Em 1884, Charles Dow, um jornalista do The Wall Street Journal, teve uma ideia que ninguém tinha tido antes: criar um índice com as empresas mais importantes dos EUA através do qual fosse possível medir a força da economia americana. O PIB era e continua a ser o melhor indicador, mas demorava muito tempo a ser calculado e não permitia analisar as diferentes oscilações que a economia podia ter ao longo de um ano. O índice, por outro lado, poderia ser analisado todos os dias, dado que o seu valor ia ser a soma do preço das ações de cada uma das empresas que o compunha (que oscilavam de dia para dia).

  • Exemplo: Vamos imaginar que o Dow Jones, no início de uma semana, estava nos 50, ou seja, que a soma do preço das ações de cada empresa presente no índice dava este valor. Se, no início da semana seguinte, o índice aumentasse para 60, seria possível, na teoria, afirmar que a economia teria melhorado, pois as empresas mais importantes do país, em conjunto, estavam a valer mais.

Uma ótima ideia que, no entanto, enfrentava um grande desafio: que empresas escolher para garantir que o índice era um bom proxy da economia americana? Para isso, Dow tinha de definir, primeiro, quais eram as indústrias mais importantes do país e, segundo, quantas empresas era necessário incluir para ter uma amostra representativa. Duas tarefas rápidas no papel, mas que demoraram doze anos a ser resolvidas.

A 26 de maio de 1896, a primeira versão do “Dow Jones Industrial Average” (DJIA) foi publicada no jornal do qual Charles Dow fazia parte. Incluía doze empresas do setor industrial (algodão, açúcar, tabaco, etc.) e tinha como valor 40. Era o final do século XIX e, devido à crescente importância da indústria na economia americana, Dow acreditava que a atividade destas empresas era uma boa amostra. Na semana passada, celebraram-se os 125 anos desde a introdução deste indicador e o mundo é hoje um lugar bastante diferente.

O que mudou?

O índice, depois de ter passado a incluir 30 organizações em 1929, foi sofrendo mutações ao longo das décadas para acompanhar as mudanças que se davam no país e manter-se uma amostra representativa da economia. À medida que indústrias ganhavam ou perdiam importância, empresas eram adicionadas ou retiradas do Dow Jones, permitindo que este pudesse continuar a ser usado como um símbolo da saúde dos mercados financeiros e, por conseguinte, da economia dos EUA.

Hoje, nenhuma das empresas originais está presente no índice. Estão organizações como a Apple, a Disney, a Coca-Cola, a Nike, a Microsoft e outras 25 que, em conjunto, fazem com que o índice esteja cotado em 34.500 pontos, um valor 85.000% superior àquele apresentado há mais de um século. Não existirão indicadores muito melhores da prosperidade do Mundo Ocidental neste período da História.

Cancelado pela pandemia?

Durante a maior parte da sua existência, o Dow foi considerado uma representação da América empresarial. Desvalorizou em períodos económicos mais conturbados e foi atingindo valores recorde quando empresas e cidadãos beneficiavam de condições de crescimento e de vida nunca antes vistas. Contudo, a pandemia desmascarou algumas fragilidades do Dow Jones e de outros índices como o Nasdaq e o S&P 500.

Realidade alternativa: o vírus provocou uma das piores recessões económicas da História. Negócios fecharam, pessoas perderam empregos, dívidas acumularam-se. No entanto, alguém que vivesse num bunker, isolado do mundo e apenas analisasse os principais índices financeiros dificilmente tiraria essa conclusão. Isto não é necessariamente um problema dos índices, mas sim dos mercados financeiros, que se têm assemelhado mais a um jogo de especulação do que a uma representação real da saúde das economias dos países.

No caso do Dow Jones: existe ainda outro problema, visto que algumas vozes argumentam ainda contra a forma como o índice é calculado. O formato atual leva a que empresas que valham menos, mas que tenham um preço por ação superior tenham maior influência no índice do que empresas mais valiosas com um preço por ação inferior, por terem mais ações disponíveis no mercado. Por exemplo, apesar de a Nike estar avaliada em cerca de 215 mil milhões de dólares (10% do valor total da Apple), como tem cada ação a valer 136 dólares (vs 124 dólares da Apple), tem um impacto maior no índice.

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Um artigo do parceiro

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