Intervindo num debate sobre a escalada dos preços da eletricidade devido aos aumentos globais no gás, na sessão plenária do Parlamento Europeu na cidade francesa de Estrasburgo, o eurodeputado Paulo Rangel (PSD) assinalou que, “no mercado ibérico, nunca a eletricidade esteve com um preço tão elevado”, precisando que a fatura da luz, “que já era das mais elevadas da Europa face ao nível de vida, é agora praticamente insuportável”.

“Se nada se fizer urgentemente ao nível europeu e de cada governo nacional, este não será apenas um inverno do nosso descontentamento, será um inverno do nosso congelamento”, assinalou o eleito social-democrata.

Observando que “o aumento colossal dos preços da energia elétrica tem efeitos nas famílias e nas empresas, nos objetivos ambientais e sobre a inflação”, Paulo Rangel questionou “o que fez o governo português para aliviar, mitigar e reduzir a fatura energética dos portugueses”.

Por seu lado, a eurodeputada bloquista Marisa Matias afirmou que, na UE, “o sistema está manipulado, a Comissão é responsável e os cidadãos não podem pagar pela ganância das grandes corporações”.

“São absurdas e escandalosas as privatizações feitas no setor da energia, como no meu país o caso da EDP e da REN, e a Comissão e os governos protegem-nas”, referiu a eleita do BE.

Para Marisa Matias, é também “absurda e escandalosa a especulação no mercado de emissões de carbono”, bem como “a pobreza energética” na UE, assinalando a eurodeputada que, no inverno de 2020, “36 milhões de famílias não puderam aquecer a sua casa e a Comissão e os governos nada fazem”.

“Precisamos de tratar a energia como um bem comum e é urgente acelerar a transição para a energia renovável e acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, mas o que é mais escandaloso e absurdo nisto tudo é que a Comissão e os governos continuam ao lado das grandes corporações e não das populações”, adiantou.

Também presente na ocasião, o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho frisou que “este pico de preços é um alerta” para UE.

“E este não é um tempo para hesitar na aposta europeia para a transição energética, é antes um tempo […] para responder aos inimigos com medidas para favorecer a dignidade das pessoas, a renovação económica e a sustentabilidade ambiental”, apontou.

Criticando que “esta situação foi cavalgada por múltiplos movimentos de aproveitamento das falhas de mercado para terem lucros de curto prazo ou para condicionarem a transição energética a médio e longo prazo”, Carlos Zorrinho adiantou ser necessário “travar estas dinâmicas […], continuando a apostar nas renováveis”.

O assunto está hoje em debate na sessão plenária da assembleia europeia.

No arranque da discussão, a comissária europeia da Energia, Kadri Simson, defendeu que, como resposta à “crise inesperada” do setor energético, os Estados-membros da UE devem aliviar temporariamente impostos às famílias e financiar pequenas empresas, anunciando ainda uma reforma do mercado do gás.

A subida dos preços ameaça exacerbar a pobreza energética na UE, nomeadamente numa altura em que os cidadãos ainda recuperam da crise da covid-19 e que poderão ter dificuldades em pagar as suas contas de aquecimento no outono e no inverno.

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