"Mas vocês estão loucos!? Ainda vão acabar com o futebol colombiano? Não pode ser. Não, não, não", foi a resposta de Asprilla diante da oferta, segundo o próprio.

A revelação foi feita numa minissérie documental sobre a sua vida, que começou a ser exibida no canal Telepacífico. O ex-jogador, hoje com 50 anos, contou detalhes até agora desconhecidos sobre o episódio.

O incidente aconteceu depois dum jogo a contar para a fase de qualificação do Mundial’98 — em que as estrelas das seleções da Colômbia e do Paraguai receberam ordem de expulsão após "troca de galhardetes". O encontro, disputado no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, terminou com a vitória paraguaia por 2-1.

Segundo Asprilla, depois do jogo, recebeu um telefonema de Julio César Correa Valdés (mais conhecido por 'Julio Ferro') — alguém que a polícia identificava como sendo um narcotraficante e cujo cadáver foi encontrado em 2004 após um alegado ajusto de contas.

De acordo com o relato da própria antiga glória colombiana, Fierro convidou-o para ir até a um hotel onde se encontrava. E, garante Asprilla, tanto ele como Víctor Hugo Aristizábal, colega de ataque da seleção, tinham Fierro à sua espera juntamente "com dez homens bêbados" — e cercados de mulheres paraguaias.

"Nós estávamos aborrecidos porque tínhamos perdido o jogo e quando ele chega, [diz]: 'precisamos que nos dês autorização para que estes dois homens, que vão ficar aqui no Paraguai, em Assunção, e que querem matar esse gordo do Chilavert'", disse Asprilla. 

Pedido que o colombiano negou categoricamente. "No futebol o que acontece em campo, fica no campo. Chilavert deu-me um soco e acabamos por brigar, expulsaram-nos e terminou aí. [Mas] os bandidos diziam 'não patrão, dê-nos a ordem".

De acordo com o seu depoimento, o paraguaio "nunca soube disto". 

Nas décadas de 1980 e 1990, o futebol colombiano caiu nas redes do narcotráfico. Vários clubes, tais como o América, Millonarios e Envigado, receberam dinheiro e foram sancionados.

Em 1994, o defesa da seleção colombiana Andrés Escobar, de 27 anos, foi assassinado em Medellín num incidente supostamente relacionado com um golo na própria baliza que marcou na derrota diante os Estados Unidos (2-1) e que contribuiu para a eliminação da Colômbia no Mundial daquele ano.

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