Mário Centeno falava em entrevista à agência Reuters, na qual o governante considerou que o Estado também tem interesse em “eliminar os impactos negativos” decorrentes da operação de passagem de dívida do Novo Banco para o ‘banco mau’ BES, realizada em dezembro de 2015.

Assim, disse, cabe ao ministro das Finanças enquanto responsável pela estabilidade financeira do país “encontrar mecanismos que mitiguem” os “riscos” dessa decisão “para o conjunto de todos os agentes e entidades portuguesas”.

No final de dezembro de 2015, mais de um ano depois da resolução do BES, o Banco de Portugal decidiu passar para o ‘banco mau’ BES, um conjunto de obrigações não subordinadas que tinham sido adquiridas por investidores institucionais (como fundos de investimento, fundos de pensões ou seguradoras) e que inicialmente tinham ficado no Novo Banco.

Com essa medida – que reverteu a que tinha sido tomada na resolução do BES, quando o Banco de Portugal decidiu não imputar perdas aos credores seniores,ao deixar a dívida não subordinada do BES no Novo Banco -, a responsabilidade pelo pagamento daquelas obrigações seniores passou a ser do BES.

Contudo, tendo em conta a situação financeira do BES (em liquidação) e o elevado nível de responsabilidade, é provável que o valor nunca seja pago, pelo menos na totalidade.

Foi essa deliberação da entidade liderada por Carlos Costa que apanhou de surpresa os obrigacionistas e foi logo muito contestada por grandes empresas internacionais de gestão de fundos, que puseram de imediato ações em tribunal contra uma decisão de consideram “ilegal e discriminatória”.

Mais recentemente, alguns fundos de investimento, como a ‘gigante’ Blackrock, meteram mesmo uma ação de injunção contra a venda do Novo Banco.

Este grupo de fundos divulgou nos últimos meses vários comunicados de imprensa a dar conta do que ia fazer para recuperar o investimento e também a defender um acordo para minorar as perdas sofridas.

Alertaram nomeadamente que, apesar das melhorias que Portugal conseguiu, essa decisão do banco central continua a pesar sobre o país, dando como exemplo os custos da dívida pública, mas também os ainda altos custos de financiamento do setor bancário.

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