No boletim económico de outubro, divulgado hoje, o supervisor bancário assinala que o aumento dos juros “deverá ter um impacto material nas estratégias de financiamento das empresas associado ao inevitável aumento de custos de financiamento”.

Segundo o regulador bancário, as estratégias das empresas deverão ser adaptadas à realidade de cada empresa, tendo em conta a capacidade da tesouraria fazer face à amortização de créditos, permitindo diminuir o endividamento, e ao ajustamento da gestão de liquidez face às práticas nos últimos anos.

O BdP dá conta de que, em julho, os empréstimos com taxa variável ou mista representavam 83% do montante total e 61% do número de empréstimos e de que, em igual período, os empréstimos com taxa fixa representavam 15% do montante total e 38% do número de empréstimos.

O supervisor destaca, contudo, que se verifica “alguma heterogeneidade” no tipo de taxa de acordo com a dimensão e setor de atividade das empresas, e o peso dos empréstimos a taxa fixa tende a ser superior nas grandes empresas e nas empresas do setor das atividades de consultoria e administrativas (25% e 21% do total do segmento, respetivamente).

Já os empréstimos concedidos entre 2020 e 2021 com garantia pública são maioritariamente a taxa variável (97%).

O BdP detalha que no total do montante dos empréstimos às sociedades não financeiras associados a taxa variável ou mista, 89% são empréstimos indexados a uma taxa Euribor e destes 43% são indexados à Euribor a 12 meses, seguidos pelos indexados à Euribor a seis meses (37%).

Segundo uma simulação do BdP, com base nas expectativas de subida das taxas de mercado, a despesa das empresas com juros nos últimos 12 meses aumentaria cerca de 1.188 milhões de euros no decorrer do ano terminado em julho 2023 face ao estimado para o ano terminado em julho de 2022, o que corresponde a um aumento da taxa de juro implícita de 1,58 pontos percentuais.

“Este valor da taxa de juro é semelhante ao verificado em julho de 2015”, indica.

Neste cenário, o aumento de custos correspondente a 5,3% do EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2019, aponta o relatório, que assinala que o rácio entre os juros e o EBITDA ficará entre os valores verificados em 2015 e 2016.

“Por setor de atividade, destacam-se as empresas da construção e atividades imobiliárias (rácio de 9,1%), do alojamento e restauração (8,5%) e da eletricidade, gás e água (7,9%), para as quais o rácio já registava valores muito elevados em comparação com o total”, refere o BdP, indicando que nas microempresas o rácio entre os juros e o EBITDA deverá corresponder a 8,7%.

Por outro lado, indica, as empresas com empréstimos concedidos entre 2020 e 2021 com garantia pública, embora com empréstimos maioritariamente a taxa variável, registavam rácios de dívida relativamente baixos e a variação do rácio entre os juros e o EBITDA é inferior à do total (3,6%).

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