Terminou esta manhã, 8 de abril, a 7.ª etapa da Volvo Ocean Race. Uma etapa dura. Muito dura e com marcas. Quase cinco dias depois do primeiro barco, Team Brunel, ter chegado a Itajaí, Brasil e 21 dias após a frota de sete barcos que compõe a edição de 2017-2018 da Volvo Ocean Race (VOR) terem largado de Auckland, na Nova Zelândia, com a chegada da equipa da MAPFRE (8h59 em Portugal), é altura de mais uma pausa nesta exigente regata à volta do mundo.

Foi, seguramente, uma das mais complicadas e marcantes passagens pelos temidos Mares do Sul que esta icónica prova de circunavegação testemunhou. Frio, tempestades, ventos ciclónicos e ondas fortes e grandes e, sobretudo, a perda (dado como desaparecido) de John Fisher, experiente velejador britânico do Scallywag, companheiro de tripulação do português António Fontes, a aproximadamente 1.400 milhas náuticas (quase 2.600 quilómetros) a Oeste do Cabo Horn, o ponto mais meridional da América do Sul e conhecido como o “fim do mundo”.

Para além do trágico acidente que fica na história da prova, a dureza desta perna de 7.900 milhas (quase 15.000 quilómetros) entre a cidade das Velas e a localidade brasileira no Estado de Santa Catarina fica marcada pelo abandono de duas embarcações. Desde logo a Scallywag cuja equipa, pelas razões óbvias, desistiu da etapa e aportou no Chile (Puerto Montt). O barco da Vestas, ao invés, partiu o mastro do VO65 quando navegava no Atlântico a cerca de 100 milhas (180 quilómetros) a sudeste das Ilhas Falkland.

Para a Vestas este foi o segundo acidente, depois de à chegada a Hong-Kong terem embatido numa traineira e provocado a morte de um pescador. Em virtude do acidente, falharam a etapa Hong Kong-Auckland, com a embarcação a ser transportada da China e a ser reparada em solo neozelandês.

Frederico Pinheiro de Melo recorda velejador desaparecido e fala da dureza da etapa

A dureza da 7.ª etapa deixou marcas em outras duas embarcações. A MAPFRE (que terminou em 5.º lugar) que perdeu a liderança para o barco sino-francês da Dongfeng foi forçada a reparar o mastro e a vela grande, num pit-stop de 12 horas no Cabo Horn. Um atraso que obrigou a tripulação espanhola a racionar comida e consumo de energia no caminho para o Brasil.

O Turn The Tide On Plastic, barco de bandeira portuguesa patrocinado pela Fundação Mirpuri e onde segue o velejador luso Frederico Melo, também não passou ao lado dos problemas causados pela dureza dos mares e dos ventos, sendo forçada a abrandar a navegação por problemas do sistema de "rigging" (os cabos de aço que ligam o mastro ao convés).

Na chegada a Itajaí, em terra firme, Frederico Pinheiro de Melo relembrou a tragédia que fica a marcar a passagem pelos Mares do Sul: a morte de John Fischer, velejador de 47 anos que se estreava na VOR. “Era um grande amigo, muito respeitado na nossa equipa”, começou por dizer. “Abalou-nos bastante”, recorda o sentimento sentido a bordo assim que souberam da notícia. “Tiramos o pé do acelerador. Começamos a ter mais cuidados. Aconteceu a ele, podia ter acontecido a qualquer outro”, conclui.

Sobre esta passagem pelos temidos mares, o velejador de Cascais lembrou as “condições muito difíceis” que enfrentaram com “muito vento, neve e ondas muito grandes”. Um grau de dificuldade acrescido durante as noites em que a “visibilidade era muito reduzida e o perigo constante”, sublinhou.

Depois de TTPO ter terminado na quarta posição, garantindo o seu melhor resultado até agora na competição, Pinheiro de Melo, apesar do 7.º e último lugar na classificação, olha com otimismo para a reta final da regata à volta do mundo (faltam quatro etapas).

Reconhecendo que quando a tripulação largou de Alicante, Espanha, era inexperiente na vela oceânica, na chegada ao Brasil “já demos uma volta ao mundo” e tem hoje “mais experiência”. Para as paragens que faltam, com a frota a partir do Brasil em direção a Newport (Estados Unidos da América), seguindo para Cardiff (Gales), Gotemburgo (Suécia) e Haia (Holanda), a expectativa passa por “acabar etapas no pódio ou ganhar uma”.

A oitava etapa da VOR liga Itajaí a Newport, nos Estados Unidos, 5.700 milhas náuticas, tem início a 22 de abril. O Dongfeng, do francês Charles Caudrelier, parte na liderança (46 pontos) com mais um ponto que os espanhóis da MAPFRE. Team Brunel completa o pódio.

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