FIFA bem representada

Sacudida desde há meses por um imenso escândalo de corrupção, a FIFA está muito presente nos milhões de documentos divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês). São citados dois ex-vice-presidentes da entidade, o francês Michel Platini e o uruguaio Eugenio Figueredo.

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Platini, suspenso por seis anos de qualquer atividade relacionada com o futebol por receber um pagamento indevido de 1,8 milhões de euros do ex-presidente da FIFA Joseph Blatter, teria recorrido aos serviços da firma jurídica Mossack Fonseca em 2007, ano em que foi eleito presidente da Uefa.

Figueredo, indiciado em dezembro por fraude e lavagem de dinheiro pela investigação do escândalo na FIFA, aparece na lista devido à sua ligação com seis empresas "offshore" para as quais teria trabalhado o advogado uruguaio Juan Pedro Damiani, presidente do clube de futebol Peñarol e ex-membro da Comissão de Ética da FIFA. Os documentos divulgados apontam também para quatro dos 16 dirigentes da FIFA indiciados nos Estados Unidos, assim como quatro empresários ligados ao caso, que utilizaram companhias "offshore" criadas pela Mossack Fonseca.

Por último, Jerome Valcke, ex-secretário-geral da FIFA, demitido há três meses, também aparece nos "Panama Papers". O francês aparece como proprietário de uma empresa radicada nas Ilhas Virgens britânicas, que aparentemente serviram para comprar um iate registado sob a bandeira da Ilhas Cayman.

Jogadores de futebol (e não só) não escapam

Os documentos revelam também que muitos jogadores de futebol, empresários, dirigentes e até clubes recorrem ou recorreram a empresas em paraísos fiscais, principalmente para efetuar pagamento de direitos de imagem. A ICIJ cita "cerca de 20 jogadores de alto nível, aposentados ou em atividade, representantes de alguns dos clubes de futebol mais importantes do mundo, entre eles Barcelona, Manchester United e Real Madrid".

Um dos jogadores que tem o nome citado é o argentino Lionel Messi, cinco vezes eleito melhor jogador do mundo. O argentino, que está a ser julgado em Barcelona por fraude fiscal, aparece nos "Panama Papers" como co-proprietário, junto com o pai, de uma companhia radicada no Panamá, a Mega Star Enterprises. Este nome aparece pela primeira vez nos documentos da Mossack Fonseca em 13 de junho de 2013, ou seja, um dia depois de a procuradoria de Barcelona ter aberto um processo contra Messi por fraude fiscal. Os documentos mostram que, em 23 de junho de 2013, Messi e o pai eram oficialmente proprietários da empresa.

Outros jogadores famosos, como o avançado chileno Iván Zamorano ou o argentino Gabriel Heinze, ambos ex-jogadores do Real Madrid, também são citados, em ambos os casos por questões de gestão de direitos de imagem. Heinze também teria criado em 2005 uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, através da qual recebeu pagamentos da marca desportiva Puma. Oficialmente, a proprietária da empresa era a mãe do jogador.

Os documentos mostram também como o clube espanhol Real Sociedad pagou muitos jogadores estrangeiros entre 2000 e 2008 através de sociedades "offshore" instaladas em paraísos fiscais.

Mas o futebol não é o único desporto envolvido nestas práticas financeiras suspeitas. Aparecem também pelo menos 11 ex-jogadores da NHL, a Liga norte-americana de hóquei, que recorreram aos serviços da Mossack Fonseca para criar estruturas "offshore". O golfista britânico Nick Faldo, vencedor de seis torneios de Grand Slam, foi citado como proprietário de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas.

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