Pois bem, essa(s) frase(s) há muito escutadas e repetidas vão perdendo espaço no futebol moderno (futebol negócio ou futebol indústria) para o “é só dinheiro” ou “é tudo sobre dinheiro”. Ou traduzido para língua inglesa, a pátria do jogo, “it’s all about Money”. Ou “It´s only Money”.

Já que estamos numa de anglicismo, recordo-me de um que poderá ser mais apropriado e ilustrativo. “Show me the Money” gritava Tom Cruise no filme “Jerry Maguire”. O grito telefónico (a pedido) imortalizado pela dupla de atores Tom Cruise e Cuba Gooding Jr são o exemplo acabado do que parece se ter transformado este desporto profissional.

Hoje clubes, empresários, representantes dos jogadores e os próprios jogadores içam essa bandeira negocial. Do outro lado, outros clubes, outros proprietários de clubes, batem cláusulas de rescisão e batem recordes atrás de recordes nas verbas de transferências de jogadores.

Nunca como hoje se assiste a tamanha loucura de verbas para aquisições de jogadores de futebol. Num mercado há muito inflacionado, o jogo do onze para onze, onde antes dizia-se que no final “ganhava a Alemanha” hoje parece que o vencedor (antecipado) é aquele que mais gasta. Que mais caro compra.

Vejamos. Ainda no defeso, Neymar foi vendido pelo Barcelona aos franceses do PSG por 222 milhões de euros. Dembelé viajou de Dortmund para o clube catalão por 105 milhões e Lukaku, avançado belga, assinou pelo Manchester United a troco de 85 milhões.

Ontem foi “noite louca” para 29 das 55 federações que fazem parte da UEFA. Num longo dia de fecho de mercado para um lote onde se inclui as Ligas mais competitivas do continente europeu, no meio de muitos milhões, Oxlade Chamberlain protagonizou a maior transferência do dia (Liverpool desembolsou 38 milhões de euros) e houve espaço ainda para os empréstimos de última hora. O mais falado (e será durante a época) foi o de Kylian Mbappé, uma mudança de camisola (deixou o Mónaco para se juntar ao PSG) com opção de compra de 180 milhões. Um novo tipo de “empréstimo” que pode ajudar a contornar o Fair Play Financeiro e as análises do organismo máximo do futebol europeu.

O fecho (tardio) do mercado, já com a época (competições internas e europeias) a decorrer, tem merecido críticas de vários agentes do futebol, de treinadores a clubes. Talvez um dia estejamos todos a debater e a pedir travão ao crescimento galopante das verbas de transferências do jogo que nasceu como “só futebol" e hoje parece transformado em “só dinheiro”.

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