Rui Vitória abandonou o comando do Benfica no início do ano e já se sente a falta do mister de Alverca do Ribatejo. Há um legado que não se apaga de um dia para o outro, mas convenhamos que o seu sucessor tem feito por rapidamente destruir toda uma herança ruivitoriana que tinha vindo a tornar-se na imagem de marca dos confrontos do Benfica com os adversários diretos.

O Benfica venceu o Sporting, é certo. Contudo, é-me difícil entender estas ideias de futebol revolucionárias do treinador que veio a substituir o saudoso Rui Vitória, Bruno Lage (Ou Laje, segundo oráculos de diversos noticiários televisivos). Quer dizer, agora, de repente, é possível estabelecer um claro domínio em casa dos rivais ao ponto destes não encaixarem seis ou sete por mero acaso? Onde ficou o respeito pelas grandes equipas? Por que razão não fez entrar o segundo trinco aos 60 minutos de jogo? O que é feito da confiança cega nas garrafas de água mineral? A facilidade com que se derruba toda uma ideologia é, no mínimo, desconcertante.

Como benfiquista, não posso deixar de notar que Bruno Lage torna a minha vida bastante mais complicada. Os últimos meses de Rui Vitória forçaram-me a desligar da atualidade futebolística, a recusar-me a comentar o desporto, a ceder facilmente a compromissos que me impediriam de ver os jogos do Benfica (sem qualquer tipo de culpa ou mesmo sem aquela ansiedade galopante que se instala habitualmente quando estamos longe de uma televisão à hora do apito inicial). Bruno Lage veio acabar com essa paz espiritual.

Agora, que o meu clube infelizmente começa a apresentar um futebol irresponsavelmente atraente, sou obrigado a acompanhar o Benfica a par e passo. Lage faz com que perca preciosas horas de sono a rever lances, a visionar programas de comentário na televisão, a ler blogues e fóruns. Fica anotado que desperdicei toda uma segunda-feira nesse registo, pelo que suplico a Bruno Lage que se coíba de apresentar um futebol rendilhado na quarta-feira e que o Benfica, se possível, se exiba de forma apenas ligeiramente satisfatória. Afinal, quinta-feira é dia de trabalho e eu não tenho vida para continuar embevecido com um treinador.

Nota: esta crónica é um claro exercício de fanfarronice. O leitor terá todo o direito de me desprezar pela excitação desmedida que se infere que estou a sentir por causa de uma excelente exibição. Mas, se nos escusássemos de exibir descabida fanfarronice quando as coisas correm bem e de revelar luto, depressão e melancolia quando correm mal, o futebol talvez perdesse a sua razão de ser.

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