"Registamos, como toda a gente registou, que o Governo aceitou ontem [quinta-feira] claramente que é preciso negociar uma redução dos juros da dívida pública. É uma novidade importante", disse Catarina Martins na sessão de encerramento do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2017 (OE2017).

A coordenadora do BE saudou "o ministro das Finanças pela verdade dita no parlamento, a verdade incómoda e tantas vezes escondida: Portugal precisa de uma redução de juros".

"Mas esta verdade confronta-se com a Europa da mentira", observou, avisando que o "BE não abdica de um caminho que liberte o país da chantagem".

Segundo Catarina Martins, "este debate orçamental é marcado pelo choque frontal entre as aspirações populares da recuperação, da economia, do emprego, de quem partiu na vaga migratória e a chantagem europeia em torno do pagamento da dívida e do cumprimento do Tratado Orçamental".

"Este ano de governação do Partido Socialista confirma-o. Este governo realiza medidas importantes de recuperação de direitos e rendimentos mas tudo isso ocorre apenas nas margens da chantagem e das restrições europeias", evidenciou.

A líder bloquista criticou "a mentira económica e a fraude antidemocrática, o poder dos poderosos impostos à periferia", que encerram em si "as regras europeias".

Num livro sobre o Presidente francês, François Hollande, é revelada a existência de um "pacto" entre a Comissão Europeia e as autoridades francesas, que permitiu a França escapar a sanções por défice excessivo nos últimos anos, através de uma "maquilhagem" das contas públicas divulgadas.

Os factos conhecidos esta semana não foram esquecidos por Catarina Martins, que refere que do "outro lado da mesa, em nome da Comissão, estaria o comissário Moscovici, o mesmo que obrigou o governo português a abater ao orçamento para 2016 uma das principais medidas para o aumento do rendimento disponível dos mais pobres, a baixa da TSU para trabalhadores com salários até 600 euros".

"Hollande explica-nos a regra deste jogo: Eles sabiam que a França não atingiria os 3%, mas disseram: nós preferimos que vocês apontem para 3% porque desse modo podemos fazer frente a outros países. Não vos atacaremos'", citou.

No entanto, quando "o jogo europeu é contra Portugal", na opinião da líder bloquista, "deixam de fazer de conta para mostrarem o que é ‘fazer frente'".

"Esse mesmo Pierre Moscovici há de voltar a Lisboa para mais recomendações graves e indicações sobre a nossa trajetória, as nossas metas e o nosso rigor", criticou.

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