Jogo 1 das Finais, 4.7 segundos para jogar no quarto e último período, empate a 107 pontos entre os favoritos Golden State Warriors e os Cleveland Cavaliers. O base George Hill falha o segundo lance livre a que tinha direito e J.R. Smith ganha o ressalto mais importante da sua carreira. À sua frente, o cesto (e um Kevin Durant desequilibrado). Inexplicavelmente, Smith não lança, mas também não passa. Em vez disso, dribla em sentido contrário, em direção ao meio campo, a toda a velocidade. Junto da linha dos três pontos, LeBron James pede, grita, implora pela bola. O tempo está a escoar-se. E apesar da insistência do número 23, J.R. Smith decide segurar a bola e passá-la apenas quando já não havia tempo para lançar. Fim do jogo, empate a 107 pontos. Os Cavs tinham perdido uma oportunidade de ouro para vencer em Oakland e roubar o factor casa aos campeões.

Depois veio o que não se viu na transmissão televisiva. Os jogadores recolhem aos bancos para ouvirem as equipas técnicas, antes de voltarem para dentro das quatro linhas para jogar os cinco minutos extra do prolongamento. No banco da formação do Ohio, o ambiente é pesado. O silêncio é absolutamente ensurdecedor. J.R. Smith olha para o infinito. LeBron James nem consegue olhar para o colega. De pé, os suplentes estão nervosos. Mas em silêncio. E o silêncio só é interrompido quando o treinador Tyronn Lue se aproxima e LeBron lhe pergunta se os Cavs não tinham mais descontos de tempo. Tinham um. Lue acena positivamente e LeBron cai em si. Entre o erro do colega e a inércia do treinador, o melhor jogador da atualidade sabia que tinha perdido. Muito. Não só a oportunidade de ganhar o jogo no tempo regulamentar, mas o jogo em si. LeBron sabia que os Cavs não iam ganhar aquele jogo no prolongamento e sabia que, muito provavelmente, as Finais ficaram decididas naquele momento.

Houve mais uma coisa que ficou decidida naquele final de tempo regulamentar do Jogo 1. A continuidade de LeBron James em Cleveland terá ficado comprometida em definitivo, se é que ainda havia alguma hipótese de vermos o "King" a defender a equipa do seu estado-natal na próxima temporada. O legado assim o obriga. A confirmar-se o triunfo dos Warriors, LeBron vai somar a sexta derrota em nove presenças nas Finais da NBA. E, para um atleta que vê o fim da carreira a aproximar-se a passos largos, o divórcio com os Cavs parece ser uma inevitabilidade. Desta vez, LeBron não vai ser criticado como aconteceu quando deixou os Cavs para levar os seus talentos para Miami. Fãs dos Cavaliers, preparem-se para ficar novamente de coração partido! Desta vez, após ter regressado da Flórida e vos ter oferecido o primeiro título da história, o vosso rei pode partir sem olhar para trás. E a questão que se coloca é: para onde vais tu, LeBron?

As casas de apostas já lançaram essa questão e, de acordo com a Sky Bet, as cinco maiores probabilidades são as seguintes: Philadelphia 76ers (2/1), Houston Rockets (5/2), Cleveland Cavaliers (11/4), Los Angeles Lakers (5/1) e Boston Celtics (18/1). Mas há argumentos válidos para as hipóteses Miami Heat, San Antonio Spurs, New York Knicks ou... Golden State Warriors. Antes de nos debruçarmos sobre os vários destinos possíveis para LeBron James, há outra questão premente para ser respondida: quantos anos mais vai jogar LeBron? Quanto combustível LeBron ainda tem no tanque?

Recentemente saiu a público a notícia de que o extremo investe mais de um milhão e meio de euros anuais a tratar do corpo (crioterapia, câmaras hiperbáricas, chefs particulares, personal trainers), pelo que se admite que possa jogar até bem perto dos 40 anos, mas talvez apenas mais quatro ou cinco ao nível mais elevado. Isso deixaria uma janela de oportunidade de quatro ou cinco anos para ganhar, pelo menos, três títulos e igualar o registo de Michael Jordan. Todos sabemos que isso é parte do legado que LeBron quer deixar quando decidir pendurar as sapatilhas, certo?

Este ou Oeste?

Uma das dúvidas que se coloca é se LeBron James continua na conferência Este, onde esteve nas quinze temporadas que leva desde que chegou à liga norte-americana e através da qual soma já nove Finais, ou se se muda de armas e babagens para Oeste, onde o caminho até às Finais é teoricamente mais difícil. Vamos por partes. LeBron quer ganhar já. E, nesta altura, poucas equipas lhe podem oferecer isso... e um contrato máximo. Nós acreditamos que apenas quatro estão em condições de aliciar LBJ para fora de Cleveland: 76ers e Celtics a Este, Rockets e Lakers a Oeste.

Os Philadelphia 76ers têm uma série de atrativos para LeBron James: duas super-estrelas em Joel Embiid e Ben Simmons, sendo que este último até tem o mesmo agente do "King" e é visto por LBJ como o seu sucessor na NBA. E ainda há Dario Saric e o mistério Markelle Fultz. Com vários dos jogadores mais bem pagos a terminar contrato este Verão, bastaria aos 76ers fazer uma ou duas trocas para abrir espaço salarial para o contrato chorudo de LeBron James. Na perspetiva do número 23, a ideia de se juntar a uma equipa com potencial imediato para chegar às Finais da NBA é certamente aliciante.

Ainda a Este, os Boston Celtics eliminaram os 76ers e ficaram mais perto das Finais, sem contar com Kyrie Irving e Gordon Hayward. Para receberem LeBron, os "verdes" teriam que trocar Irving - pediu para sair de Cleveland por não se sentir confortável ao lado de LBJ -, Hayward ou Al Horford. Para Danny Ainge, general-manager dos Celtics, esta hipótese seria uma inversão do caminho que tem trilhado. Seria um atalho, mas poderia deixar os anéis bem mais perto.

Na outra conferência, os Houston Rockets parecem estar na "pole position". Juntar-se ao mais-que-provável-MVP da temporada, James Harden, e ao seu amigo de longa data, Chris Paul, já seria justificação suficiente, mas se a isto juntarmos o facto de não existir "state income tax" (imposto estadual sobre o rendimento) no estado do Texas a decisão pode ser ainda mais fácil. Para os Rockets, receber LeBron significaria abdicar de Clint Capela, Eric Gordon, Ryan Anderson e mais algumas peças secundárias, mas valeria o risco.

Outra opção bastante falada são os Los Angeles Lakers, que podem oferecer a LeBron James a possibilidade de jogar num grande mercado, onde tem duas mansões, embora Magic Johnson tivesse que encontrar outra super-estrela (Paul George?) para convencer o ainda jogador dos Cavaliers. O núcleo duro de jovens dos Lakers (Lonzo Ball, Brandon Ingram, Kyle Kuzma e Julius Randle) não oferece garantias de, mesmo com a adição de LeBron, poder ganhar no imediato, ainda por cima numa conferência onde estão Rockets e... Golden State Warriors.

A escolha de LeBron nesta free agency será definidora de como acaba a sua já brilhante carreira e se ainda consegue juntar mais algumas peças de joalharia à sua coleção privada, para (tentar) reclamar para si o estatuto de GOAT (Greatest Of All Time). É, por isso, a decisão mais importante da carreira do "King".

Mr. LeBron James, the time is now.

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