Os desempenhos da primeira metade da época começam desde cedo a compor as primeiras páginas dos jornais. Surgem rumores, novelas, pré-acordos. As decisões dos treinadores em colocar determinado jogador no banco ou a titular vão permitindo medir o nível de veracidade do rumor. Os desempenhos também ajudam a perceber se um jogador está feliz onde está.

Mas até ao dia 1 de janeiro tudo isso não passa de suposições. Nos mercados europeus, de Inglaterra a Portugal, só com o início do novo ano é que novos jogadores podem integrar as equipas. É aqui que o nevoeiro se começa a dissipar e as transferências começam a ocorrer em catadupa. Este é um apanhado das principais histórias que alimentaram a janela de transferências de janeiro e como nenhuma delas parece importante depois do que aconteceu no dia 21 de janeiro.

Christian Pulisic

Todos temos aquele amigo que gosta de tratar dos presentes antecipadamente, que faz as compras de Natal ainda nos saldos de verão. O Chelsea foi esse amigo neste defeso, ao protagonizar o maior negócio de inverno garantindo a compra de Christian Pulisic por 64 milhões de euros junto do Borussia Dortmund. O jovem talento norte-americano, um dos rostos mais entusiasmantes do gigante alemão que por esta altura segue isolado rumo ao título da Bundesliga, já não foge, mas só integrará o plantel dos londrinos no verão.

créditos: EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Gonzalo Higuaín

Depois de Maurizio Sarri ter constatado na primeira metade da temporada que Álvaro Morata não era o homem indicado para o novo modelo de jogo do Chelsea, o italiano iniciou a busca por um avançado capaz de participar ativamente no processo ofensivo e que, ao mesmo tempo, fosse um finalizador nato. A meditação de Sarri não deve ter sido longa, uma vez que se reencontrou com as memórias do seu matador de serviço nos tempos em que orientou o Nápoles. Assim, ainda em dezembro, nasceu o rumor de que Gonzalo Higuain estaria de partida para Inglaterra. A história, como qualquer boa história de amor, neste caso entre treinador/jogador, não foi fácil. Muito se escreveu sobre a ida ou não do argentino para Terras de Sua Majestade - até se chegou a falar num regresso à Juventus, equipa pela qual estava emprestado ao AC Milan -, mas tudo acabou em bem e o segundo empréstimo do antigo craque do Real Madrid esta época fez-se por nove milhões de euros. Um reencontro feliz.

créditos: EPA/DANIEL DAL ZENNARO

Álvaro Morata

O futebol moderno é isto: quando um dos clubes refundado sobre fortunas milionárias decide arrumar a casa, entra nos primeiros lugares do top de transferências de um defeso. Desta feita o Chelsea não comprou, mas tratou de que Álvaro Morata não ficasse sem espaço no plantel. O internacional espanhol foi emprestado ao Atlético Madrid e a todos aqueles que na linha anterior se preparam para insurgir e atirar um “traidor” ao ar, uma vez que enquanto profissional, Morata conseguiu as maiores conquistas da carreira com o emblema do Real Madrid ao peito, palmarés esse que inclui duas Ligas dos Campeões, saiba que o avançado começou a sua formação como Colchonero. Olhar para esta transferência como uma traição ou um regresso a casa caberá a cada um, é como a história do copo meio vazio ou meio cheio.

créditos: Pedro Carreira

Leandro Paredes

Há muito tempo que Adrien Rabiot e o FC Barcelona se andam a namorar nas manchetes dos jornais. A contratação de Leandro Paredes pelo Paris Saint-Germain parece apenas querer dizer que o namoro vai dar em casamento muito em breve (provavelmente durante o tradicional verão dado a bodas). O negócio fez-se por 47 milhões de euros e é o regresso do argentino aos grandes palcos do futebol europeu (já passou pela AS Roma) depois de uma temporada no Zenit, na Rússia.

créditos: ANATOLY MALTSEV/EPA

Paulinho

O regresso de Paulinho à China, ao Guangzhou Evergrande, pode ser outro sinal de que Rabiot e o FC Barcelona podem mesmo estar para dar o nó. O brasileiro, que foi peça importante nas conquistas Blaugranas da temporada passada, regressa assim ao clube onde já se tinha sagrado tricampeão, ousando contrariar o famoso ditado popular: não voltes onde já foste feliz. O negócio permite aos catalães encaixar nada mais, nada menos do que 42 milhões de euros.

créditos: Gavin Barker/EPA

Lucas Paquetá e Krzysztof Piatek

O AC Milan quer ser grande outra vez. Tentou-o pela via do ataque, com Gonzalo Higuain como protagonista da frente, o argentino que tinha sido um dos goleadores em maior destaque da Serie A nos últimos anos. Mas com o ex-Juventus de pontaria pouco afinada - e com os cruzamentos do pé mágico de Suso a merecerem melhores desfechos - o clube milanês viu-se obrigado a recorrer a uma daquelas velhas máximas: quem não tem cão, caça com gato. Os felinos custaram, no seu conjunto, 70 milhões de euros (ME). Mas Lucas Paquetá (35 ME), vindo do Flamengo, e Krzysztof Piatek (35 ME), vindo do Génova, têm mostrado que muitas vezes a resposta para o sucesso imediato não é o óbvio.

créditos: MATTEO BAZZI/EPA

Talisca

A transferência já foi protagonizada há uns meses, mas entra para as contas deste defeso, uma vez que já foi feita depois da janela de verão ter fechado. Era um caso inevitável de libertação de um atleta que se incompatibilizou com a direção e que depois de ter festejado de forma tão efusiva um golo diante do Benfica, a sua antiga equipa, num jogo da Liga dos Campeões, quando representava o Besiktas, nunca mais poderia voltar a vestir de vermelho no estádio da Luz. O brasileiro emigrou para a China para vestir a camisola do Guangzhou Evergrande onde ainda foi a tempo de exibir a qualidade do seu pé esquerdo. Fez 16 golos em apenas 18 jogos e rendeu 19,2 milhões de euros aos encarnados.

Cesc Fàbregas

A história que Fàbregas carrega não permite que o internacional espanhol seja um mero suplente, seja em que equipa for. Sem espaço no meio-campo de Maurizio Sarri, preenchido pelo físico de Jorginho e Kovacic e pelo incansável N’golo Kanté, o antigo Gunner mudou-se para o Mónaco para tentar ajudar a salvar a turma (novamente) liderada por Leonardo Jardim que se encontra numa situação desconfortável nos lugares de despromoção da liga francesa. É uma daquelas histórias que qualquer fã do desporto-rei gosta: um atleta de topo que não se conforma com a velhice e que procura um lugar para continuar a jogar futebol ao mais alto nível, ao invés de se refugiar num campeonato distante.

créditos: SEBASTIEN NOGIER/EPA

Amadou Haidara

Talvez a publicidade da Red Bull, que nos promete asas, não seja assim tão fantasiosa. Que o diga Amadou Haidara que ‘voou’ de Salzburgo para Leipzig, dois clubes detidos pela marca de bebidas energéticas. O jovem maliano vai assim, por 19 milhões de euros, passar a vestires as cores da equipa que ajudou a eliminar na fase de grupos da atual edição da Liga Europa.

créditos: ANDREAS SCHAAD/EPA

Mario Balotelli

As vidas não terminam para o ‘Super Mario’. Quando o ponta de lança parece começar a desaparecer do mapa, a verdade é que arranja sempre forma de voltar ao topo. Depois de duas temporadas a alto nível no Nice, o italiano teve um início de época amargo e parte agora para Marselha para recuperar a carreira. Começou bem: um jogo, um golo.

créditos: GUILLAUME HORCAJUELO/EPA

Gelson Martins

O Atlético Madrid parece ter uma especial capacidade em recrutar talento em Portugal e… não conseguir tirar o devido proveito dele. Se Oblak, Diego Costa, Falcao e, em outros tempos, o incontornável Paulo Futre, nos podem fazer olhar para os negócios entre o clube de Madrid e os emblemas portugueses com bons olhos, nomes como Insúa, Guilherme Siqueira, Sílvio, Pizzi, Diogo Jota, Jackson Martínez, Zé Castro, André Moreira ou Nico Gaitán fazem-nos revirar os olhos. Gelson Martins é o mais recente nome a juntar-se a este último leque de atletas. O extremo do Sporting que abandonou Alvalade na sequência do ataque à Academia de Alcochete não conseguiu mostrar o seu valor na primeira metade da temporada. Em França, no Mónaco, por empréstimo dos Colchoneros, vai tentar mostrar a Diego Simeone que não se esquece de como se anda de bicicleta (e no primeiro jogo ao serviço dos monegascos fez logo questão de distribuir duas assistências para golo).

créditos: EPA/Alejandro Garcia

Robinho e Demba Ba

Se alguém inventou uma máquina de viajar no tempo, essa tecnologia estará neste momento na Turquia, nas instalações do Basaksehir. O emblema turco junta neste defeso dois nomes que já estiveram entre os grandes do futebol europeu, Robinho (ex-Real Madrid e Manchester City) e Demba Ba (ex-Chelsea), a um plantel recheado de antigos talentos e eternas promessas que ficaram esquecidas no tempo como Eljero Elia, Arda Turan, Emmanuel Adebayor, Gökhan Inler, Gael Clichy ou o nosso bem conhecido Márcio Mossoró. Para que esta referência fique devidamente ilustrada, deixamos aqui uma imagem de Robinho noutros tempos:

Kevin-Prince Boateng

Foi a bomba do mercado. Não pelo valor, mas pelo efeito surpresa. O FC Barcelona queria reforçar o ataque e escolheu Kevin-Prince Boateng para colmatar o espaço em falta, o mesmo jogador que há dois anos chumbou nos exames médicos do Sporting CP e falhou assim a sua ida para Alvalade. Não há muito que se possa escrever sobre esta transferência a não ser que será esperar para ver se este foi um movimento de génio ou... kamikaze.

créditos: EPA/ANDREU DALMAU

Wu Lei

Há 13 anos a brilhar na China com a camisola do Shanghai SIPG, é altura de o Maradona chinês mostrar o que vale na Europa. Wu Lei, melhor marcador da Super League a temporada passada, assinou pelo Espanyol de Barcelona por dois milhões de euros. Será um teste para o campeonato chinês, ver como um dos maiores talentos produzidos internamente numa liga que se procurou ocidentalizar para aprender e melhorar consegue vingar num dos campeonatos mais competitivos do mundo.

créditos: Andreu Dalmau/EPA

Emiliano Sala

Há sempre boas histórias numa janela de transferências, porque o futebol é humano e à medida que o tempo passa cada atleta vai deixando um rasto. Quando se dão reencontros, traições e ‘explosões de talento’ as histórias fazem-se sozinhas para deleite dos fãs mais atentos. Mas neste desfecho quase nada do que foi escrito acima interessa porque tudo se resume a Emiliano Sala. O argentino era um dos protagonistas deste mercado de transferências, contratado pelo Cardiff, clube da Premier League, ao Nantes de França por 17 milhões de euros. Desapareceu num desastre de avião no regresso para o País de Gales, depois de se ter ido despedir dos antigos colegas de equipa. Recordado como um grande ser humano e como um bom avançado, esta janela de transferências não fica marcado pelas movimentações que se fizeram, mas, infelizmente, por aquela que tragicamente não aconteceu.

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