Os dados estão lançados. É o all-in numa corrida, por sinal a última da temporada, que definirá quem fica em primeiro. Max Verstappen ou Lewis Hamilton, um deles será coroado campeão mundial de Fórmula 1 assim que sejam percorridos os 306.183 quilómetros das 55 voltas ao circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi.

Em 555 pontos possíveis ao longo da época, Max e Lewis apresentam-se iguais na pontuação: 369.5 pontos. Uma curiosidade estatística que transporta os fãs da modalidade para a repetição de um cenário com quase 50 anos. É necessário recuar a 1974 para testemunhar situação idêntica em mais de 70 anos de Fórmula 1.

A 6 de outubro desse ano, no autódromo de Watkins Glen, no Estado de Nova Iorque, palco do GP dos Estados da América entre 1961 e 1980, o brasileiro Emerson Fittipaldi (Mclaren-Ford) partiu da grelha de partida em igualdade pontual com o suíço Clay Regazzoni (Ferrari). Fittipaldi terminou em 4º, somou 3 pontos, contra zero de Regazzoni (11º), foi consagrado bicampeão mundial e entregou de bandeja o título, o primeiro, de construtores à Maclaren.

Os cenários e as contas do título. Max e Lewis ganham se...

De regresso a 2021, 1056º grande prémio da prova maior do automobilismo mundial, os dois pilotos partem lado a lado na tabela mas separados por uma vitória. Uma diferença que pode dar vantagem e sobre a qual poderá recair o ponteiro da roda da fortuna. O fator de desempate pende a favor do corredor dos Países-Baixos. Max (Red Bull) soma 9 vitórias nos 21 Grandes Prémios contra oito do inglês, Lewis Hamilton (Mercedes). 

Dentro das pontuações (do 1º ao 10º lugar), quem terminar à frente do outro subirá ao lugar mais alto do pódio da época e sagrar-se-á campeão mundial. É o tal “the winner takes it all”, ou “o vencedor ganha tudo”, na tradução.

Para Lewis Hamilton, 36 anos e 15 temporadas ao volante de um F1, poderá representar o 8º título mundial. Uma conquista que lhe permite bater o recorde do alemão Michael Schumacher. Max Verstappen poderá estrear-se na galeria dos campeões mundiais. O que a acontecer será o quarto mais jovem de sempre e o primeiro holandês.

O título sorrirá pela primeira vez ao jovem Verstappen, 24 anos, oitava temporada ao volante do monolugar da categoria maior do automobilismo (estreia em 2015, aos 17 anos) caso: termine à frente de Hamilton, este desista ou beneficiando de ponto bónus pela volta mais rápida. Se terminar na 10ª posição e o inglês for apenas 9º, um cenário inédito de empate – algo que nunca aconteceu – entrará em jogo o tal critério do maior número de vitórias durante o ano.

Hamilton conquistará o oitavo título se terminar entre os 10 primeiros acontecendo o abandono do piloto dos Países-Baixos.

Um “chega para lá” pode significar um título

Após os acontecimentos da penúltima prova da temporada, em Jeddah, GP da Arábia Saudita – o jovem Max foi penalizado pelo comportamento em pista -, nas horas que antecedem a decisão final um hipotético e eventual “acidente” que provocasse o abandono dos dois pilotos (Max tem vantagem no confronto direto) veio à superfície das discussões.

Na antevisão, Lewis Hamilton disse “não perder energia nesse tipo de coisas”, acreditando que “todos correm para ganhar. Gostaria de acreditar que todos o querem fazer da forma correta para não deixar que isso me entre na mente”, antecipou. “Vamos a todo o vapor como o mesmo foco e não desperdiçamos energia em coisas que estão fora do nosso controle”, finalizou.

Por sua vez, Max afastou o cenário de eventuais colisões propositadas para fechar as contas do título. “Como piloto, não pensamos nisso. Como equipa queremos fazer o melhor que pudermos e, claro, tentar ganhar a corrida. Os media começam a falar dessas coisas, mas eu não tenho nenhum comentário a fazer”, sentenciou. “Sei o que está no Código desportivo. Não necessito que o recordem”.

 O mano a mano ao longo de 21 corridas

No filme da temporada a prestação de Lewis Hamilton e Max Verstappen faz lembrar um célebre anúncio das canetas BIC – Laranja e Cristal.

Hamilton começou por triunfar no início da época, no GP do Bahrain, a 28 de março, terminando Verstappen em 2º lugar.

Oito meses depois, repetiu-se a história no pódio, no GP da Arábia Saudita. O inglês foi o primeiro a ver a bandeira de xadrez. Max cheirou o escape.

Pelo meio, os dois pilotos dividiram os louros de “ora ganhas tu, ora ganhou eu”, ficando o outro no lugar imediatamente abaixo, em 13 grandes prémios. Entre eles, Portimão, Imola, Sochi, Interlagos ou Paul Ricard. Cada um deles triunfou em casa, nos Países Baixos, em Zandvoort, e na Grã-Bretanha, em Silverstone.

O peso de Yas Marina

Olhando para a história do circuito, Lewis Hamilton já venceu por cinco vezes em Abu Dhabi e nos últimos cinco anos partiu da pole position por três vezes. Exceção feita à corrida do ano passado (Lewis Hamilton já campeão e regressado de um período em que contraiu Covid-19) na qual Max triunfou e partiu em primeiro da grelha.

Ao longo da história da F1 a corrida final ditou campeões de última hora no último movimento ascendente e descendente, em forma circular, da bandeira de xadrez. Entre os dramas finais mais célebres, Niki Lauda já ganhou por 0,5 pontos a Alan Prost, no autódromo do Estoril, em 1984, por exemplo, e em 2016, a última vez que o título ficou decido na última corrida, Hamilton perdeu para Nico Rosberg. Um campeonato decidido, curiosamente, em Abu Dhabi, palco final que já inclinou as contas do título em três ocasiões.

O piloto alemão vingou-se da derrota sofrida (para o inglês) ocorrida dois anos antes no traçado de Yas Marina, pista que recebe o Circo da F1 pela 13ª vez, a 10ª como encerramento da temporada, a oitava consecutiva. Em 2010, Sebastian Vettel (Red Bull) destronou Alonso (Ferrari) na derradeira prova.

Caso para dizer: que ganhe o melhor, o que no caso concreto poderá significar a corrida e o título mundial. De pilotos e construtores, onde nada está fechado. A Mercedes (587.5 pontos) parte em busca do oitavo consecutivo. Tem à perna a Red Bull (559.5).

Domingo será o último sinal verde a dar a partida para a corrida do século.

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