Conhecido pelos brasileiros dados os seus bons trabalhos no Chile e em clubes latinos, o Jorge era um sonho já por diversas oportunidades veiculado pela imprensa brasileira, mas nunca havia treinado por aqui.

O fracasso ao treinar Lionel Messi e a Argentina no Mundial de 2018, após rápida passagem pelo Sevilla, deixava-o com opções reduzidas no mercado europeu e este Jorge não está pronto para esquecer o futebol pelos dólares da China ou do petróleo árabe.

É um Jorge com fome de bola. Com vontade de ganhar e fazer mais. Chegou à equipa de Pelé para implementar a sua visão ofensiva e moderna de futebol, mas tal propósito não seria assim tão simples. Os problemas financeiros e as limitações do seu plantel seriam desafios muito difíceis de serem transpostos e o período de adaptação seria muito longo, imaginava a imprensa desportiva local. 

A xenofobia brasileira sentida por treinadores estrangeiros sacramentava que esta era uma aposta arriscada do clube e do treinador. Esperavam um começo ruim. Mas este Jorge sabe o que faz.

Em poucos jogos, deixou todos com "caras de bobo". Este Santos rapidamente assumiu a sua identidade, fazendo um Campeonato Paulista muito bom e por pouco não foi campeão. O plantel continuava carente de talento em algumas posições, tinha as suas limitações individuais e era menos extenso do que os rivais paulistas, mas jogava bem! Movimentava-se como Jorge gosta e era agressivo. Jogadores medianos cresceram de produção e os bons destacaram-se.

Este Jorge é meio maluco e experimental. Troca de formação de acordo com o adversário e arrisca. Teve fracassos no meio do caminho, como a eliminação na Copa Sul-Americana para o River Plate (não o original, o uruguaio). Mas a sua torcida já estava seduzida.

Jorge virou parte da cidade. Andava de bicicleta até a padaria. Abria o treino para os garotos que viam das árvores. Jogava futevolei nas praias. Se ele fez bem ao Santos, a cidade de Santos também lhe fez bem. Estava em casa.

Para quem gosta de futebol, já é muito claro de que Jorge falamos. Jorge Sampaoli, argentino que virou chileno e que agora tem um pouco de brasileiro.

Jorge Sampaoli
créditos: Miguel SCHINCARIOL / AFP

Pituca não é Gerson. Marinho não é sombra de Bruno Henrique, mas faz a sua parte. Sasha não tem tantos dias de golo quanto Gabigol. Mas Sampaoli fê-los melhores. Trouxe Evandro, conhecido em terras portuguesas, e readaptou-o rapidamente ao futebol brasileiro. Fez o brilhante Carlos Sánchez ser o centro do seu meio campo e a defesa, com bons jogadores, se destacar para permitir a equipa continuar a pressionar. Tirou Vanderlei, um dos melhores guarda-redes do Brasil, da equipa titular por que não era bom com os pés e, com a torcida apaixonada, foi apoiado.

Sampaoli é um bielsista e propõe um futebol muito agradável de se ver. Junto com o Jorge que chegou depois, o português, é símbolo de uma pequena revolução que está a acontecer no futebol brasileiro. Neste momento, o Santos está praticamente garantido na terceira posição e na próxima Libertadores.

No ano que vem, não se sabe se continuará em Santos. A próxima época promete ainda mais dificuldades financeiras e um cenário político meio caótico liderado pelo seu presidente trapalhão. Mas a sua missão foi cumprida. Jorge, fragilizado pelo fracasso com Messi, renasceu onde Pelé reinou.

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