Se for esse o caso e, como diz a imprensa inglesa, esteja Mourinho de regresso à Premier League muito em breve, qual é o clube, plantel e projeto que fará mais sentido o treinador abraçar? É o que iremos dissecar já de seguida com os três motivos que poderão influenciar a escolha do técnico português.

Toffees vs. Spurs

Nos últimos anos tem havido tendência para existir, cada vez mais, uma distância maior entre os clubes de topo e os menos competitivos. Muitos clubes têm feito um papel de elo de ligação entre ambos e têm disfarçado, dentro dos possíveis, essa diferença. Tais clubes têm-se revezado nesse papel. Clubes como Burnley, Leicester, Wolverhampton (na temporada passada) ou Southampton (há uns anos a esta parte) têm tido um papel importante na tabela classificativa. Mas, na grande maioria, esse esforço tem sido feito nos últimos anos por Everton e Tottenham. O Everton é assumidamente um clube que quer conquistar o seu espaço entre os grandes — as dispendiosas janelas de transferência dizem isso mesmo. Já o Tottenham, esse é, inclusivamente, desde 2009-10, considerado o sexto grande clube inglês da atualidade. (Ainda que a sua incapacidade para conquistar títulos faça com que muitos ainda o considerem um elo de ligação, as constantes classificações nos quatro primeiros lugares dizem-nos que os Spurs já são, de facto, um clube de elite.)

Assim sendo, e caso tenha que analisar propostas de ambos os emblemas, José Mourinho ver-se-á dividido entre assumir o Tottenham (cujo objetivo é manter-se entre os primeiros e tentar, a qualquer momento, dar o salto necessário para conquistar o título) ou o Everton (cujo objetivo é mais fácil, e que passa por colar numa primeira fase, e de uma vez por todas, o clube aos grandes ingleses). O segundo desafio poderá ser mais fácil, mas em comparação, o primeiro poderá dar mais dividendos. Após a experiência com o United, onde mesmo conseguindo boas classificações e vencendo troféus, não conseguiu cumprir o objetivo principal do clube: ser campeão. O Everton, parece ser, neste campo de ideias, uma opção mais viável para o experiente treinador português.

Goodison Park
Apelidado de Grand Old Lady, o estádio foi construído e inaugurado em 1892, sendo um dos mais antigos estádios da Inglaterra. créditos: PAUL ELLIS / AFP

Posse vs. Contra-ataque

A história diz-nos que, desde a altura em que treinava o Chelsea, José Mourinho é um treinador que privilegia o contra-ataque. Se nos lembrar-mos da sua primeira passagem por Inglaterra, do Inter, do Real Madrid e por aí em diante, vêm-nos à cabeça jogadores (Robben, Drogba, Sneijder, Eto’o, Di Maria, Ronaldo, etc) e exibições que destruíram equipas através de ataques rápidos fulminantes. Mas, se olharmos para os plantéis de ambas as equipas inglesas, principalmente aos onze base, vemos que têm estilos completamente diferentes uma da outra.

Não sendo o Tottenham uma equipa assente na sua totalidade quer numa estratégia quer noutra filosofia, se tivéssemos que ser obrigados a colocar a equipa do norte de Londres num ou noutro lado da barricada tática e filosófica, diríamos que esta se encaixa mais num jogo de controlo. O que o diz poderá não ser uma posse de bola abismal sobre os adversários, ou o efeito visual do seu futebol; o que o diz são os jogadores que tem no seu plantel e com os quais forma um onze inicial regular. Com Harry Kane, Son Heung-min, Christian Eriksen, Dele Alli e Erik Lamela, poder-se-á dizer que o Tottenham tem-se inclinado nos últimos anos mais para o domínio de jogo do que para a disrupção do mesmo, pela via do contra-ataque. Ainda assim, tem feito um esforço no sentido de ter mais soluções, de ter um onze com mais dimensões, para ter capacidade para lidar com diferentes formas de encarar o jogo quer da sua parte que pela parte do adversário. Prova disso são as contratações de Lucas Moura e mais recentemente Tanguy Ndombélé.

No que toca ao Everton, o contra-ataque parece ser a sua arma de eleição. Num possível onze com Richarlison, Calvert-Lewis, Moise Kean e Alex Iwobi, os azuis de Liverpool são, em teoria, uma equipa extremamente complicada de bater e principalmente de manter em branco. Não é o que dizem os atuais resultados, já que em oito jogos o Everton ficou em branco em metade deles, mas ainda assim, e na teoria, marcar golos tem obrigatoriamente que ser um ponto forte do clube do norte de Inglaterra.

Como parece mais uma vez ser, este é outro ponto a favor do Everton, caso este avance para o interesse oficial em José Mourinho.

Projeto vs Projeto

Um pouco no seguimento do que foi abordado acima. Que expectativas, que objetivos terão um e outro. Igualmente, o que atrairá e o que encaixará mais na personalidade e qualidades de José Mourinho?

É sabido que a qualidade dos rivais nos tendem a puxar para cima. Em Liverpool, além da rivalidade ser levada muito a sério entre os principais clubes da cidade, a qualidade do Liverpool deveria, neste momento, elevar a qualidade de jogo do Everton e, consequentemente, dos seus resultados. Um treinador que consiga explorar essa dinâmica na perfeição poderá retirar bons resultados disso mesmo e levar a que os seus jogadores rendam ainda mais em função dessa vertente competitiva.

Se José Mourinho se tornou famoso por diversos motivos, entre eles estará, sem margem para dúvidas, a forma como motiva a sua equipa em função do adversário e do seu rival mais próximo. Com o tal o ‘projeto’ Everton, em comparação com o do Tottenham, cuja luta com o Arsenal parece ser mais comercial que histórica, este poderá ser mais ao gosto do treinador português e a fase em que este se encontra na sua carreira.

Tendo em conta que José Mourinho, desde a saída do United, se manteve em Inglaterra, comentando para a televisão inglesa e que, veio a público, terá rejeitado uma proposta do Olympique Lyonnais (nas palavras do seu presidente Jean-Michel Aulas, Mourinho não aceitou a proposta do clube francês visto já ter escolhido o seu próximo clube a treinar) e tendo conta o facto de Mourinho se sentir como peixe na água em Inglaterra e não esconder a sua admiração pelo campeonato britânico, é muito provável que um dos dois clubes ingleses seja mesmo o próximo destino do consagrado técnico português.

O tempo, que já não será muito para ambos os treinadores em questão, dir-nos-á se estas hipóteses se colocam e se os pontos que referimos acima poderão ser equacionados no regresso de José Mourinho ao trabalho como treinador de futebol.

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