Estamos a ler cada vez menos, o nosso vocabulário está a empobrecer aceleradamente e, por fim, somos incapazes de ter níveis de concentração que permitam o mero acto de ler um capítulo por dia (o que seria se fossem dois ou três?) São as redes sociais, são os diferentes estímulos e os mais jovens têm mais do que fazer. Nem sequer estou a falar de leituras obrigatórias de programa escolar, estou a dizer que não se lê por não se entender o benefício.

Há uns dias, um jovem de 15 anos dizia que lia o suficiente. No Facebook. E, acrescentava, também é por essa via que tem acesso a notícias, é assim que se informa sobre o mundo. Não admira que fake news e afins condicionem pensamentos e atitudes, pois não?

Então, o desafio que me colocaram foi este: o que farias tu para promover a leitura? E eu, porventura ingénua, aqui deixo uma possibilidade de política pública de promoção da leitura que, na verdade, é de uma simplicidade imensa. E de se trata? Trata-se de implementar clubes de leitura em todas as escolas de primeiro ciclo. Se um aluno, depois de aprender a ler, for motivado para começar a ter a sua comunidade de leitura, partilhando ideias sobre um livro com os seus colegas, isso significará o quê? Significará que conseguirá pensar e relacionar assuntos, significa que promove pensamento, significa que percebe a riqueza da leitura.

Se a educação física (haverá de certo uma razão para termos deixado de lhe chamar ginástica, mas eu não consigo descortinar qual é a razão, confesso) tem avaliação e implica uma quebra de rotina na dinâmica de uma turma, um clube de leitura não pode fazer o mesmo? Diria que sim e até se pode tornar interessante com avaliação contínua e pontual. Dará mais trabalho aos professores, não tenho dúvida, mas existem plataformas de auxílio – uma delas é, evidentemente, o plano nacional de leitura – e algumas escolas disponibilizam uma biblioteca.

Uma comunidade de leitura, independentemente da idade de quem nela participa, pode ser uma forma de estimular e de promover. Temos, porém, de "profissionalizar" a leitura,  ou seja, encará-la de forma autónoma, como uma disciplina que, para mais, pode promover outros debates, explorar temáticas que estão fora do plano curricular.  A literatura agradece, os mais jovens podem ficar surpreendidos no início, até relutantes, mas como acontece com outras disciplinas primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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