“Queremos colocar neste debate as questões de por Portugal a produzir”, resume, em declarações à agência Lusa, a deputada Paula Santos, líder parlamentar em funções dos comunistas, tendo em conta três eixos: “soberania alimentar, produção e emprego”.

Para Paula Santos, é necessário “colocar as questões da política alternativa” para “responder a estes três eixos considerados “essenciais para o desenvolvimento do país” a soberania alimentar, a produção e a criação de emprego com direitos”.

O surto da covid-19, declarado em março e que paralisou parcialmente o país em abril, e a crise que se seguiu, “deixou também a descoberto um conjunto de problemas estruturais” em Portugal, e colocou “dificuldades acrescidas” na economia e nos “direitos e valorização dos rendimentos dos trabalhadores”.

“Vimos recentemente como é importante produzir os alimentos que consumimos porque numa situação mais dramática a dependência externa deixou-nos numa situação de facto de grande fragilidade”, afirmou.

Para a deputada comunista, é “com a valorização de quem trabalha” e dos “seus rendimentos” que é possível “progredir”, ao contrário do que aconteceu com o período da ‘troika’, com “cortes nos salários, a redução dos apoios sociais e todo o desinvestimento que foi feito” no país.

Sem a presença do Governo no hemiciclo — a sua presença é optativa — os deputados de todos os partidos vão discutir mais de duas horas num debate que será aberto por António Filipe e encerrado por Paula Santos.

De manhã, haverá duas ações de rua em Lisboa e Almada para “contacto com os trabalhadores”.

No terminal de transportes do Cais do Sodré, às 08:00, estará a deputada Alma Rivera e do outro lado do Rio Tejo, Paula Santos vai estar na estação de comboios do Praga às 07:00.

Na terça-feira, o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, visita uma cultura de trigo, no Cadaval, distrito de Lisboa para preparar o debate de hoje.

Se o país não produzir mais, e se não se confiar “na expansão do mercado interno, naturalmente as previsões” da Comissão Europeia como as de terça-feira, que apontam para uma contração de 9,8% do PIB, “até se podem agravar”, considerou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista sublinhou que a crise provocada pela pandemia da covid-19 veio intensificar “a necessidade de rutura com esta política de dependência do exterior e de aumento da produção nacional”, como forma de valorizar a soberania nacional.

A estratégia passa por “procurar outros caminhos” além do turismo e “não apontar para este ou aquele setor”, disse.

Jerónimo de Sousa deu o exemplo da agricultura e, em concreto, da produção de trigo.

“Hoje só produzimos trigo para duas semanas num ano inteiro, o que demonstra a dependência do estrangeiro em relação a um bem essencial, no caso concreto o pão”, disse, sublinhando que existem “possibilidades imensas, capacidades de produzir cá o que nos obrigaram a comprar lá fora”, afirmou.

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