Bruno Maçães, um ex-Secretário de Estado choninhas, foi denunciado na praça pública como bardajão, através de uma publicação no Twitter de Lily Lynch, uma jornalista californiana que reside em Tirana (sim, é como um puto nascido e criado no Restelo decidir fazer vida no Cacém – mas não vamos estar aqui a pôr em causa o discernimento desta vítima de engate manhoso).

Segundo a cofundadora do blog Balkanist, Maçães ter-lhe-á enviado uma fotografia de seu marsápio neoliberal, entre propostas sexuais que não compaginam com o seu perfil acanhado. Chega a sugerir à jornalista americana que ela viesse sentar-se no seu colo, para que o ex-governante lhe desse palmadas enquanto lhe elucidaria acerca das complexidades do “separatismo russo”. Sim, sim. Spanking geopolítico, estão a ver? “Menina má! Menina má! Existe muita disputa territorial no Cáucaso! Magas é a capital da Inguchétia!” Porque, lá está, um pouco de dirty talk é não raras vezes mais valioso do que a subscrição anual da Foreign Policy.

Numa outra captura de ecrã divulgada por Lily Lynch, Maçães admite que, caso as suas mensagens fossem tornadas públicas, inseri-las-ia, tal como Donald Trump, num contexto de “conversa de balneário”. O que não seria de todo uma desculpa plausível para um gajo que necessariamente teria o hábito de se baldar a Educação Física. Veja-se que, mais do que um caso de assédio sexual – a gravidade da importunação foi desvalorizada pela própria recetora das propostas, desiludindo uma corrente inquisitória cujos seguidores estariam prontos a equiparar, moral e juridicamente, o envio de uma dick pic a uma violação -, esta polémica tem interesse pela falta de uma relação de verosimilhança entre a personagem totó e os atos javardos em causa.

Julgando pela face do visado, ninguém imaginaria que Bruno Maçães fosse o mini-micro-Strauss-Khan português. É que Bruno Maçães é capaz de ser um dos maiores nerds que andam por aí. Estudou em Harvard, escreve em inglês no Twitter e sabe o que é a Transnístria. Tal como eu, Bruno Maçães não tem cara de quem envia retratos de nabo. Aliás, Bruno Maçães tem inclusivamente cara de quem menciona o seu ódio a imagens de pénis não-solicitadas para ganhar a aprovação de mulheres saturadas de machos alfa. Bruno Maçães parecia-nos, a todos nós, um onanista recatado.

Agora, Bruno Maçães é uma inspiração para todos os choninhas deste país. Através do seu legado, os nerds portugueses ficaram a saber que também eles – e não só os garanhões alfa que falam de gajas no balneário – podem ter a capacidade, o amor próprio e a falta de noção necessários para serem efetivamente badalhocos.

A democracia também é isto.

Recomendações:

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Esta prenda de Natal útil.

Esta série que comecei a assistir.

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