Lembrando que em 2020, por causa dos confinamentos impostos pela pandemia, as emissões globais recuaram 8%, o ministro das Finanças, João Leão, sublinhou que tal evidencia que “a ligação entre o crescimento económico e as emissões de carbono precisa de ser quebrada”, sendo isso “impossível sem uma realocação massiva de capital e investimento”.

“Para tal, será fundamental direcionar investidores e empresas para atividades económicas ‘sustentáveis’”, precisou o ministro, que falava na sessão de abertura da conferência de alto nível sobre "Financiamento Sustentável: Novos Desenvolvimentos”, organizada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.

Durante a sua intervenção, João Leão salientou o papel “crucial” que o financiamento sustentável pode desempenhar na descarbonização da economia e na redução de emissões, precisando que a União Europeia (UE) deve ter como objetivo desempenhar um “papel de liderança neste domínio”.

Neste contexto, lembrou a “taxonomia de finanças sustentáveis”, recentemente divulgada pela UE e com a qual se pretende estabelecer um sistema de definição comum do que é efetivamente considerado ‘sustentável’.

A nível nacional, apontou o papel do Roteiro Português para a Neutralidade Carbónica 2050.

"Portugal procura mobilizar investimentos de fundos nacionais, europeus e privados. Mas ainda que sejam um importante começo, não é suficiente para atingir esses objetivos", referiu, sublinhando o papel que o Banco Português de Fomento pode aqui desempenhar, nomeadamente no apoio à transição das empresas.

Destacando que "um mandato verde é parte integrante" da missão do Banco Português de Fomento, João Leão destacou o “papel fundamental” que esta entidade pode ter na coordenação das diferentes fontes de financiamento e a garantir que empresas tenham acesso financiamento.

O ministro referiu ainda que o objetivo definido pela UE em reduzir as emissões em 55% até 2030 implicará, segundo as estimativas, que entre 2021 e 2030 a Europa tenha de investir mais 350 mil milhões de euros por ano na área energética do que o valor investido na década anterior.

“É evidente que os fundos públicos não serão suficientes para atender a estas necessidades de investimento”, precisou, salientando a importância do setor privado, cujo papel será essencial para dar escala a esta necessidade de investimento.

Sublinhando que no combate às alterações económicas a cooperação internacional “é essencial”, sob pena de os esforços falharem, João Leão lembrou a diretiva relativa à divulgação pública de informações discriminadas por país (CBCR na sigla em inglês).

[Notícia atualizada às 19:17]

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