“A DBRS melhorou o ‘rating’ da dívida soberana de longo prazo da República de Portugal para ‘BBB+’”, informou hoje - último dia da campanha eleitoral - a agência de notação financeira canadiana, adiantando que a perspetiva da nova avaliação é estável.

A DBRS explica que a subida “reflete a melhoria persistente em vários indicadores chave do ‘rating’ de Portugal”.

Em primeiro lugar, a agência de notação financeira aponta que a situação orçamental “está amplamente em equilíbrio e o rácio da dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] está a descer a um ritmo saudável”.

“A recuperação orçamental é essencial para a melhoria do ‘rating’ de Portugal”, frisa a DBRS, destacando também que “a elevada dívida pública é a principal vulnerabilidade” do país, “mas os rácios da dívida estão a descer a um ritmo rápido”.

Em segundo lugar, a DBRS refere que os indicadores dos bancos portugueses relativos ao crédito também foram reforçados, “como evidenciado pela firme melhoria na qualidade dos ativos” das instituições.

Além disso, adianta a agência de notação canadiana, “mudanças positivas na estrutura da economia portuguesa – incluindo exportações mais diversificadas e de maior qualidade e o aumento do investimento do setor privado – devem apoiar um crescimento [económico] mais equilibrado”.

No último dia da campanha para as eleições legislativas de domingo, dia 06, a agência de notação canadiana deixa também um alerta para os vencedores do escrutínio.

“Independentemente do resultado eleitoral de 06 de outubro, a DBRS espera que Portugal se mantenha comprometido com uma gestão orçamental prudente”, frisa a agência de ‘rating’, adiantando esperar também “que a dinâmica política resulte largamente na continuidade das políticas [adotadas], já que o apoio popular permanece centrado nos principais partidos políticos pró-europeus”.

Na nota hoje divulgada com a avaliação de Portugal, a DBRS indica também que pode voltar a melhorar o ‘rating’ “se excedentes primários sustentados e um crescimento económico estável reduzirem mais o rácio da dívida pública, em linha com as atuais expectativas da DBRS”.

Além disso, acrescenta a agência de ‘rating’, “a continuação do progresso já feito no reforço do setor financeiro também poderia ser positivo”.

Em sentido contrário, a DBRS alerta que o ‘rating’ de Portugal pode descer se houver uma deterioração significativa na atual trajetória orçamental e da dívida pública, “devido a um enfraquecimento significativo das perspetivas de crescimento ou do compromisso político relativamente a políticas macroeconómicas sustentáveis”.

A agência de ‘rating’ indica ainda que a avaliação de Portugal é suportada pelo facto de o país pertencer à zona euro e ao quadro de governação económica da União Europeia, que “ajudam a promover políticas macroeconómicas credíveis e sustentáveis”.

Contudo, a DBRS refere que o legado da crise da zona euro continua a refletir-se em “vulnerabilidades, incluindo a elevada dívida pública, níveis altos, embora em declínio, de crédito malparado no sistema financeiro e um crescimento económico potencial relativamente baixo”.

Na anterior revisão, em 05 de abril, a DBRS melhorou a perspetiva do 'rating' de Portugal, de estável para positiva, o que significava que podia subir o 'rating', que tinha mantido em 'BBB', numa próxima avaliação, o que hoje se verificou.

O ‘rating’ é uma classificação atribuída pelas agências de notação financeira que avalia o risco de crédito (capacidade de pagar a dívida) de um emissor, que pode ser um país ou uma empresa.

Cada agência de ‘rating’ tem a sua própria escala de avaliação, mas em todas a melhor classificação é o triplo A (AAA) e as letras C ou D indicam avaliações em que o investimento é considerado de risco ou especulativo (vulgarmente designado ‘lixo’).

(Notícia atualizada às 22:09)

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