Quando na segunda-feira à noite, a imprensa noticiava que o avançado alemão Luca Waldschmidt e quatro outros jogadores do SL Benfica tinham testado positivo à covid-19, não era possível imaginar que a terça-feira que se seguiria iria começar com a confirmação de que no clube da Luz tinham sido identificados 17 casos de infeção pelo novo coronavírus entre atletas, staff técnico e dirigentes.

Na véspera do encontro da meia-final da Taça da Liga, os encarnados viam-se impedidos de contar com Gilberto, Vertonghen, Grimaldo, Diogo Gonçalves e Waldschmidt para defrontar o Sporting de Braga na Final Four que decorre hoje em Leiria. Um número que aumentaria já esta quarta-feira, no próprio dia do encontro, com a notícia de que Nicolás Otamendi e Nuno Tavares tinham testado também positivo à covid-19.

A situação deixa o treinador Jorge Jesus sem grande parte das habituais opções para os próximos jogos, com a equipa a ter toda a defesa, com exceção do guarda-redes Vlachodimos, infetada com o novo coronavírus. Os laterais Gilberto, Grimaldo, que na última jornada, na visita ao FC Porto (1-1), jogou a extremo, e Nuno Tavares são baixas, e os habituais centrais, casos do belga Vertonghen e do argentino Nicolas Otamendi também.

Os problemas aumentam para as ‘águias’ com a indisponibilidade também de Diogo Gonçalves, às vezes adaptado a lateral direito, num surto que ‘apanhou’ ainda o avançado Luca Waldschimdt. E com a possibilidade de o treinador poder não contar com Everton, com a imprensa a adiantar que o jogador internacional brasileiro está em isolamento e não deverá ser convocado, depois de a sua mulher ter um teste positivo.

Para além dos sete jogadores, o Benfica conta ainda com 12 membros do staff infetados, João de Deus, Pietra, Tiago Oliveira (adjuntos) Mário Monteiro, Márcio Sampaio (preparadores físicos), Paulo Lopes e Fernando Ferreira (treinadores de guarda-redes), Gil Henriques (analista), Telmo Firmino e Paulo Rebelo (fisioterapeutas), Evandro Mota (psicólogo) e Luisão (diretor para o futebol) que também é presença assídua no banco de suplentes.

A única exceção do staff é ser Jorge Jesus, que tinha testado negativo à covid-19, mas que foi até às últimas horas do dia uma dúvida devido a "aparentes sintomas gripais". No entanto, após novo teste, não se traduziu num caso positivo.

Ou seja, tão imprevisível quanto o 11 das águias, será a composição do banco da equipa técnica onde, neste momento, o único nome certo é o de JJ.

Para além do staff e jogadores, também Luís Filipe Vieira testou positivo à covid-19, confirmou o clube, acrescentando que este se encontrava assintomático.

A dúvida do Benfica e o silêncio da Liga

O surto no clube da Luz levantou imediatamente dúvidas se seria ou não possível a equipa apresentar-se diante dos arsenalistas para disputar a eliminatória, o que colocava o formato da Final Four em causa, uma vez que a competição decorre em apenas cinco dias e em eliminatórias 'mata-mata'. A primeira meia-final foi disputada esta terça-feira, onde o Sporting CP levou a melhor sobre o FC Porto (2-1), a segunda acontece esta quarta-feira e a final decorre no sábado. Tudo isto no mesmo estádio, o Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, a cidade anfitriã da fase decisiva da competição esta temporada.

Apesar das baixas e do estranho e imprevisível quadro que será o banco encarnado, o Benfica informou que iria marcar presença no jogo, em contraste com o silêncio da Liga de Clubes que em nenhum momento se pronunciou sobre o caso ou mencionou a existência de um plano B caso, por razões sanitárias derivadas da pandemia, as águias não pudessem disputar o encontro.

“Após ter exposto publicamente, de forma cautelar e transparente, o aumento de casos de covid na sua estrutura profissional, não recebeu por parte das autoridades competentes – DGS e Liga de Clubes – qualquer recomendação contrária às regras até agora vigentes nas competições nacionais. Ou seja, proceder ao isolamento dos jogadores que testaram positivo e incluir no lote de atletas à disposição da sua equipa técnica todos aqueles que testaram negativo, 48 horas antes da partida”, lê-se no comunicado.

Por outro lado, o Benfica manifestou que tem cumprido “escrupulosamente” as normas e recomendações das autoridades competentes e revelou que, “ao longo da época, realizou mais de 7.000 testes SARS-CoV-2 a todos os elementos da sua estrutura profissional”, algo que “se situa claramente acima das orientações da DGS e do que se encontra estipulado pela Liga de cubes”.

No calendário do Benfica para os próximos 14 dias, além da meia-final da Taça da Liga, em Leiria, onde poderá ter de disputar a final da prova, no sábado, incluem-se também os jogos em casa com Nacional (15.ª jornada da I Liga) e Belenenses SAD, para os quartos de final da Taça de Portugal, e a visita ao Sporting (16.ª jornada).

De acordo com o plano de retoma do futebol profissional, "os atletas e equipas técnicas da equipa na qual foi identificado um caso positivo podem ser considerados contactos de um caso confirmado”.

“No entanto, a identificação de um caso positivo não torna, por si só, obrigatório o isolamento coletivo, das equipas. A determinação de isolamento de contactos (de praticantes e outros intervenientes), a título individual, é de estrita competência da Autoridade de Saúde territorialmente competente", acrescenta o mesmo documento da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

Este plano, que vigora desde 7 de setembro de 2020, determina que todos os infetados, sintomáticos ou não, devem ser isolados, "ficando impossibilitados de participar em treinos e competições até à determinação de cura deliberada pela Autoridade de Saúde territorialmente competente".

*Artigo atualizado às 11h07 com a infomração do comunicado em que o SL Benfica informa que Nicolas Otamendi e Nuno Tavares também testaram positivo à covid-19

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