Mais um ano, mais uma desfeita de Nossa Senhora que não apareceu no evento que se organiza para ela todos os 13 de Maio. Imaginem organizar uma festa para um amigo todos os anos, com milhares de convidados, e ele nunca aparecia? Já o tinham apagado da vossa lista de amigos do Facebook, certamente. Este 13 de Maio pensou-se que fosse diferente porque estaria menos gente no joelhódromo de Fátima e é sabido que Nossa Senhora é tímida e gosta mais de aparecer para pouca gente no meio do monte do que falar para grandes públicos. Os “milagres” religiosos são como os OVNIs e a partir do momento em que muita gente começou a ter telemóveis que filmam e fotografam em HD, começaram a ser cada vez menos. Tanto Nossa Senhora como o Zork de Marte são tímidos e não gostam de ser filmados e fotografados, por isso é que nunca os vemos nas passadeiras vermelhas, até porque para prever futuro e “aparecer” já temos a Maya.

Por um lado, ainda bem que Nossa Senhora ficou quieta no seu canto e não veio destabilizar mais. Se Nossa Senhora aparecesse teria de usar máscara e depois os surdos não iam perceber nada do que ela dizia. Relembro que nas originais alucinações de Fátima, depois de serem visitados, Jacinta e Francisco morreram com a chamada gripe espanhola e Lúcia só se safou porque foi obrigada a cumprir quarentena em clausura. Nossa Senhora não deve ter cumprido o distanciamento social e, mesmo de cima da azinheira, infectou os dois pastorinhos. Quando lhes contou o segredo ao ouvido deve ter tossido, mas mesmo que não tenha sido ela a infectar directamente, não quero estar aqui a levantar suspeitas e a especular uma história tão factual, de nada serviu aos meninos a quem apareceu. Se nem a veres Nossa Senhora no cimo de uma árvore te serve como profilaxia a uma gripe mais forte, estamos bem tramados com o coronavírus. Tinha de aparecer o Eusébio e a Amália a mamarem-se na boca em cima de um pinheiro com Salazar a bater palmas para ficarmos imunes.

Os grandes festivais foram proibidos até Setembro e os peregrinos acabaram por dar uma lição de civismo de envergonhar comunistas e sindicalistas, mesmo quando as lojas já se estavam a preparar para fazer dinheiro sagrado a vender máscaras com imagem de Nossa Senhora. Se o 13 de Maio é um festival, o bispo de Leiria é a Ivete Sangalo que está presente todos os anos, uma espécie de DJ residente. Bebe-se pouco álcool neste festival, mas muita água-benta e o estilo musical é, claro, o punk rock sacro. O único festival que alguns padres gostam mais do que o de 13 de Maio é o Festival Panda. O Festival Fátima, de vez em quando, muito raramente, consegue ter um bom cabeça de cartaz como o Papa que voltará em 2022, se bem que com 83 anos e no meio de uma pandemia como esta que afecta os mais velhos, fazer planos a tão longo prazo pode ser o mais inteligente.

Não sendo crente, percebo que não haver uma peregrinação e comunhão no santuário com milhares de pessoas é um soco no estômago para muitos e um puxar do tapete numa altura em que a muitos resta-lhes apenas a fé para manter a esperança. Da mesma forma que eu preciso de jantares com amigos para manter a minha sanidade mental, percebo que muitos crentes precisem disto para manter a sua. Além disso, não haver 13 de Maio como é costume é péssimo para a economia. Ah, esqueçam, isto é tudo malta que não paga impostos. É péssimo para o negócio da Igreja, para os contribuintes é um bocado igual.

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