Depois de uma caminhada quase incólume até aqui, com o segundo melhor registo da fase regular (51 vitórias e 21 derrotas) e, já nos playoffs, com a eliminação dos campeões - e melhor defesa da liga - Los Angeles Lakers e da equipa que conta com o MVP da temporada, os Denver Nuggets de Nikola Jokić, segue-se o duelo frente a uns Los Angeles Clippers que, pelo menos para já, não contam com o lesionado Kawhi Leonard, que já conta com dois prémios de MVP das Finais (Spurs 2014 e Raptors 2019). Os Phoenix Suns encontraram a fórmula certa para vencer numa época atípica e em que todas as peças, dentro e fora do campo, parecem encaixar na perfeição.

Estrutura bem definida

"Finalmente, acertei", disse o dono dos Suns, Robert Sarver, ao Arizona Sports, na reação às 51 vitórias que a equipa somou esta época e que a colocou no segundo lugar da conferência Oeste, regressando aos playoffs mais de uma década depois. Sarver, que ficou conhecido por ter colocado bodes vivos (em Inglês, GOAT é acrónimo para Greatest Of All Time) no escritório do antigo «general manager» Ryan McDonough, para o inspirar, esquecendo-se de que os bodes não são bichos de ficarem sossegadinhos e que defecam, referia-se à contratação de James Jones como «general-manager», em abril de 2019.

Jones transformou os Suns numa equipa de topo, depois de anos com o rótulo de organização disfuncional. No primeiro mês de trabalho, despediu Igor Kokoškov e contratou Monty Williams para o lugar de treinador principal. E desde então tem dado forma à equipa que brilhou esta temporada. Entre outros negócios, trocou Jarrett Culver por Cameron Johnson e Dario Šarić, contratou os «free agents» Ricky Rubio e Kelly Oubre Jr. para depois os trocar por Chris Paul, assinou com Jae Crowder e foi "roubar" Torrey Craig aos Milwaukee Bucks. E, em dois anos, os Suns passaram de uma equipa com 19 vitórias e 63 derrotas para finalista de conferência (para já).

Treinador de topo e base de excelência

Monty Williams é uma das principais razões do sucesso da formação do Arizona e o recente prémio de Treinador do Ano da associação de treinadores confirma o respeito que já conquistou junto dos seus pares. Considerado um dos técnicos mais completos da liga - excelente ao nível do treino, muito bom nos ajustamentos durante os jogos e um especialista na gestão de egos -, Monty já confessou ter evoluído muito mais a partir do momento em que foi capaz de ouvir os atletas. É por isso que, para o treinador, um dos factores mais importantes para o sucesso é a felicidade e a saúde mental de quem trabalha à sua volta.

Encontrar um jogador como Chris Paul beneficia o trabalho de Monty Williams. O base de 36 anos assumiu que sempre quis voltar a trabalhar com o treinador, depois de terem partilhado o balneário dos New Orleans Hornets em 2010/11, naquela que foi a primeira época de Williams como treinador principal e a última de CP3 antes de se mudar para os Los Angeles Clippers. Monty admitiu há dias que, aquando do falecimento da esposa num acidente de viação em 2016, Chris Paul foi uma das pessoas que mais o ajudou.

O abraço que ambos deram no final do jogo em que os Suns eliminaram os Denver Nuggets foi um sinal de agradecimento de ambos. Para Monty Williams, foi um "obrigado" pelo facto de o base ter estado presente no momento mais difícil da sua vida pessoal e no momento mais feliz da sua carreira. Para o futuro Hall of Famer, foi um "obrigado" pelo facto de o treinador lhe ter dado a hipótese de potenciar o melhor do seu jogo num sistema em que o bloqueio direto - a especialidade do "Point God" - é a principal arma ofensiva. O entendimento entre ambos é a base do sucesso. Chris Paul é a verdadeira extensão do treinador dentro das quatro linhas.

Uma estrela em ascensão e o misto entre juventude e experiência

Devin Booker deixou de ser o miúdo talentoso que fazia números vazios que em nada contribuíam para a equipa somar vitórias. Na sua sexta época como profissional, Book é um livro denso de soluções ofensivas e com cada vez mais páginas no meio campo defensivo. A partilha do campo com Chris Paul tem beneficiado muito o antigo jogador da universidade de Kentucky. O «shooting guard», mesmo baixando ligeiramente as médias individuais, evoluiu muito na tomada de decisão e na seleção de lançamentos. E não precisa de se agarrar tanto à bola como em anos anteriores, dando essa responsabilidade a quem sabe, ou seja, a Chris Paul.

Eleito All-Star pelo segundo ano seguido, Booker é, a par do poste DeAndre Ayton e do extremo Mikal Bridges, o símbolo da juventude do conjunto de Phoenix, que se mistura com a veterania de Chris Paul e Jae Crowder no cinco inicial. No banco de suplentes, um base a tentar fixar-se na NBA e que assinou uma campanha extraordinária (Cameron Payne), um jovem "atirador" de grande potencial (Cameron Johnson), um especialista defensivo e versátil (Torrey Craig) e um jogador grande para várias posições (Dario Šarić) dão a Monty Williams a rotação a nove homens que se diz ser suficiente para ter sucesso na fase a eliminar da época.

Devin Booker, jogado dos Suns
créditos: 2017 Getty Images

Puzzle (quase) completo

Numa época normal, sem tantas lesões de estrelas de outras equipas, talvez não estivéssemos a falar dos Phoenix Suns como candidatos ao título. Mas o cinco inicial funciona como um relógio suíço, com três lançadores a abrir o campo para o bloqueio direto entre Chris Paul e DeAndre Ayton, Devin Booker como principal marcador de pontos e um sistema defensivo que tem camuflado as deficiências - cada vez menos evidentes - de Booker e Ayton. E, fora de campo, a cultura de «team first mentality» que Monty Williams e James Jones estão a tentar implementar é, cada vez mais, a imagem de marca destes Suns. A rotação do banco ainda é curta, mas, se continuarem sem lesões, pode ser suficiente.

Ganhem ou não o título já este ano, a base para o sucesso está garantida. Depois desta época fabulosa, será muito mais fácil para o «front office» atrair «free agents» que complementem melhor o cinco e dêem mais profundidade a um banco com poucas soluções e algumas lacunas evidentes. A continuarem neste rumo, os Suns vão continuar a ser candidatos a levantar o troféu Larry O'Brien nos próximos anos e, apesar dos 36 anos de idade, Chris Paul pode manter vivo o sonho de conquistar um anel de campeão da NBA.

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