Dar a volta ao mundo de barco à vela, sem limites quanto à dimensão da embarcação ou sobre o número de tripulantes que seguem a bordo, sem direito a assistência externa, a falar francês (língua francesa como a oficial), num desafio que não tem direito a prémio monetário, ou antes, quem quiser participar terá que pagar para entrar nesta corrida marítima contra o tempo, enfrentando o vento ou a falta dele e marés.

Este é o propósito do Troféu Júlio Verne, troféu criado para o primeiro veleiro que conseguisse dar a volta ao mundo em menos de 80 dias, tendo como ponto de partida e de chegada um país: França, numa linha de partida e de meta traçado entre o farol de Créac'hm na ilha de Ushant, na Bretanha e o farol de Lizard (Inglaterra).

Em 1993, o “Commodore Explorer”, um catamarã composto por cinco velejadores e capitaneado Bruno Peyron fez a viagem de circum-navegação em 79 dias, 6 horas, 15 minutos e 56 segundos, tornando-se, assim, a primeira tripulação a conquistar o mítico  troféu. No ano seguinte foi a vez do catamarã Enza New Zealand de Peter Blake e Robin Knox-Johnston, embarcação hoje transformada e batizada de Energy Observer, um barco futurista movido a luz solar, vento e a hidrogénio e que também está a dar a volta ao mundo.

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Peyron, skipper francês e pioneiro nesta conquista, regressou e voltou a quebrar, por mais duas vezes, em 2002 e 2005, o recorde numa “competição” na qual desde 1993, em mais de 25 anos, estão registadas 19 tentativas de inscrição na galeria de heróis do mar e em que somente foram batidos nove recordes. Recorde esse que está nas mãos da tripulação do trimarã "IDEC Sport", que, em 2017, sob a batuta do francês Francis Joyon contornou o planeta em 40 dias, 23 horas, 30 minutos e 30 segundos.

Spindrift 2: Um monstro dos mares de cor preta e dourada com 40 metros e 23 toneladas

Ora é esta marca que atualmente o Spindrift 2, um trimarã de 40 metros de comprimento composto por uma tripulação de doze velejadores liderados por Yann Guichard pretende quebrar na viagem pelos três cabos: Cabo da Boa Esperança (África do Sul), que marca a antecâmara de passagem do Atlântico para o Índico; Cabo Leeuwin (Austrália) e o mítico Cabo Horn (Argentina), ponto mais meridional da América do Sul e que se despede do Pacífico para entrar no Atlântico.

O primeiro destes três simbólicos cabos desta viagem planetária – Cabo da Boa Esperança — foi alcançado 12 dias, 3 horas e 8 minutos depois da partida em França (a 16 de janeiro), o que se apresenta como um dos melhores tempos do Troféu Júlio Verne desde a sua criação, em 1993.

Mas foi a algumas milhas para sudeste, noutro cabo - Cabo Agulhas – ponto que marca a entrada no Oceano Índico, que é sinalizado o tempo referência desta aventura náutica à volta do globo. E foi aí, na longitude do Cabo Agulhas, que a tripulação do Spindrift 2 (que contornou o anticiclone Santa Helena) chegou com uma vantagem de 6 horas e 43 minutos sobre o recorde em vigor de Francis Joyon, ultrapassando-o às 01h40 (hora de Portugal Continental) desta terça-feira, 12 dias, 14 horas e 58 minutos depois de ter largado de França.

A corrida contra o tempo com a extensão de cerca de 21,6 mil milhas (cerca de 40 mil quilómetros) de Yann Guichard e companhia a bordo do Spindrift 2, um gigante dos mares de cor preta e dourada e 23 toneladas, pode ser acompanhada ao segundo sendo possível ler a posição da embarcação, a meteorologia que enfrenta (ventos e marés), a distância percorrida e a comida que já consumiram, sendo que partiram com 500 kg no porão.

Para bater o recorde a tripulação terá de cruzar a linha de chegada, em França, antes das 11h, 16 minutos e 57 segundos do próximo dia 26 de fevereiro.

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