Os dez pontos de vantagem que conseguiu no Brasileiro não importarão. Em 90 minutos, Jorge Jesus enfrenta o seu maior desafio até aqui para levar o Flamengo até à final da Copa Libertadores pela primeira vez desde 1981, quando Zico e companhia levantaram o caneco. Se ganhar o Brasileirão, jogar um futebol atrativo e conquistar a massa de torcedores do Flamengo já pode fazer desta passagem de Jorge Jesus pelo Brasil muito marcante, levantar o troféu sul-americano pode alçá-lo a uma condição quase messiânica, com o perdão do trocadilho.

O Flamengo vem numa toada de crescimento e organização fora de campo, mas esteve sempre longe de transformar dinheiro em hegemonia no campo. Este ano, principalmente, com grandes contratações, o bom desempenho em campo era fundamental. Se analisarmos friamente, o Flamengo sempre foi maior pela torcida e espaço nos media do que pelos títulos. Muito vencedor nos anos 80 e começo dos anos 90, a sua predominância no futebol carioca nunca se extrapolou para fora do país e a Libertadores sempre foi um grande desafio.

Do outro lado, um Grêmio super consistente e pelo terceiro ano consecutivo nas meias-finais da Libertadores, com uma equipa que propõe o jogo e controla a partida sob o comando de Renato Gaúcho (ídolo tanto do Grêmio como do Flamengo). Renato Portalupi, Gaúcho de nascimento e Carioca de coração, faz milagres com jogadores que não são unânimes, alguns como Bruno Cortez (que os torcedores do Benfica poder-se-ão lembrar) e Maicon, que passaram por outros clubes sem deixar saudade, enquanto revelou jovens brilhantes como Arthur, hoje no Barcelona, e Everton, destaque da equipa neste ano.

O confronto, em campo, promete um embate de alto nível de futebol ofensivo e um confronto tático e psicológico altamente exigente. Renato conhece o Maracanã lotado e os seus jogadores tem bom histórico em confrontos como este, além da tradição do Grêmio em jogos a eliminar. O Flamengo tem o embalo do bom momento no Brasileirão, a força da sintonia entre arquibancada e treinador, mas tem a obrigação de vencer e o peso da expectativa.

A chave para o confronto está no controlo do meio campo. O Flamengo vai pressionar e marcar alto, tem laterais de nível mundial, mas que já não são meninos, e pode dar espaços para a criatividade de Luan e para o contra-ataque pelos lados, onde Everton costuma ser mortal. Por outro lado, se conseguir controlar o jogo e impor a sua qualidade, como fez fora de casa, o meio campo rubro-negro cria muitas oportunidades e sufoca o adversário, tem muita qualidade individual para resolver o jogo e o barulho do Maracanã pode ser o golpe fatal para matar o confronto, que se iniciou com um 1-1 em Porto Alegre.

O vencedor enfrenta, em jogo único a ser disputado em Santiago, no Chile, o sobrevivente da meia-final argentina entre Boca Juniors e River Plate, neste momento com vantagem para os Millonarios. 

Apesar da tensão e do nervosismo, comuns em jogos como este, há uma grande chance de vermos um jogo épico nesta quarta. Uma inspiração de futebol de alta qualidade para um empobrecido futebol brasileiro e um belo espetáculo, em campo e fora de campo, para o fã europeu que for corajoso para ficar acordado até o horário da partida. Vale a pena olhar para o Maracanã nesta quarta-feira.

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