Em 1996, a Sociedade Esportiva Palmeiras tinha estrelas como Cafu, Muller, Velloso, Luizão e Rivaldo. Nesse ano amargou uma derrota na final do Campeonato Brasileiro no seu próprio estádio frente ao Cruzeiro, uma equipa sem grandes nomes, mas muito bem alinhada. Enquanto isso, no sul do país, havia um técnico a comandar uma equipa vencedora e a ganhar tudo o que disputava em campeonatos regionais. O seu nome: Luís Felipe Scolari. O Palmeiras decidiu contratá-lo. Começava aí uma história de dois pólos, e esse início era positivo. Felipão, como passou a ser conhecido, viu a sua estrela brilhar entre 1998 e 2000, com uma equipa de que os adeptos não se esquecem.

Em 1999, um dos seus maiores feitos foi eliminar o arquirrival Corinthians no jogo da semi-final da Taça Libertadores da América - equivalente à Liga dos Campeões da UEFA. Foi à final e sagrou-se campeão, título que lhe carimbou o passaporte para o Mundial Interclubes da FIFA, realizado em Tóquio, no Japão, para enfrentar a equipa campeã da Europa, nesse ano o Manchester United, de Inglaterra. Não passou pelos ingleses e esse é um título que nunca conquistou. O que dá margem ainda hoje para discussões acaloradas.

Em 2012, após uma temporada europeia - que os portugueses conhecem bem -, Luís Felipe estava de volta ao Palmeiras para o lado negativo de sua passagem pela equipa. O desempenho no Campeonato Brasileiro foi sofrível. Com foco na Copa do Brasil, um campeonato nacional mais curto que dá acesso à Taça Libertadores da América, o Palmeiras sagrou-se campeão com uma equipa risível. Como o Campeonato Brasileiro, o mais importante do país, tinha sido deixado de lado pelo clube, o óbvio aconteceu e a equipa desceu para a segunda divisão, com direito a mergulhar numa grande crise financeira. Felipão foi demitido, enterrando a imagem de vencedor que tinha no clube.

Sem dinheiro para pagar a conta de luz, Paulo Nobre, atual presidente cujo segundo mandato termina em meados de dezembro, assumia então a presidência do Palmeiras. O seu início, em 2013, foi de intensas mudanças, ruptura com a claque organizada e litígio com a construtora do estádio do clube. Tirou regalias aos adeptos da claque que agrediram um dos atletas e investiu na contratação de um técnico que se acertasse com sua  dinâmica de trabalho. Após cinco tentativas frustradas, contratou Alexi Stival, o atual técnico conhecido como Cuca. Mudou também o diretor de futebol, responsável pelas contratações de jogadores, e literalmente abriu a carteira. Dono de uma grande fortuna em imóveis e investimentos, Paulo Nobre colocou o seu próprio dinheiro para montar uma equipa campeã. Ao final de dois anos o presidente tinha emprestado ao clube um valor à volta dos 55 milhões de euros - já recebeu metade e o restante a equipa poderá pagar em 10 anos. Uma negociação quase de pai para filho.

O ano de 2015 já foi muito bom para a equipa alviverde, como é conhecida no Brasil. Terminou o campeonato estadual em segundo lugar, ganhou a Copa do Brasil, mas derrapou no Campeonato Brasileiro ao terminar na nona posição. Todos os caminhos levavam a 2016.

Em 2016, com um futebol de resultado sob o comando de Cuca, o Palmeiras fez uma campanha vencedora que colocaria fim a uma espera de 22 anos sem aquele título e ontem sagrou-se campeão brasileiro a um jogo da jornada final do campeonato. Alguns jogos foram sonolentos, outros contaram com erros da arbitragem - que os adeptos rivais resolveram de batizar como “apito amigo”, mas quando o jovem avançado Gabriel Jesus, uma das suas maiores estrelas, já vendido ao Manchester City por 32 milhões de euros, acordava inspirado, a equipa brilhava com jogadas primorosas. Jogadas que levaram também Jesus à equipa nacional sob o comando de Tite.

No balanço do campeonato, o Palmeiras, “sem grandes estrelas”, segundo Cuca, jogou bem e teve um ingrediente que não pode faltar a uma equipa campeã: regularidade. Desta forma conseguiu enterrar um passado de 10 anos intensos de crises e duas quedas para a segunda divisão, enquanto os seus principais rivais, Corinthians e São Paulo, viviam momentos de glória no mesmo período. Os ventos parecem, finalmente, trazer a lufada de ar que a equipa, os adeptos e o seu principal apaixonado, o presidente Paulo Nobre, merecem após tantas turbulências e investimentos.

Uma lufada de ar que não se esgota no futebol. O Palmeiras conta com um estádio moderno, muito bem localizado na cidade de São Paulo, que se transforma em arena de espetáculos e possui uma agenda lotada e concorrida. Isto garante ao clube uma das melhores previsões de receitas financeiras entre as equipas para os próximos anos.

Mesmo com a saída de estrelas da equipa, haverá dinheiro para novas contratações. Embora o apaixonado presidente esteja também a sair do cargo em dezembro, quem segue no lugar é seu amigo pessoal. Tudo indica que, quando for necessário, o avião particular de Paulo Nobre continuará ao serviço do clube como aconteceu após o último jogo da seleção brasileira, quando mandou o seu avião, - o Air Pork One (“pork” em referência ao mascote do clube, um porco verde) - , para ir buscar Gabriel Jesus para um jogo importante do Palmeiras que teria lugar no dia seguinte. Jesus jogou e marcou o único golo da equipa. Com todo esse esforço, 60 golos, 23 vitórias, apenas 6 derrotas e Jesus a jogar a favor, é glória!

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