Jovens, estão preparados para parar de choramingar pelos preços de arrendamento e deixar de vilipendiar senhorios nas redes sociais? Prestem atenção a estas valiosas dicas.

1) Procurem fora do centro da cidade

Bem sei, bem sei. Durante os anos de faculdade, habituaram-se a viver a 20 minutos a pé da Gulbenkian, mas esse privilégio não é para todos. Há muito país para além da capital e basta-nos afastar um pouco do centro da cidade para que os preços das casas desçam drasticamente. Por exemplo, viver na Deserta Grande, no arquipélago da Madeira, fica bem mais em conta do que residir em Arroios. Não tem tantas opções de brunch? Não. Mas oferece um lifestyle mais pacato e fica a meras 23 horas de Lisboa, se se conseguirem agarrar ao casco de um cargueiro. A solução ideal para quem só tem de ir uns dias por semana ao escritório.

2) Deixem de subscrever a Netflix

Não vale de nada queixarmo-nos da dificuldade de poupar para a entrada da casa se nós próprios não controlamos a mais fútil das despesas. Lamento, mas os 36 euros que desembolsam anualmente para pagar a conta da Netflix que dividem com mais dois casais estão a impedir-vos de comprar uma casa de meio milhão. Como se não bastasse constituir uma opção financeiramente irresponsável, a plataforma está repleta de reality shows sobre imobiliário de luxo, o que só agrava a depressão motivada pela crise habitacional. Desinstalem a Netflix e, em princípio, lá para Dezembro assinarão a escritura do lar dos vossos sonhos.

3) Inscrevam-se num ginásio 24 horas

Nos últimos anos, a forma como se olha para o sono mudou drasticamente. Se antes se considerava que o ideal era repousar diariamente durante oito horas seguidas, hoje cada vez mais pessoas optam por dormitar meia dúzia de sestas de vinte minutos ao longo do dia, a fim de rentabilizar o tempo. Se não há necessidade de dormir tanto tempo seguido, a necessidade de uma habitação passa para segundo plano. Nesse sentido, a inscrição num ginásio aberto 24 horas poderá ser bem mais útil. Estão habitualmente equipados com duche, piscina, segurança, televisão por cabo, espelhos de corpo inteiro e arrumação. Acima de tudo, impede-nos de nos tornarmos numa couch potato, uma das consequências mais gravosas de arranjar casa. Em suma, é um condomínio privado por 7,5€/semana.

4) Tenham em conta espaços comerciais que possam ser requalificados

Uma das razões que motiva a sensação de “falta de oferta” de habitação a preços acessíveis tem que ver com pouca perspicácia na pesquisa. É indesmentível que as opções aumentam se procurarmos na categoria de espaços comerciais: lojas, oficinas, quiosques. Por comodismo e censura social, ainda não estamos habituados a considerar uma churrasqueira desactivada como um imóvel a ter em conta para habitação própria. Se é uma casa de frangos, é uma casa. Ainda por cima, todas estão equipadas com saída de fumos, ideal para quem tem consumidores de estupefacientes no seio do grupo de amigos. É preciso ser piegas para desejar viver perto de uma churrrasqueira, mas depois rejeitar viver dentro de uma.

5) Desvalorizem o bairro onde almejam viver

A gentrificação tornou locais outrora considerados inseguros e insalubres em bairros de luxo e excelência. O imobiliário é requalificado, os espaços verdes passam a ser regularmente cuidados e a fauna social altera-se estruturalmente de um ano para o outro. A consequência, claro, é o aumento do preço do metro quadrado. A solução passa por fazer com que o bairro que pretendem habitar volte a ser um sítio hostil. Em vez de perderem tempo com visitas a imóveis que estão fora do vosso orçamento, o ideal é deambularem pela zona a cuspir para o chão, apedrejar janelas, vomitar nos logradouros ou incendiar caixotes do lixo. Em última análise, podem sempre fazer uma vaquinha com amigos e abrir um bar de reggae que encerre tarde. Verão que o preço das casas diminuirá de forma dramática.

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