Não é só desejável, como é urgente. Se não, olhemos para a previsão do relatório do IPCC de outubro: os atuais compromissos climáticos são apenas suficientes para limitar o aquecimento global em cerca de 3ºC, na melhor das hipóteses. E, um estudo da Global Carbon Project indica que as emissões globais voltaram a subir em 2018.

A somar a esta ineficácia dos compromissos atuais, vemos, por parte dos países com maior peso a nível mundial, como o Brasil e os Estados Unidos, uma regressão na política climática e o enfraquecimento da legislação ambiental que favorece as indústrias poluentes assentes em combustíveis fósseis e é dramática em termos de perda de sumidouros de carbono (floresta).

É preciso, por isso, pôr em prática medidas mais exigentes e combativas. Em 2030, as emissões globais de GEE têm de ser cortadas pela metade para haver alguma hipótese de o planeta não aquecer além do 1,5ºC. E, para isso, são precisas providências para eliminar do uso do carvão, acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis, reforçar o apoio a projetos de energias renováveis e reduzir o consumo e desperdício energético.

Em Portugal, durante a apresentação do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, o Ministro do Ambiente e da Transição Energética definiu como objetivo a redução de pelo menos 85% nas emissões de GEE para 2050, apontando como setores prioritários de ação a produção de eletricidade e da mobilidade.

A Quercus vê também com expectativa positiva a promessa do Governo em reduzir a atividade de bovinicultura intensiva, que tem a nível mundial um impacto expressivo no que se refere à produção de gases com efeito de estufa e que tem sido menosprezado.

É necessário ambição e coragem para definir e principalmente fazer cumprir as medidas políticas que o Ministro do Ambiente considerou essenciais para alcançar os objetivos. No recente ranking climático (Climate Change Performance Index - CCPI 2019), Portugal subiu uma posição relativamente ao ano passado, e embora tenha boa classificação na penetração das energias renováveis e na política climática, o desempenho no setor dos transportes é ainda um dos seus calcanhares de Aquiles.

A Quercus, presente na COP24 por nomeação da CPADA, integrada na comitiva oficial portuguesa em representação das ONGs nacionais, assistiu novamente à apresentação do roteiro para a neutralidade carbónica, feita pelo Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e participará numa reunião com os deputados da Comissão Parlamentar do Ambiente, liderada por Pedro Soares.

Este discurso no plenário da COP é aguardado pela Quercus com muita expectativa, tendo em conta a situação de impasse que se vive na COP relativamente ao Acordo de Paris, dado que este tem sido posto em causa por um número significativo de países.

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