Um é americano e já pisou o court central do Clube de Ténis do Estoril numa final. O outro é argentino e estreia-se, pela primeira vez, na final do Millennium Estoril Open ATP 250. Francis Tiafoe e Sebastian Baez são os finalistas do único torneio português do principal circuito de ténis. Apresentam-se hoje às 15h30 na terra batida debaixo do olhar de Marcelo Rebelo de Sousa, um presidente da República adepto do desporto da bola amarela.

Tiafoe, número 28 do ranking ATP, perdeu o jogo decisivo, em 2018, diante o português João Sousa. “Quase nem me lembro da primeira vez, foi há tanto tempo. Quatro anos? Tinha 20 anos. Estou feliz por não ir defrontar o João outra vez, porque isso foi duro... Nesse dia estava mesmo nervoso. Quando saí para o court, e ouvi o hino nacional e todas essas coisas… o Presidente de Portugal (Marcelo Rebelo de Sousa) estava cá, e eu pensei 'este é um momento importante para ele'. Foi uma grande experiência”, recordou.

Baez, 59 da hierarquia, apresenta-se como responsável pela eliminação do português João Sousa na primeira ronda. Carrega esse karma diante o tenista que tem sido o favorito do público português, apesar de ter afastado Nuno Borges, presente na primeira final em pares (ao lado de Francisco Cabral).

Durante a semana do Estoril Open, Frances Tiafoe não se cansou de atirar elogios para a bancada. “Tenho de ter estes “tipos” todas as semanas”, suspirou ontem após derrotar, nas meias-finais, o compatriota Sebastian Korda (37.º). “Sinceramente, não parece um encontro de ténis, mas sim um ‘circo’. Gritam o meu nome, há despiques. Eu bato umas pancadas loucas e ficam frenéticos. É divertido fazer parte disso”, reconheceu.

Após cada vitória, três, no total, João Sousa, Richard Gasquet e Alberto Ramos-Vinolas, todos eles vencedores do Estoril Open, o argentino de 21 anos, natural de Buenos Aires, tem escrito nas câmaras de televisão “Why not me?” (Porque não eu?),  uma mantra inspiradora que o ajudou a chegar à final.

A mesma frase está numa pulseira usada pelo norte-americano filho de pais fugidos da guerra na Serra Leoa (África), um pulso onde cabe outra inscrição alternativa, “Prove them wrong” (provem que eles estão errados).

“(Baez) Disse-me há uns dias no balneário. Que a minha pulseira (Why not me?) lhe serve de inspiração. Essas coisas importam. Acreditar em ti é a coisa mais importante, não interessa se todos à tua volta não acreditam. Se não acreditares em ti, não podes ir longe na vida. Aquele miúdo tem muito para acreditar em si próprio. Só espero que ele não acredite demasiado amanhã (hoje)”, soltou um forte sorriso.

Número 1 mundial júnior vs n.º 2

Treinado por Sebastian Gutierrez, o pequeno tenista (1,70 cm) tem o gigante Juan Martin Del Potro, antigo vencedor do Estoril Open, como conselheiro. Sebastian está na segunda final ATP e regista um saldo de 13 vitórias e 14 derrotas entre a elite do ténis mundial. Contrabalança com 49-14 no Challenger Tour. Foi número um mundial em juniores, em 2018.

Francis Tiafoe, 24 anos, nascido em Hyattsville, Maryland e a residir na Florida tem um título ATP, Delray Beach em 2018. O antigo n.º 2 mundial júnior está na quarta final da carreira, a segunda em solo português e contabiliza um saldo negativo em torneios do principal circuito de ténis:109 vitórias para 126 derrotas.

Este domingo, frente ao argentino Sebastián Báez, o norte-americano, com perto de seis milhões amealhados ao longo da carreira, espera “uma boa batalha e poder ganhar em dois ‘sets’”. “Seria bom, mas aceitarei qualquer tipo de vitória”, completou. “Ele é jovem, vai correr como um louco, vai dar tudo ali dentro. Deverá ser um bom encontro. Honestamente, não conheço muito o jogo dele, mas vamos ver o que acontece”, prognosticou.

O argentino, por sua vez, não chega a 10% dos prémios do seu adversário, procura seguir as pisadas de sucesso dos compatriotas do país das Pampas e do Tango. David Nalbandian (2002 and 2006), Gastón Gaudio (2005), Juan Martín Del Potro (2011 e 2012) and Carlos Berlocq (2014) já foram felizes na terra batida do Estoril Open.

O vencedor levará para casa 41 mil euros e 250 pontos. O finalista vencido, 29,500 euros e 150 pontos. Quem será o tenista a escrever (e que frase) no vidro que filma a final? Logo se saberá.    

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