Fui ontem dar a uma praia pejada de super betos. Uma delícia para a prática do meu desporto preferido, portanto. Havia velhos, novos, semi-novos, colegas de turma do Salazar, um pouco de tudo. A quantidade de terços de prata era tão grande que a senhora das bolas de Berlim só devia estar a vender hóstias. E dá-me ideia que estavam ali tantos super betos jovens que aquilo até era capaz de ser um ATL praia-campo da Juventude Popular.

Tomás, quer bola com creme ou sem creme? Perguntou uma mãe a uma das suas crias. O seu irmão Lourenço pediu com creme. Prosseguiu a mãe, sempre a tratar as crias por você, porque tratar a descendência por tu é tão para sub-pessoa. Pobres e assim.

Algumas crianças jogavam futebol (é um bocado como brincar aos pobrezinhos) com seus pais. Pai, não pode rematar com força! - diz o pequeno Martim. Outro tio bonacheirão retorque: Matilde, corra! Olhe ali o seu irmão desmarcado! Está ali sem fazer nada, até parece um funcionário público! Ahaha. A galhofa que para ali ia. As férias também são para estes momentos, brincar aos mesmos desportos que os pobres. Depois a vida retoma o seu curso normal e volta-se ao ténis e à equitação.

Ao fim da tarde reuniram-se vários clãs. Os Mello e Azevedo, os Ricciardi Champalimaud e os Teixeira Couto da Silva puxaram as suas espreguiçadeiras para o convívio. Aquele que me parecia o super beto mais importante, como se fosse o gorila de dorso prateado, usava ao peito uma cruz prateada tão grande que deixava a um canto qualquer bling bling que o 50 Cent possa usar, e com a vantagem de ter protecção divina, claro.

Bebiam vinho branco, falavam de projectos e empreendimentos, de sunsets gourmet top e coisas que tais. E uma coisa é certa, pela quantidade de crias que ali estavam, são daqueles católicos à antiga contra qualquer meio contraceptivo. Até o coito interrompido é pecado.

O sol estava a pôr-se. Mas mais do que isso, percebi que o dia de praia estava a chegar ao fim quando vi pessoas (sub-pessoas para eles) de tez mais escura a ir buscar as crias para lhes dar banho enquanto os super betos pais bebiam mais um copo. Saudades do ultramar.

Senti-me a Jane Goodall e estava feliz a observar o comportamento daquela sub-espécie humana. Hoje há mais.

*bem sei que não estão habituados a palavrões nestas crónicas, mas a frase pedia mesmo um "colhõezitos", até porque "testículos" é uma palavra muito mais feia.

Sugestões:

- Nessum Dorma: a mais conhecida ária da Turandot, ópera de Puccini. É de uma beleza devastadora. Já chorei a ouvi-la.

- "Dark Tourism": Série documental muito interessante na Netflix.

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