No comunicado interno datado de 30 de novembro, a Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa refere que a quebra de produção se deve à crise no fornecimento de semicondutores, que tem afetado toda a indústria automóvel, e adverte que o eventual fim do 4.º turno coloca em causa o futuro de 900 trabalhadores da fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela.

De acordo com a CT da Autoeuropa, a informação sobre a quebra de produção em 2022 foi transmitida pela administração na empresa durante o processo negocial de um novo pré-acordo laboral, que teve início no passado dia 10 de novembro.

A CT da Autoeuropa salienta, no entanto, que, não obstante considerar que o 4.º turno não será necessário para o volume de produção previsto para 2022, a administração da fábrica comunicou também a intenção de “manter as quatro equipas [uma equipa por turno] nos quadros da empresa”.

Refere ainda que, para conseguir este objetivo, a administração da Autoeuropa defende que são necessárias novas “ferramentas de flexibilidade, de modo a viabilizar, financeiramente, a manutenção de todos os postos de trabalho, não comprometendo a competitividade, produtividade e restantes indicadores da fábrica”.

Na informação transmitida aos funcionários da Autoeuropa, a CT refere ainda que, para o ano de 2022, estão previstos cerca de 64 dias de paragem, incluindo 22 dias de férias, 22 `down-days´ (dias de não produção) e ainda mais 20 dias de paragem para os quais terão de se encontrar as necessárias ferramentas de flexibilidade.

Nas negociações do novo pré-acordo laboral, a CT já apresentou à administração uma proposta de horário alternativo, mas que foi rejeitada pela administração com o argumento de que iria aumentar os custos de produção.

A CT também rejeitou as propostas da administração de banco de horas e congelamento de progressões durante um ano, mas as negociações prosseguem nas próximas semanas.

Apesar de ainda não haver pré-acordo laboral, no passado dia 26 de novembro, nas comemorações dos 30 anos da fábrica em que também foi apresentada uma versão renovada do automóvel T-ROC produzido em Palmela, a Volkswagen anunciou a intenção de investir mais 500 milhões de euros na Autoeuropa nos próximos cinco anos.

Na ocasião, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que presidiu às comemorações, afirmou que a Alemanha e a Autoeuropa cumpriram os compromissos assumidos com Portugal.

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