Sempre os mesmos e, desculpem lá, mas tenho de dizer, na sua maioria homens. Acho espantoso, no sentido catalão do termo, portanto, assustador, que haja almas surpreendidas com as ligações de Ricardo Salgado e do BES ao poder político, só mesmo os ingénuos podem alegar que “parece impossível!”. Portugal não é um país de ingénuos, é um país de pouco confronto, de pouca transparência, mas não é ingénuo. Perdemos a ingenuidade durante Estado Novo.

É por isso mais do que evidente que, em democracia, sabemos ao que vamos, sabemos quem é quem, até porque em 46 anos de democracia os rostos são, basicamente, os mesmos. Que as pessoas se atirem ao ar com termos como “saco azul”, “apoio lateral”, “conversas secretas”, documentos “que desaparecem”, imóveis que se vendem e tal, pois é só para provocar uma gargalhada, não será?

Sim, o Presidente da República, este ou Cavaco Silva, conhecem Ricardo Salgado, comeram à mesma mesa, discutiram, numa ou em outra altura da vida, estratégias, interesses e, quem sabe?, gostos musicais e gastronómicos.

O país é uma pequena barcaça, é inevitável que, andando à deriva, todos se conheçam, todos tenham porventura dado uma mão aqui e ali, até pode ter sido só numa raquete de ténis, mas sejamos francos: é evidente que todos se conhecem e, para mim, mais claro ainda que Ricardo Salgado nunca dirá tudo o que sabe, pela simples razão de que ninguém o diz, logo o mesmo é válido para todos os outros intervenientes na vida pública e política e empresarial portuguesa. Hoje e sempre.

Eu sei que é verão, mas deixemos a ingenuidade para a escolha do sabor do gelado. Recomendo gelado de manjericão.

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