“Foi uma decisão difícil, mas temos esperança de que, mais cedo ou mais tarde, possamos voltar, se houver para onde voltar”, afirma à agência Lusa Roman Fomichenko, que agora ‘veste a camisola’ do Aminata Évora Clube de Natação.

Antigo internacional de polo aquático pela Ucrânia, Roman Fomichenko, de 49 anos, é treinador da modalidade e tinha a sua própria escola de natação na cidade ucraniana de Dnipro, no sudeste do país.

Chegado ao Alentejo há poucas semanas, Roman, que reforçou a equipa técnica de polo aquático e também de natação do clube de Évora, acompanha de perto mais um treino da equipa de sub-12, onde também alinha um dos seus três filhos.

Sempre junto ao tanque de água, o antigo internacional ucraniano não perde de vista as jogadas e até dá instruções aos jovens jogadores. Por enquanto, através de gestos, porque a língua portuguesa é desconhecida e o seu inglês é “médio”.

“A adaptação não é muito complicada, porque muitas pessoas falam inglês e nós falamos um pouco”, assinala o treinador, que tem outro filho integrado na equipa de natação artística da equipa alentejana.

Devido à guerra, este refugiado ucraniano deixou a vida que tinha no seu país, no passado dia 10 de março, e, com a mulher e os três filhos, rumou a Portugal, numa viagem de automóvel que durou “uma semana e meia”, recorda.

A guerra “é uma coisa horrível” e o que está a acontecer na Ucrânia “é quase como se fosse a terceira Guerra Mundial”, lamenta, afirmando acreditar que a situação no seu país “ainda se vai tornar mais difícil”.

Roman veio para Portugal porque sabia que podia contar com o apoio da Federação Portuguesa de Natação (FPN), que tem um “bom relacionamento institucional” com a sua congénere ucraniana, além de estarem em terras lusas “amigos e jogadores ucranianos”.

Com a mulher a dar apoio escolar aos filhos em casa, o treinador aguarda a obtenção da equivalência dos níveis de natação para poder treinar formalmente em Portugal e até já se inscreveu num curso para aprender a língua portuguesa.

A acompanhar os ‘primeiros passos’ de Roman está Vasco Vieira, treinador do Aminata, que revela que foram os “pais, atletas e amigos” do clube que criaram as “condições básicas” para que o técnico ucraniano e a família pudessem ficar em Évora.

“Conseguimos arranjar uma casa, de forma gratuita, para ficarem três ou quatro meses, mobílias e equipamentos, porque a casa não tinha nada, e fizemos um abastecimento alimentar considerável”, conta.

Apesar de a língua ser “um entrave”, salienta o técnico, Roman vai dar ao clube de Évora “uma experiência diferente”, pois, provém de outra “escola de formação”, foi internacional e “tem uma larga experiência como treinador”.

O envolvimento do clube alentejano no apoio a refugiados vindos da Ucrânia não se limita a Roman. O Aminata também está a dar ‘a mão’ a Liudmyla Simochova, de 44 anos.

Esta ucraniana decidiu abandonar Kiev, no início de março, juntamente com os três filhos, para fugirem à guerra, e está a viver em Évora e trabalha na área da limpeza no clube.

Durante a viagem de carro, relata Liudmyla, os quatro passaram por vários países europeus e escolheram Portugal por ser um país que tem um custo de vida mais baixo em relação a outros.

“Na Alemanha e em França, vimos que era tudo muito caro. Não temos muito dinheiro e, depois, não conseguíamos pagar um hotel nem um hostel. Fomos para a frente à procura de países em que pudéssemos viver com o dinheiro que temos”, explica.

Liudmyla, que já tem os filhos a frequentar a escola e atividades desportivas em Évora, deseja voltar à sua terra, mas não sabe quando vai ser possível. Por agora, diz que quer ficar em Portugal e aprender a falar português.

O Aminata, cuja piscina tem cerca 800 utentes por mês, tem a sua equipa de polo aquático na segunda divisão nacional.

*Por Sérgio Major (texto) e Nuno Veiga (fotos), da agência Lusa

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