Foi apenas com 16 anos que Pato surgiu para o futebol, no final de 2006. Hoje, aos 30, já lá vão 13 anos de carreira profissional para o jogador, que nunca alcançou a expectativa gerada pelo seu talento. Era apontado como o novo Ronaldo Fenómeno quando deixou o Internacional rumo ao AC Milan, mas, depois de lesões e experiências frustradas por onde passou, apenas o São Paulo tinha boas lembranças após uma breve temporada de sucesso relativo.

O jogador acumulou affairs com belas mulheres e nunca perdeu espaço nos media. Fez belos golos e teve lampejos do que poderia ter sido, mas nunca conseguiu a regularidade necessária. Títulos, foram pouquíssimos, e há uma frase do jogador que simboliza a sua carreira: "O meu sonho? Pisar o tapete vermelho dos Óscares". Pato é um jogador individualista, sem foco e com ambições que não condizem com um desportista de alto nível. É mais um jogador focado mais na sua imagem do que na sua performance.

Pato é, talvez, o símbolo maior de uma geração que representa um hiato na fábrica de talentos brasileira. Desde 2006 e do ocaso de super-estrelas como Ronaldo, Roberto Carlos e Rivaldo, existe uma carência por ídolos e uma lista enorme de bons jogadores que decepcionaram e não chegaram sequer a tornar-se destaques regulares nos seus clubes.

Logo após a derrota para a Holanda, no Mundial de 2010, vestiam a camisa da Seleção Brasileira  jogadores jovens e promissores que pareciam ser os herdeiros do trono do futebol mundial. Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso e Neymar formavam a linha de frente com o já experiente Robinho. Nos jogos seguintes vieram Oscar, Lucas Moura e Leandro Damião. Ainda víamos os gémeos Rafael e Fabio no Manchester United, o surgimento de Danilo, Alex Sandro, David Luiz. Talento por todo o campo.

Hoje, quase 10 anos depois, apenas Neymar fez jus à classificação de craque, apesar de todos os seus problemas fora do campo. Os demais possíveis protagonistas não passaram de bons coadjuvantes (Lucas Moura) ou, então, tornaram-se grandes decepções. As maiores, proporcionais à expectativa que criaram, são Pato e Ganso. E, ainda, podemos somar à essa conta a melancólica despedida de Adriano dos gramados.

E poderiam ter sido grandes... Ganso parecia o maestro perfeito. Pato era o novo fenómeno. Lucas Moura era o outro Neymar. Damião um artilheiro clássico. Adriano poderia ter chegado ao nível de Romário e Ronaldo. Robinho seria o líder dessa jovem geração. E Neymar...ah Neymar. Esse ainda tem uma última chance, sendo o líder e exemplo de uma nova turma que vem por aí.

Mas não esperem mais de Patos, Gansos, Oscares e companhia. Uma geração sem fome de vencer. Satisfeita com o que poderia ter sido e com os seus pequenos sucessos. Limitada pela soberba de se acharem mais do que eram, em alguns casos, ou de aceitarem ser menos do que poderiam ser, noutros. Que “paguem o Pato” aqueles que ainda acreditam neles. Desta vez, o São Paulo não se livrou do problema que criou.

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