Se no final da primeira parte dissessem a qualquer adepto do Benfica que no final dos 90 minutos haveria lágrimas para os lados de Alvalade, fruto de uma goleada histórica frente ao seu rival de sempre, poucos acreditariam. Afinal de contas, os primeiros 45 minutos foram equilibrados, apesar da vantagem que os encarnados levavam para o descanso. O Sporting, de resto, criou três ocasiões claras de golo antes de Rafa abrir o ativo, depois de passe primoroso de Pizzi. E tudo parecia encaminhar-se para uma segunda metade similar à primeira: uma partida equilibrada, bem disputada, com a intensidade que (quase) todos os dérbis oferecem.

Mas não foi isso que aconteceu.

Quando uma desconcentração entre Coates e Mathieu deu a Rafa a hipótese de assistir Pizzi para o segundo golo das águias, o Sporting quebrou. Física e psicologicamente. E o jogo não mais foi o mesmo.

O Benfica, experiente, não facilitou, e arrancou para um resultado volumoso em que a eficácia teve um papel fundamental. Os golos de Grimaldo (execução exemplar de um livre direto), Pizzi (novamente assistido por Rafa) e Chiquinho (mesmo a fechar a partida) foram resultado de uma equipa que tentou ser competitiva e competente do início ao final da partida. Não fazendo uma exibição de gala, os encarnados mostraram aquilo que tem sido seu apanágio nos últimos anos: uma facilidade tremenda em aproveitar erros alheios para ganhar vantagem.

É certo que a “novela” Bruno Fernandes não pode ter ajudado os leões. É certo que o Sporting não tinha ainda vencido na pré-época. É também certo que o trio de centrais com que Marcelo Keizer iniciou a partida jogava pela primeira vez junto. Mas isso não desculpa o descalabro leonino depois do segundo golo do Benfica, que teve um efeito atordoante no Sporting e originou uma quebra física e mental que permitiu ao Benfica marcar mais três golos sem precisar de colocar o pé no acelerador.

Apesar da boa exibição de Thierry Correia (que acabou o jogo em lágrimas) e do fulgor físico de Doumbia e Wendel (até meio da segunda parte), o Sporting não teve argumentos para correr atrás do prejuízo e fazer frente a um Benfica que pareceu quase sempre mais preparado para os vários momentos do jogo.

A começar por Vlachodimos.

Na pré-época, muito se falou de uma nova contratação para a baliza encarnada (o italiano Perin veio a Lisboa mas logo voltou para Itália, não sendo ainda claro se vai ingressar no Benfica). Mas isso não desmotivou o guardião grego, que com três intervenções de grande qualidade negou o golo ao Sporting e manteve as suas redes invioladas até Rafa colocar as águias em vantagem.

Mas se a segurança de Vlachodimos foi decisiva para a vitória, as exibições de Florentino (mais uma pérola do Seixal, com uma maturidade e segurança que impressionam num jovem de 19 anos), Rafa (parece que anda sempre de mota quando outros pedalam uma bicicleta), Raúl de Tomás (que apesar de não marcar “fez” de Jonas na medida em que tentou procurar a bola e servir os companheiros, para além de aparecer em zonas de finalização e de tentar visar a baliza de Renan) e Pizzi (dois golos e uma assistência, é preciso dizer mais?) mostram que o Benfica está bem e recomenda-se.

E que na escola do professor Lage a lição continua bem estudada.

Bitaites e postas de pescada 

O que é que é isso, ó meu(s)?

O Sporting entrou na 2.ª parte com vontade de dar a volta à partida e nos primeiros minutos parecia estar a fazer por isso. Mas deitou tudo a perder numa desconcentração dos dois homens que têm sido os esteios da defesa leonina nos últimos anos. A descoordenação entre Coates e Mathieu, que pareciam ter o lance controlado na área sportinguista depois de uma recuperação de bola do uruguaio, permitiu a Rafa recuperar a bola em zona probida para os leões e posteriormente assistir Pizzi para o 2-0. A partir daí o Sporting quebrou e o resto foi um avolumar de erros que deram num resultado histórico em jogos entre as duas equipas.

Pizzi, a vantagem de ter duas pernas

Quando numa iniciativa do Canal11 (o recém-estreado canal de TV da Federação Portuguesa de Futebol), Bruno Lage e Marcel Keizer fizeram a antevisão da partida e revelaram os jogadores que mais admiram no conjunto adversário, o técnico holandês destacou Grimaldo e Pizzi. De facto, é difícil não gostar do médio português, autor de uma grande época na temporada passada, que talvez tenha sido um pouco ofuscada por um super-Bruno Fernandes. Pizzi (que na temporada passada marcou 13 golos e fez 18 assistências! no campeonato) não engana e, tal como referiu na flash interview, com ele em campo o Benfica joga de forma simples e eficaz. Hoje, parecia que nem tinha ido de férias: marcou dois golos e fez uma assistência, mostrando que as performances das últimas épocas, em que foi um dos esteios da equipa, são para a continuar.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

O gesto técnico de Gabriel a fazer passar a bola por cima de Raphinha e a sair com toda a calma do mundo da sua zona defensiva foi de encher o olho. O túnel de Raúl de Tomás no meio campo, sobre Bruno Fernandes, fez entusiasmar os já contentes adeptos encarnados. Mas numa altura em que, depois de um claro domínio encarnado, o Sporting equilibrava as contas da primeira parte, Pizzi abriu o livro e com um passe milimétrico para Rafa dá ao extremo das águias a hipótese de abrir o marcador. E se o passe foi teleguiado, a finalização – de primeira, com o pé esquerdo e sem deixar a bola cair no chão –, não ficou atrás. Estava dado o primeiro passo para a vitória benfiquista.

Nem com dois pulmões (e duas asas) chegava a essa bola

É certo que Renan poderia estar mais próximo do seu poste esquerdo aquando do livre de Grimaldo que deu o 3-0 às águias. Mas o jogador espanhol colocou a bola tão encostada ao poste que nem com duas asas o guardião leonino lá chegava.

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