis do Estoril para disputar a final de singulares do Millennium Estoril Open. Antes, às 13h00, a dupla francesa Jérémy Chardy e Fabrice Martin enfrenta o par inglês Luke Bambridge e Jonny O’Mara, na final de pares do ATP 250 português.

Se Tsitsipas e Cuevas são estreantes no frente a frente na terra batida do Estoril Open, fora dos courts, Júlio Camará tem sido presença habitual no Clube de Ténis do Estoril. Desde 2016 que recebe um “wild card”. Mas ele, como outros da sua equipa, só entra nos courts para acompanhar as estrelas do ATP.

Fazem-no com a camisola da Academia dos Champs, uma IPSS criada em 2009 e que tem um projeto de integração social que, através do ténis, acompanha 300 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, com idades compreendidas entre os 5 e os 18 anos. Dedicada à promoção do desporto e da saúde, a Academia dos Champs trabalha também para capacitação de competências de desenvolvimento pessoal, social e emocional.

“Julinho”, 16 anos, como é conhecido, circula com à-vontade entre os corredores mais ou menos reservados do Estoril Open. A camisola com as letras da associação que é parceira de responsabilidade social do evento e que já foi reconhecida pelo ATP World Tour com o prémio ATP Aces For Charity serve de cartão VIP para deambular pela cidade do ténis.

Um futuro entre bolas amarelas e raquetes ou tachos e panelas

Júlio Camará conta que o desporto da raquete e da bola amarela entrou na sua vida por convite de amigos.

“Via uns amigos meus a jogar e perguntaram se queria jogar. Aceitei, mas respondi: aposto que não vou gostar. Enganei-me. À medida que fui treinando, fui gostando”, confidenciou ao SAPO24 na sala de media (reservada a jornalistas) do Estoril Open, situada nas instalações da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Desde que começou a fazer smashes e a compreender o termo match-point que participa em torneios. Venceu alguns, atirou o “tenista” de Outurela (Carnaxide, Oeiras) da Academia dos Champs, instituição com presença em 10 núcleos - Outurela Trajouce (Cascais); Alcabideche (Cascais); Bicesse (Cascais); Quinta da Alagoa (Carcavelos, Cascais); Fontaínhas (Cascais); Musgueira (Lisboa); Maia, Faro e Loulé.

Mas não são as vitórias que lhe puxam pelo ego. “O que gosto mais é de praticar o ténis”, assume. Nos courts e não tanto na playstation. “Jogo FIFA 2019”, sorri.

No court zanga-se com ele mesmo quando sabe que pode “fazer melhor”. De fora das zangas fica o “árbitro e o adversário”, garante.

A frequentar o 8.º ano, explica que chumbou duas vezes porque andou “a fazer porcaria e reclamava com os professores”, recorda. Entretanto deixou de pisar o risco. A razão? “O ténis ensinou-me uma coisa: a ter respeito. E várias outras coisas”, confidencia o jogador, que tem vários treinadores mas destaca dois em especial. “Tenho o António e tinha o Edu que se foi embora”, especifica.

Atira o passado para trás das costas. Esse tempo já lá vai. “Quero seguir ténis ou culinária”, solta. “Faço o que me der na cabeça. Arroz com carne”, exemplifica o jovem aspirante, filho de pais guineenses, que gosta da gastronomia portuguesa e deixa de lado alguns pratos do país natal dos progenitores. “Não gosto muito de caldo de amendoim”.

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