Segundo notícia do Público, num “cenário de extrema adversidade”, como uma pandemia, o contrato de venda do Novo Banco prevê que as possíveis perdas da instituição sejam mitigadas por injecções automáticas do Estado. Dada a densidade de acontecimentos de 2020, parece que passaram cinco anos desde a última quadra natalícia. Ainda assim, ninguém tem dúvidas: Natal é quando o Novo Banco quiser. Eu nunca tive medo de "picas", mas a quantidade de injeções do Estado no Novo Banco está a traumatizar-me ao ponto de poder vir a precisar de um colete de forças para me administrarem o próximo reforço do tétano.

A Lone Star comprou o Novo Banco no Custo Justo e agora tem um serviço pós-venda digno de um Harrods. Tendo em conta que o acordo foi gizado por um governo com tendências para aventuras neoliberais, não estava à espera de um contrato que oferecesse tantas proteções. Eu gosto do que faço, mas mudaria facilmente para qualquer outra profissão, desde que me oferecessem um contrato como o da venda do Novo Banco. Apesar de apresentar maus resultados, recebo sempre; se por acaso ocorrer uma pandemia, recebo mais.

Mais, se eu fosse um banco, queria ser o Novo Banco. Primeiro, porque é “novo”, apesar de toda a gente saber que é muito idoso: o Fundo de Resolução funciona um pouco como o elixir da juventude que todos invejamos. Depois, porque, apesar de ser um banco privado, são os contribuintes do país onde está sediado que assumem indiretamente o risco. Eu também acalento ainda a ideia de voltar para casa dos meus pais, com todas as contas pagas, mas poder continuar a dizer que sou um jovem independente que até recebe bónus da sua entidade empregadora - é verdadeiramente o melhor dos dois mundos.

A 26 de maio a Comissão de Orçamento e Finanças aprovou, por unanimidade, a divulgação pública do Contrato de Compra e Venda do Novo Banco. O ficheiro já chegou à Assembleia, mas estará encriptado. Em princípio, conhecendo a falibilidade dos sistemas de segurança em Portugal, estará codificado na língua dos pês. É pedir ao deputado que tenha saído há menos tempo da escola primária para traduzir o documento.

Mário Centeno sai de Ministro das Finanças, posição na qual lhe perguntavam semanalmente sobre o Novo Banco, querendo ir para governador do Banco de Portugal - cargo que, apesar de regulatório, lhe permite estar mais descansado em relação ao assunto. Centeno terá perdido muitos cabelos com a venda do Novo Banco; Costa, astuto, seleccionou um novo ministro que nem sequer os tem.

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