"Eu vim para ganhar. Estou habituado a ganhar. Mas vim para unir a nação benfiquista. Vim para o Benfica com a mesma crença que tinha no dia 19 de junho de 2009, quando fui apresentado pela primeira vez. Venho com a mesma vontade de ganhar, com a mesma convicção, estou determinado e com muita vontade de ganhar coisas importantes", frisou logo no início Jorge Jesus.

Depois, salientou que não assinou pelo Benfica "para me reformar". E explicou que lhe foi oferecido quatro anos de contrato, mas que não aceitou pois só queria "um". Foi então que Luís Filipe Vieira sugeriu que "tinha de ser pelo menos de dois". E, assim, chegaram a um acordo. No entanto, enfatizou que veio ganhar "menos dinheiro" do que auferia no Flamengo. Por isso, assinou com o Benfica porque acredita "no projeto".

"Vim para para o Benfica porque acredito nesta nação. [O clube] tem todas as condições para fazer do Benfica grande. Voltar ao prestígio internacional que o Benfica teve durante muitos anos. Voltarmos a ganhar. Quando eu sai daqui ganhámos todas as competições e todos os objetivos que nos propusemos a conquistar", afirmou Jorge Jesus, que explicou que "não é o Salvador".

"Não sou o salvador. Salvadores vamos ser todos nós. Cheguei de um grande clube, que se uniu à volta do seu treinador, da sua equipa e, por isso, é que ganhámos grandes títulos internacionais. Quero agradecer ao Flamengo, do fundo do coração, pela forma como me trataram, a amizade e amor que tiveram por mim. Agora, pensem: o Flamengo tem 50 milhões de adeptos. Para eu vir para o Benfica tinha de haver uma causa muito grande, que é voltar a ganhar", observou.

Contudo, guardou umas palavras ao Flamengo, clube que não se esqueceu durante a sua apresentação e sobre o qual se dirigiu várias vezes. "Perdoem-me se eu vou falar de onde cheguei", disse numa ocasião.

"Eu cheguei de um grande clube também. De um grande clube que se uniu à volta do seu treinador, da sua equipa e por isso é que ganhámos grandes títulos internacionais", disse, antes de agradecer ao clube brasileiro pela forma como o trataram durante a sua passagem pelo Brasileirão.

"Eu para vir para o Benfica teve que haver uma causa muito grande. Eu vim, estou cá. Para voltar a ganhar. Voltar a ganhar com este presidente, para voltar a ganhar com os benfiquistas, todos unidos. É esse o meu propósito para voltar ao Benfica", rematou.

A apresentação à comunicação social teve lugar no Benfica Campus, de pé e ao lado de uma exposição dos troféus conquistados pela primeira passagem do treinador português pelo clube encarnado. Presentes estiveram ex-jogadores como o ex-guarda-redes Júlio César ou Eliseu, mas também elementos do atual plantel como Pizzi ou Rúben Dias.

Antes de declarações de Jorge Jesus, todavia, passou um vídeo curto com os seus melhores momentos na Luz. E, antes mesmo do técnico tomar a palavra, o primeiro a falar à comunicação social foi Luís Filipe Vieira. O presidente desejou as felicidades a Jorge Jesus e pediu sucesso nas competições europeias. Depois, falou Rui Costa, que salientou que o treinador tem o apoio da estrutura para alcançar os títulos.

Imagem: ANTÒNIO COTRIM/LUSA créditos: © 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A simbiose entre formação e talento para "jogar o triplo"

Se a apresentação começou com uma curta declaração de Luís Filipe Vieira e Rui Costa, a que se seguiu a intervenção de Jorge Jesus, depois foi a vez dos jornalistas presentes fazerem questões. A primeira pergunta coube à BTV, que recordou a sua famosa declaração "vamos jogar o dobro" aquando da primeira passagem do técnico pela Luz. "Não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo", disse Jorge Jesus, bem ao seu estilo.

Questionado sobre o "Ferrari" que deixou quando saiu em 2015, o treinador português indicou que foi um "adjetivo" que utilizou para evidenciar a qualidade que equipa do Benfica tinha na altura. E pediu para serem feitas questões sobre o presente e não do passado.

"Como costumamos dizer no futebol, passado é museu", disse, antes de apontar para os títulos que conquistou entre 2009/10 e 2014/15 e que estavam expostos à sua frente. "O que importa é o agora, o presente e o futuro", rematou, para terminar com futuras nuances que pudessem surgir por parte dos jornalistas.

Outro dos temas sobre o qual Jorge Jesus foi questionado foi o da formação. O técnico, sobre esse assunto em concreto, explicou que "todos os clubes, em Portugal, todos, têm de fazer uma aposta na formação".

"Não há nenhum [que não o faça]. Os clubes portugueses são clubes vendedores. E o Benfica nestes últimos anos tem sido um exemplo; há um jogador, que foi o João [Félix], que foi vendido por uma verba que poucos jogadores do mundo tiverem esse privilégio. E as equipas portuguesas como são vendedores têm de continuar a formar jogadores", começou por dizer.

"Se tu vendes os melhores jogadores portugueses como é que queres ter uma boa equipa? Não tens. Portanto, o Benfica vai voltar a uma política que teve comigo. Formação e à procura de novos jogadores sem ser em Portugal. Fazendo uma simbiose, uma união de qualidade", rematou, concluindo que foi esta a ideia que "nos levou vários êxitos e a vários conquistas".

O desafio que o convenceu a deixar o paraíso. "Só um clube e uma pessoa me podiam tirar do Brasil"

"Não foi fácil. Só um clube e uma pessoa é que me podiam tirar do Brasil. E o presidente [do Benfica] convenceu-me a voltar a Portugal. Eu gosto de desafios difíceis. No Benfica, com este historial, [um treinador] sabe que é difícil trabalhar nesta casa. Mas sabe que é um desafio motivador. É um desafio que tem uma capacidade estrutural para atingir os objetivos que a grandeza deste clube exige", disse.

"Eu para sair de um sítio onde me amavam, adoravam, tinha que ser ser convencido por qualquer coisa que me trouxesse uma nova vontade, um novo desafio diferente. E foi isso. Foi o presidente que foi ao Brasil convencer-me de que este é que era o projeto certo, um desafio ambicioso para continuar em Portugal. Foi por esse motivo", salientou.

Questionado sobre qual era o objetivo depois de sair do paraíso, frisou que tinha intenções de criar um novo. E, para consegui-lo, acredita na sua equipa técnica e no seu grupo de trabalho para criar uma equipa muito forte. Contudo, para isso, não será necessária uma revolução no plantel.

"Não vou fazer como se escreveu por aí nos periodicos, nos jornais, uma revolução. Não vou fazer revolução nenhuma. A única coisa que eu vou fazer é mudar conceitos, ideias, com as pessoas que estão cá. Com os jogadores que estão cá, com a estrutura que está cá. Portanto, dentro desse perfil que eu acho que leva ao êxito, vou tentar que possamos fazer uma equipa muito forte para que no fim do ano possa voltar a dizer que voltei ao paraíso", enfatizou.

créditos: ANTONIO COTRIM/LUSA

"Eu não sou o mesmo treinador que era quando saí"

Aos 66 anos, Jorge Jesus diz ser diferente do homem que era em 2009. "Acho que sou muito mais treinador".

Questionado sobre a opinião de alguns adeptos contra o seu retorno, disse apenas é que a única coisa que pode prometer é o seu trabalho, já que não é o mesmo treinador que chegou ao clube há 10 anos. Agora, reitera, chega ao Benfica com muitos títulos conquistados que "muita gente ajudou a ganhar".

"Estou a chegar ao Benfica como um treinador, no mundo, hoje, muito conhecido. Agradeço a quem? Benfica. Agradeço a quem? Flamengo. Mas também pela minha capacidade de trabalho. E, portanto, aquilo que prometo aos adeptos do Benfica é que vou trabalhar, é voltar a dar-lhes alegria, pois é nisso que eu acredito", começou por dizer.

"Tenho de convencer os adeptos que quando eu cheguei do outro lado do Atlântico, ninguém acreditava em mim. E não eram 7 milhões, eram 50 milhões. [Mas] quando eu sai de lá, eles choraram por mim. É isso que eu vou tentar fazer no Benfica", concluiu.

"O grande objetivo é sempre o campeonato nacional"

"O grande objetivo é sempre o campeonato nacional. Esse é o grande objectivo das três grandes equipas portuguesas. Depois podem é ambicionar outros títulos, que é aquilo que o Benfica tem de fazer. No meu tempo o Benfica chegou a duas finais com que fez que fosse o treinador muito mais conhecido. É esse o caminho que temos de fazer porque as exigências deste clube também o ditam. Um Benfica internacional, um Benfica jogando na Europa, à Benfica", disse.

"Agora, para chegares a títulos internacionais — neste caso estamos a falar de Champions e Liga Europa — tu tens que fazer uma reflexão de tudo aquilo que será o teu primeiro ano e isso que nós estamos a elaborar. Presidente, eu, o Tiago [Pinto, diretor-geral do futebol profissional], o Rui e com a entrada na nossa estrutura do Luisão, vamos tentar formar uma equipa muito forte para podermos pensar que queremos ganhar tudo. Porque eu estou habituado a ganhar tudo, não estou habituado a ganhar um campeonato", concluiu.

O agora novo técnico do Benfica diz que quer "todos os adeptos unidos por uma causa". Essa causa, reiterou, chama-se Benfica, "não se chama Jorge Jesus" — que é só o treinador. E, salientou, é pelo papel de técnico que os adeptos têm que o julgar, não pelo seu passado como "treinador de outras equipas".

"Eu sou treinador de futebol. Não sou treinador de nenhuma equipa. Ponham isso bem na vossa mente. Agora, em todas as equipas onde eu trabalho, trabalho com convicção, paixão e morro pelas equipas onde trabalho. É assim que eu penso", afirmou.

Projetos "fazem-se e desfazem-se"

Questionado sobre o seu regresso após ter sido dito no passado pelo presidente benfiquista de que "já não era treinador para o projeto do Benfica", razão pela qual terá saído do clube em 2015, Jorge Jesus disse que os projetos "fazem-se e desfazem-se".

"Os projetos fazem-se e desfazem-se. Quem toma decisões é que tem saber o que quer. Neste caso, todos os presidentes de todos os clubes. Os projetos numa altura são uns, mas passando uns anos são outros. É assim o futebol. E não vamos aqui inventar nada, o futebol é mesmo isso: a valorização das pessoas, a valorização do reconhecimento dos caminhos que se querem traçar e criar. E a valorização numa altura são uns projetos, noutra são outros", respondeu Jorge Jesus, que disse ainda que o Benfica segue agora com um projeto "muito mais vencedor".

Outras das questões colocadas foi sobre a composição do plantel, nomeadamente da possível contratação do uruguaio Edison Cavani. Sobre isso, JJ aferiu que está a decorrer um planeamento interno não só da sua responsabilidade, mas também da de "Rui [Costa], o Presidente [Luís Filipe Vieira] e o Tiago" sobre aquilo que será a equipa para a próxima época.

"Acreditamos que temos capacidade para entusiasmar os grandes jogadores — alguns dos bons jogadores da Europa — para virem jogar para o Benfica com um objetivo bem definido. Não vou falar em nomes, o que importa aqui é trabalharmos e termos a certeza daquilo que podemos contratar. Nós sabemos os alvos que queremos e o presidente e a estrutura sabe até onde pode chegar. Temos de ser conscientes dos jogadores que podemos contratar para satisfazer os objetivos que o Benfica tem", frisou.

Para terminar, salientou que há no plantel "jogadores com muito valor" que "estão nesta casa e vão continuar nesta casa" e que, com o ingresso de reforços, a equipa ficará forte e competitiva. Para fazer o quê? Para arrasar.

"Vamos arrasar", enfatizou Jorge Jesus a terminar a conferência de imprensa.

Jorge Jesus assina contrato como treinador do Benfica por dois anos

Enquanto estava a ser oficializado pelo clube encarnado no Seixal, o Benfica em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) dava conta que Jorge Jesus assinou hoje contrato com o Benfica por dois anos, até ao final da temporada 2021/22.

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que acabou de formalizar o acordo para a contratação do treinador Jorge Jesus, ao abrigo de um contrato de trabalho desportivo para vigorar nas próximas duas épocas desportivas", indica o comunicado.

Jorge Jesus, de 66 anos, já tinha sido confirmando como novo técnico dos ‘encarnados’ em 17 de julho, dia em que rescindiu com o Flamengo, após conquistar seis troféus em pouco mais de um ano, incluindo a Taça Libertadores e o campeonato brasileiro.

O técnico luso regressa a um cargo que ocupou entre 2009/10 e 2014/15, período em que conquistou 10 títulos, nomeadamente, três campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e cinco edições da Taça da Liga.

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